Governo do Distrito Federal
20/05/22 às 11h46 - Atualizado em 1/07/22 às 15h40

Teatro Nacional volta à pauta de reforma

Texto e edição: Sérgio Maggio. Fotos: Hugo Lira (Ascom/Secec)

20.05.22

12:00:00

 

Ouça o resumo da notícia:

 

 

Uma das ações prioritárias do Governo do Distrito Federal, a reforma do Teatro Nacional Claudio Santoro volta para pauta de obras da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) depois que o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), por unanimidade, autorizou a retomada do edital de licitação para a reforma da Sala Martins Pena, num aporte de R$ 55 milhões.

 

Na decisão, o relator Inácio Magalhães Filho determinou improcedente a representação feita pela empresa Concrejato Serviços Técnicos de Engenharias, que pedia a suspensão da licitação de reforma do teatro.

 

 

Primeira etapa da reforma, a Sala Martins Pena será completamente restaurada, abrindo o plano de trabalho para recuperação total do teatro que inclui, posteriormente, as salas Alberto Nepomuceno e Villa-Lobos.

 

Em janeiro deste ano, o governador, Ibaneis Rocha anunciou a obra, pelas redes sociais, rompendo quase uma década de palco vazio e luzes apagadas.

 

“Fechado há 8 anos, vamos começar as obras para reabrir o Teatro Nacional Cláudio Santoro. Desde o 1º dia do nosso governo estamos resolvendo pendências deixadas por um projeto de reforma, buscando até mesmo financiamento externo”, contou o governador.

 

“É com muita alegria que anunciamos ao Brasil a retomada da reforma do Teatro Nacional, a partir da Sala Martins Pena. Trata-se de um dos maiores símbolos do patrimônio nacional, obra tombada de Oscar Niemeyer, de valor artístico e cultural inestimável. Por determinação do governador Ibaneis Rocha, vamos mostrar a diferença de um governo de ação”, emenda Bartolomeu Rodrigues.

 

INAUGURADA POR CACILDA

Cacilda e Walmor em “Moeda Corrente”

Em abril de 1961, a companhia Teatro Cacilda Becker, dissidente do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), aterrissou na novíssima capital da República com a missão de inaugurar simbolicamente o Teatro Nacional, mais precisamente o espaço que, depois, viria ser a Sala Martins Pena (inaugurada oficialmente em 1966).  Traziam três peças no repertório.

 

Quando chegaram, um susto. O teatro não tinha nem as poltronas, estava com os tapumes em volta. Não havia vidros, nada. Cacilda perguntou como aquele espaço seria inaugurado. ”

 

“De repente, vieram 50 homens com vassouras, um formigueiro, que trabalhou dia e noite”, contou a maior atriz brasileira daquela época.

 

Em 21 de abril de 1961, primeiro aniversário da capital, Cacilda Becker e Walmor Chagas apresentaram “Em Moeda Corrente”, espetáculo de Abílio Pereira de Almeida sobre o tema corrupção, em meio a ruídos externos da construção do Teatro Nacional.

 

Estudantes e operários encheram o espaço para ver aquela que era a principal atriz dos palcos na época. A biógrafa da atriz, Maria Thereza Vargas, conta que Cacilda fez questão de convidar todos os operários da obra. Ela estava feliz neste dia,

 

“Havia infiltração de ruídos e a acústica estava péssima, mas Cacilda e o elenco seguraram. De repente, faltou energia e o público não saiu do lugar”, lembra-se Thereza.

 

Faltou luz no meio da peça e a narrativa seguiu à luz de velas. O público estava encantado com esse negócio de teatro. A luz não demorou a voltar e a peça foi retomada segundo as manifestações de exclamações e risos. Uma das cenas mais ovacionadas era a que a personagem de Cacilda se ajoelhava aos pés do marido (vivido por Walmor) e clamava para que ele aceitasse a propina.

 

“Nesta hora, a plateia ria e chorava ao mesmo tempo.  Era grotesco e lírico”, escreveu o crítico Décio de Almeida Prado.

 

Na cidade, com elenco formado ainda por Fredi Kleemann, Kleber Macedo e Alzira Cunha, Cacilda também apresentou “Pega-fogo”, um dos maiores sucessos da atriz, e “Protocolo”. Daqui, foram para turnê em Goiânia.

 

A voz de Cacilda foi a primeira a ecoar na Sala Martins Pena. Depois, a sala caminhou para abrigar espetáculos nacionais e estrangeiros, ganhando, com o tempo, a vocação de ser uma casa das artes gestadas no Distrito Federal. Enquanto a gigante Sala Villa-Lobos abrigava grande produções, a Martins Pena tornou-se um palco mais candango para música, dança, ópera e teatro. 
A SALA MARTINS PENA

Fundação Athos BulcãoInaugurada oficialmente em 1966, possui capacidade de 407 lugares, palco de 235 m², com 12 m de abertura e 15 de profundidade, 1 elevador e 15 camarins. No foyer, conta com painel de azulejos de Athos Bulcão e é bastante utilizada para exposições. Possui um busto de Ludwig Van Beethoven, doado pela Embaixada da Alemanha. Destina-se a saraus, performances, lançamentos de livros, coquetéis e exposições, com área de 412 m².

 

Um dos destaques da Sala Martins Pena é a obra “Painel Acústico”, de Athos Bulcão, localizada na parede direita (visão do palco). A obra é formada por 23 conjuntos de quatro peças de madeira envernizada, fixadas no topo da parede, dispostos em alturas variáveis. A obra tem uma variação contínua de altos e baixos relevos e é de 1978. O estudo de cores dos estofados, carpete e cortinas é assinado pelo artista.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br