Governo do Distrito Federal
11/01/18 às 16h26 - Atualizado em 23/11/22 às 18h44

Cine Brasília

 

*Em virtude dos jogos do Brasil na Copa, não haverá sessões nos dias 24 e 28.

 

Uma semana rica, repleta de atrações, com mostras, sessões especiais e estreias no Cine Brasília. Uma programação que abraça a diversidade e a inclusão, como é o caso da mostra A TELA NEGRA, que festeja o Mês da Consciência Negra, trazendo quatro obras recentes do cinema brasileiro, realizadas por diretores negros e com elenco também composto por atores e atrizes negras. São filmes com temática e tratamento inteiramente distintos, produzidos em diferentes regiões, como é o caso de Branco Sai, Preto Fica, de Brasília, Café Com Canela, da Bahia, além de Temporada e Marte Um, os dois últimos de Minas Gerais, estado que se afirma como uma das forças renovadoras do cinema brasileiro.

 

Crimes de Família, em sessão especial promovida pela Embaixada da Argentina, tem no papel protagonista Cecilia Roth, uma das grandes estrelas de seu país. Este ótimo filme traz a oportuna e urgente questão da violência contra a mulher. Para criar a trama de seu filme, o diretor Sebastián Schindel pediu a alguns amigos advogados que lhe enviassem casos de crimes de violência doméstica, feminicídio e assédio no trabalho. Depois de analisar vários desses casos, selecionou dois deles, retratados no filme e que não tinham qualquer relação um com o outro, criando na trama alguns personagens e fatos fictícios para unir as histórias e dar consistência à obra.

 

As duas estreias da semana são tão distintas quanto interessantes. A primeira delas, Serial Kelly é uma deliciosa comédia que marca a estreia da cantora Gaby Amarantos como protagonista no cinema. Incisivo e transgressor, o longa tem roteiro assinado pelo diretor René Guerra e por Marcelo Caetano. A intenção dos dois foi construir uma personagem “feminina forte, dona de si, senhora dos seus desejos”, enfim, “empoderada”. Segundo os autores, “Kelly é uma estrela em ascensão, e a primeira serial killer feminina do Brasil”. O filme pontua todas as agruras e angústias sofridas pelas mulheres quando tentam se afirmar no mercado de trabalho. “Ela ama comer, transar e matar. Mas nem tudo está na superfície. Existem marcas nessa personagem trágica e na relação entre as mulheridades do filme que deixam o longa no limiar entre a tragédia e a comédia”, explica o diretor.

 

A segunda estreia, Enquanto Estamos Aqui, é uma obra inteiramente experimental onde a diretora Clarisse Campolina e o codiretor Luiz Pretti fazem um “road movie” lírico aventuroso, se é que podemos chamar assim, por várias capitais do mundo e do Brasil, através de retalhos de imagens, de memórias. Enfim, o filme é uma proposta de viagem filosófica e existencial para o espectador. O desconcertante enredo narra uma história de amor, com um tortuoso percurso de encontros e desencontros, entre a libanesa Lamis e o brasileiro Wilson. Percurso entre continentes: o Ocidente e o Oriente, tudo isso imiscuído numa linguagem narrativa que privilegia som e imagem. Os dois protagonistas nunca são vistos, escutamos suas vozes e uma narração off literária sobre os sentimentos experimentados.

De Ary Rosa e Glenda Nicácio

Com: Valdinéia Soriano, Aline Brune, Babu Santana
(Drama/Brasil/2018/100min)

SINOPSE: Recôncavo da Bahia. Margarida vive em São Félix isolada pela dor da perda do filho. Violeta segue a vida em Cachoeira, entre adversidades do dia a dia e traumas do passado. Quando elas se reencontram, inicia-se um processo de transformação, marcado por visitas, faxinas e cafés com canela, capazes de despertar novos amigos e antigos amores. O clima de descontração de muitas das sequências de Café com Canela, os diálogos espirituosos repletos de graça, mesmo quando retratam as penas da vida, especificamente o cotidiano singular da Bahia retratada, dão uma curiosa leveza mesmo quando a situação em si é predominantemente dolorosa e sofrida.

