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19/12/20 às 10h42 - Atualizado em 19/12/20 às 10h43

“Utopia Distopia” revisita os primórdios da UnB

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Texto: Lúcio Flávio/Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

19/12/2020
10:43:00

 

Era parte de um sonho beatnik. Dois jovens, mochilas nas costas, cabelo ao vento e a vontade de realizar uma viagem de aventura, de São Paulo a Machu Picchu, no Peru. Tudo de ônibus. Mas naquele início dos anos 60, havia uma cidade no meio do caminho, a nova capital recém-inaugurada por Juscelino Kubistchek. Com ela, nascia a Universidade de Brasília (UnB).

 

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Ambas influenciariam o documentário do fotógrafo e cineasta Jorge Bodanzky, “Utopia Distopia”,um dos destaques dos longas-metragens da Mostra Brasília do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), em streaming na Plataforma Canais Globo até este domingo (20).

divulgação“Não sei por que, mas acabei caindo em Brasília. Eu tinha uma prima lá e conheci pessoas que me apresentaram o projeto da cidade, da UnB, me encantei de tal maneira, que desisti da aventura, voltei para São Paulo e prestei vestibular”, conta hoje Bodanzky, que faria parte da segunda turma de arquitetura da UnB.

 

“Queria contar o que vivi na UnB, fatos importantes que iam cair no esquecimento, não queria perder essa memória, o momento da fundação da Universidade, com a proposta que ela teve, queria deixar esse registro”, explica.

Recheado de imagens em Super 8 e fotos em preto em branco da época, grande parte feitos pelo próprio Bodanzky, o filme – que conta com verba do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) – é uma reflexão do País, com certa pitada de nostalgia e boa dose de realismo. Havia a esperança de um Brasil melhor, frustrada, entre outras coisas, pelo golpe militar de 1964. “A gente pensava num Brasil melhor com a fundação da UnB e da cidade de Brasília”, volta no tempo o codiretor de “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975).

 

“Tudo isso parecia trazer a proposta de criar um novo Brasil, um novo olhar sobre o País e havia essa perspectiva, acreditávamos que estávamos vivendo esse momento”, lamenta o artista, que veio para Brasília em 64.

Além das fotografias e imagens raras, o documentário traz depoimentos preciosos. E, uma das sequências, em especial, chama atenção. É a do jovem Bodanzky transitando próximo à rodoviária do Plano Piloto, quando quase não existia nada por ali. “Brasília era uma utopia e a Universidade (UnB) um sonho que entusiasmava gente nos quatro cantos do Brasil”, recorda Marcia Neves, na época, estudante de Letras da UnB e atualmente esposa do cineasta.

 

OUVINTE DE PAULO EMÍLIO

Como não poderia deixar de ser, a passagem do crítico de cinema e professor, Paulo Emílio Salles Gomes – um dos idealizadores do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro -, pela UnB, não foi esquecida. Assim como tantos outros intelectuais brasileiros na época, ele se doaria de corpo e alma no projeto de um Brasil melhor e a oficina para esse plano formidável seria o Centro de Artes da instituição. Mais do que isso, a paixão de Paulo Emílio pelo cinema influenciaria, diretamente, Bodanzky na escolha do audiovisual como profissão.

“Acompanhei não na organização (do Festival), mas como ouvinte, eu era aluno, assisti às semanas dos filmes, foi a primeira vez que vi o Glauber Rocha”, recorda. “O Paulo Emílio foi uma influência, as aulas dele era tão interessantes que me fizeram enxergar que o que eu queria fazer era, de fato, fotografia e cinema”, confessa.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br