Governo do Distrito Federal
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28/02/19 às 15h24 - Atualizado em 1/03/19 às 22h37

Secretarias de Cultura e da Mulher traçam estratégias para combater violência de gênero

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Secretarias da Cultura e da Mulher vão trabalhar conjuntamente contra o feminicídio e a violência de gênero em Brasília. Em reunião na manhã desta quinta-feira (28) na Biblioteca Nacional de Brasília, os titulares das pastas definiram linhas de ações para enfretamento do problema.

 

O planejamento prevê início imediato, com campanhas já no carnaval. “Valorizamos essa parceria, que começa agora, mas vai se estender ao longo da gestão Ibaneis”, explicou o secretário de Cultura Adão Cândido. Para a titular da pasta da Mulher, Éricka Filipelli o combate efetivo a esses crimes é prioridade. “Estamos inaugurando um novo tempo para as mulheres do DF”, disse.

 

Filippelli chama a atenção para a dimensão que agressões contra as mulheres toma. “A maioria dos casos de violência acontecem nos finais de semana, diante de filhos e impactam a sociedade”. Dados da Secretaria de Segurança Pública do DF mostraram que ocorrências dessa natureza aumentaram 50% no ano passado em relação a 2017. Pesquisa na USP aponta 107 casos de feminicídio registrados no noticiário nacional só este ano. “O problema é que a divulgação parece ter um efeito reprodutor, inspirando agressores”, lamenta a secretária da Mulher.

 

No DF, em 2018, 27 mulheres morreram vítimas de feminicídio. A Secretaria de Segurança Pública está estudando esses casos numa câmara técnica a fim de subsidiar políticas públicas para o governo Ibaneis. “A violência doméstica começa com sinais imperceptíveis ou que são subestimados pelas parceiras. Se não são enfrentados, aumentam e ameaçam a vida de mulheres e saúde emocional de filhos(as), que tendem a repetir tais lugares em suas vidas futuras, seja como agressores ou vítimas da violência”, alerta Filippelli.

 

O secretário de Cultura acredita que o Carnaval será um marco importante na parceria para mudar este cenário. Campanhas como “Eu sou do bloco do respeito”, idealizada pela secretaria de Cultura, “não é não” e “com a falta de respeito não se brinca”, motes trabalhados já no pré-Carnaval, mandam um sinal claro para a sociedade de que não pode haver tolerância para este tipo de comportamento. Lembram, ainda, o fato de que, pela primeira fez estará vigendo na folia a lei 13.718, que prevê pena de um a cinco anos de prisão para quem pratica a importunação sexual.

 

Atividades Culturais

A reunião contou com a participação do coordenador da unidade de audiovisual da Secretaria de Cultura, Vanderlei Silva, e a atriz e produtora de cinema Naura Schneider, que protagonizou o filme “Vidas Partidas”, de 2016, que trata da violência doméstica. O longa fará parte da programação especial que o Cine Brasília apresenta de 6 a 10 de março em homenagem ao Dia da Mulher, celebrado no próximo dia 8.

 

Também está prevista para o dia 20 sessão especial de exibição do filme, com debate sobre o tema. “Violência contra mulher é um assunto grave no Brasil e tem apelo universal. Já viajei para vários países para discuti-lo”, diz Naura.

Adão Cândido aproveitou o encontro para falar do Polo de Audiovisual a ser criado e que poderá incentivar produção cultural com temas relevantes, como o combate ao preconceito e discriminação. “Queremos criar um ambiente de negócios com matriz tributária agressiva para atrair investimentos em audiovisual. Brasília tem essa vocação”.