DIA E HORÁRIO: Dia 25/11 às 15h30

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos

De Adirley Queirós

Com: Marquim do Tropa, Shockito, Dilmar Durães
(Drama/Brasil/2015/93min)

SINOPSE: Tiros em um baile de black music na periferia de Brasília ferem dois homens, que ficam marcados para sempre. Um terceiro vem do futuro para investigar o acontecido e provar que a culpa é da sociedade repressiva. Branco sai preto fica, o curioso título do filme de Adirley, faz referência à ordem dada por policiais aos participantes de um baile da periferia da capital. Branco sai preto fica (assim mesmo, sem vírgula) dá mesmo uma ideia da truculência cripto-racista que teria consequências trágicas para o grupo de amigos retratado no filme. A história é verdadeira e se passou na explosiva Ceilândia, a mais populosa cidade-satélite de Brasília. Com seus mais de trezentos mil habitantes, e embora já tenha se constituído ali uma vasta classe-média emergente, a localidade ainda é constituída, em sua maioria, por famílias de baixa renda.

DIA E HORÁRIO: Dia 26/11 às 15h30

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos

De André Novais Oliveira
Com: Grace Passô, Russo Apr, Rejane Faria

(Drama/Brasil/2019/114min)

SINOPSE: Juliana (Grace Passô) está saindo de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para morar em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Seu novo emprego, em que ela combate endemias da região, cria situações pouco usuais e apresenta a ela pessoas novas, que começam a mudar sua vida. Se adaptando à nova rotina, ela enfrenta dificuldades no relacionamento com seu marido, que também vai para a cidade grande.

DIA E HORÁRIO: Dia 27/11 às 15h30

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos

De Gabriel Martins
Com: Cícero Lucas, Carlos Francisco, Camilla Damião

(Drama/Brasil/2022/1h55min)

SINOPSE: A família Martins vive tranquilamente nas margens de uma grande cidade brasileira após a decepcionante posse de um presidente extremista de extrema-direita. Sendo uma família negra de classe média baixa, eles sentem a tensão de sua nova realidade. Tércia, a mãe, reinterpreta seu mundo depois que um encontro inesperado a deixa se perguntando se ela é amaldiçoada. Seu marido, Wellington, coloca todas as suas esperanças na carreira de seu filho, Deivinho, que por pressão e querendo agradar o pai, segue as ambições dele, apesar de secretamente aspirar estudar astrofísica e colonizar Marte. Enquanto isso, a filha mais velha, Eunice, se apaixona por uma jovem de espírito livre e questiona se é hora de sair de casa.

DIA E HORÁRIO: Dia 29/11 às 15h30

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 16 anos

De Sebastián Schindel
Com: Cecilia Roth, Miguel Ángel Solá, Benjamín Amadeo, Sofía Gala Castiglione, Yanina Ávila, Paola Barrientos.

(Drama/Argentina/2022/99min)

SINOPSE: O filme aborda a história de Alicia, uma mãe que lida com o fato de que seu filho está preso, acusado de estupro e agressão contra sua ex-esposa. Desesperada, acompanha o processo do filho, enquanto a empregada doméstica da família passa por outro processo judicial. Alicia irá descobrindo os mistérios de ambas as histórias, o que mudará a sua vida para sempre. A obra é baseada em histórias reais, e traz à tona diversas questões interessantes para o mundo jurídico, como o acesso substancial à justiça, a corrupção, a situação laboral das empregadas domésticas e o próprio sistema processual penal argentino, entre outros temas, que poderiam embasar bons estudos de direito comparado.

DIA E HORÁRIO: Dia 25/11 às 18h

De René Guerra
Com: Gaby Amarantos, Paula Cohen, Igor de Araújo, Marcio Fecher, Thomas Aquino e Thardelly Lima.

(Comédia/Brasil/2022/85min)

SINOPSE: Enquanto cumpre uma agenda de shows em inferninhos pelo sertão, Kelly, uma cantora de forró eletrônico, também vai deixando um rastro de mortes pelo caminho. Em seu trajeto de consumo compulsivo e violência, ela atravessa um nordeste novo, espiral de um desenvolvimento também apocalíptico. Quando passa a ser investigada por assassinatos, sua turnê mambembe também se transforma em estratégia de fuga. E de estrela ascendente ela se torna uma heroína marginal, a temida e procurada Serial Kelly, a primeira serial killer mulher do Brasil.

DIA E HORÁRIO: Dias 25, 26, 27, 29 e 30 às 20h

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 16 anos

De Clarissa Campolina e Luiz Pretti
Com: Mary Ghattas, Grace Passô, Marcelo Souza e Silva.

