Governo do Distrito Federal
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16/07/19 às 16h27 - Atualizado em 16/07/19 às 16h46

Servidor da Secec ministra curso de alfabetização digital em sala equipada da Biblioteca Nacional

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Duas turmas de prestadores de serviços gerais concluem formação de dez horas/aula nesta semana 

 

“Rapaz, tá na hora de comprar um computador pra mim”. A avaliação feita hoje (16) é da prestadora de serviços do Museu Nacional da República Maria José da Silva, 37 anos, casada, dois filhos, moradora da Cidade Estrutural, região detentora de um dos piores indicadores de desenvolvimento humano do DF. Maria é aluna de uma das duas turmas do Curso de Alfabetização Digital que termina na sexta-feira, 19, na Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), espaço aberto ao público que conta com sala equipada para este tipo de atividade.

 

O curso, “Traçando Rotas, Redescobrindo Caminhos com o Google Maps”, de alfabetização digital de jovens e adultos, é uma iniciativa que começou em 2016, com apoio na época da Organização da Sociedade Civil (OSC), Recode, que atua com introdução digital para pessoas em situação de fragilidade social. A OSC doou então dez computadores completos à BNB que, como contrapartida, ofereceu oportunidade de aprendizado a esse público.

 

Depois de interrupções devido a realocações de servidores, o curso foi retomado este ano por ação do analista de Políticas Públicas da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) Igor Wright, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, instituição onde ele pesquisa na linha de “Práticas e Linguagens na Educação”.

 

Alocado no serviço de informática da BNB e formado em Geografia, ele conta da satisfação no trabalho, onde recebe pessoas que não sabem o que é fazer login na máquina e as deixa antenadas com a possibilidade de um futuro melhor. É o caso de Maria José, que ajudou o marido a melhorar seu planejamento de entregas de material de construção, estudando rotas pelo aplicativo do Google que embasa o curso.

 

“70% do pessoal só tinham tido contato com computador por carregá-los de um lado para o outro nas mudanças”, testemunha o tutor, que está na fase final de capacitação das turmas de nove alunos cada. Os grupos são formados por faxineiros do Complexo Cultural da República, lotados no Museu Nacional e na BNB. Aqueles considerados aptos vão receber um certificado de dez horas/aula.

 

E não são apenas os alunos de Igor que sonham com dias melhores. O mestrando, em fase de qualificação na pesquisa, com defesa da tese projetada para o início de 2020, tem os olhos numa Geografia que seja lugar para que seres humanos deixem de ser variáveis estatísticas e ajam como protagonistas da própria história.

 

Nos passos do geógrafo brasileiro de renome mundial Milton Santos, conhecido pelas contribuições dadas à renovação no estudo da ciência, Igor acredita que usar um aplicativo de geolocalização ajuda as pessoas a se perceberem no seu contexto, pensar sobre as razões das diferenças sociais de oportunidade e não se acomodarem diante das dificuldades de abrir o próprio caminho.

 

O subsecretário do Patrimônio Cultural, Cristian Brayner, é um entusiasta da iniciativa: “Sem a educação digital a cidadania fica comprometida. Afinal de contas, a tecnologia, longe de ser uma inovação, se tornou fundamental para se beneficiar das oportunidades na sociedade contemporânea”.

 

Igor não quer que a iniciativa termine com sua pesquisa, pois acredita no potencial emancipador que a alfabetização digital carrega. “Em março, depois que eu concluir o mestrado, quero voltar e ampliar a proposta de alfabetização digital. Acho que isso deve virar uma política de estado. Espero que a Secretaria me ajude, permitindo dispensas no trabalho e conseguindo transporte para atingirmos mais gente”.