(Doc experimental/Brasil/2022/77min)

SINOPSE: Lamis e Wilson são imigrantes em Nova Iorque. Ela, que acaba de se mudar para os EUA, fala das suas impressões e experiências sobre o lugar. Lá, ela conhece Wilson, brasileiro, que já mora na cidade há dez anos, ilegalmente. Os dois mantêm um relacionamento que não é de fato mostrado para o espectador, mas sim, narrado.

DIA E HORÁRIO: Dias, 26, 27, 29 e 30 às 17h30

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos

 

 

 

 

História

 

 

 

O Cine Brasília nasceu junto com a cidade. A primeira sessão foi realizada um dia depois da inauguração da nova capital, em 22 de abril de 1960 (saiba mais sobre a história do cinema no vídeo abaixo). O espaço faz parte do projeto arquitetônico modernista desenhado por Oscar Niemeyer. Mais do que isso. Está incorporado no inconsciente dos brasilienses e de representantes da classe cinematográfica brasileira do país como símbolo cultural local. Uma máxima que até já virou clichê, de tão proferida, é a de que “o Cine Brasília é o templo do cinema brasileiro”. Não há quem discorde.

 

 

A estreia foi marcada pelas gargalhadas do público que conferiu as comédias Anáguas a Bordo (1959), com os galãs Cary Grant e Tony Curtis, e o pastelão A Canoa Furou (1959), protagonizado pelo astro do gênero Jerry Lewis. Com o tempo, o Cine Brasília, o último cinema de rua do DF, ganhou missões mais nobres. Entre elas, a de valorizar a exibição de produções nacionais, especialmente filmes regionais.

 

 

A outra missão do Cine Brasília, patrimônio imaterial da cidade, é o de trabalhar a formação de público. Para tanto, o espaço abraçou, em tempo anterior a pandemia, dois projetos importantes em parceria com as secretarias de Cultura e Educação dentro do programa Cultura Educa. Ambos direcionados ao público jovem da rede pública do DF. Um deles, Concertos Didáticos, traz apresentação especial da Orquestra Sinfônica de Brasília para a garotada. O outro, Escola vai ao Cinema, leva todas as semanas uma média de 500 alunos para assistir a uma sessão no cinema.

 

Assim, o Cine Brasília, além de ser a sala de exibição sede do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, mantém em sua programação lançamentos de filmes nacionais, mostras estrangeiras, semanas temáticas, debates, lançamentos de livros, exposições de pinturas, fotografias, cartazes e outros; intercâmbio e cooperação com as embaixadas, escolas públicas e universidades, contribuindo com projetos de formação de plateia e enriquecimento de nossa cultura.

 

Dados Técnicos:

Capacidade: 607 lugares

Som: Dolby Stereo Digital

Tela: 14.00 x 6.30 metros

 

Endereço: Asa Sul Entrequadra Sul 106/107 – Brasília, DF, 70345-400.

Telefone: (61) 3244-1660.

Ingressos:

R$ 20,00 – inteira

R$ 10,00 – meia entrada

 

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Cine Brasília (facebook.com)

 

 

FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO (FBCB)

 

 

Patrimônio imaterial do DF, o Festival de Brasília, oficialmente Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, é historicamente sediado no Cine Brasília, sendo o mais antigo do gênero no país. Surgiu por iniciativa do professor de cinema da Universidade de Brasília, Paulo Emílio Sales Gomes, em 1965, e é promovido pelo governo do Distrito Federal anualmente.

 

Leia mais

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – Linha do Tempo

 

Em suas duas primeiras edições o evento se chamou Semana do Cinema Brasileiro. Uma das regras que o diferencia de outros festivais é que os filmes, tanto de longa ou curta metragem, devem ser inéditos e preferencialmente, não ter sido premiados em qualquer outro festival nacional.

 

O principal prêmio do festival é o Troféu Candango, cujo nome faz homenagem aos brasilienses. Em 2020, por conta da pandemia, o formato foi online e e teve 620 mil espectadores no Canal Brasil.

 

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Fontes de Pesquisa:

“Festival 40 anos, a Hora e Vez do Filme Brasileiro”, de Maria do Rosário Caetano.

“30 Anos de Cinema e Festival, a História do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro”, coordenação de Berê Bahia.

 

CONTATO

Gerente: Márcio Damasceno
Telefone: 3244-1660
e-mail: cinebrasilia@cultura.df.gov.br

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec) 

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br