Governo do Distrito Federal
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26/11/19 às 22h26 - Atualizado em 27/11/19 às 0h20

Secec, Turismo e Fecomércio unem forças para tornar a capital mais atraente a investidores do audiovisual

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Painel no segundo dia da terceira edição do Ambiente de Mercado, dentro do 52º FBCB, debateu “Brasília como produto cinematográfico”

 

A Brasília Film Commission (BFC), ligada à Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), a Secretaria de Turismo (Setur) e a Fecomércio-DF, orgão sindical patronal que representa empresas no Distrito Federal, pretendem unir esforços para tornar Brasília uma cidade mais “movie friendly” (amigável ao cinema como negócio), de modo a explorar o potencial da capital da República como espaço de locações para produções cinematográficas nacionais e estrangeiras e alavancar a vocação da cidade nesse nicho da economia criativa. A intenção foi manifestada em debate nesta terça-feira (26) no Ambiente de Mercado, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), como parte da programação do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

 

“Eu acredito nesse potencial da capital. Não temos aqui indústrias, mas, sim, um setor de serviços forte”, disse a representante da Fecomércio, Caetana Franarin. A presidente da BFC, Tathiana Dal Col, e a assessora do Turismo, Tatiana Petra, comprometeram-se a fazer um cadastro de profissionais da cadeia produtiva do audiovisual e de locais de locação a fim de vender “Brasília como produto cinematográfico”, tema do painel que contou ainda com a presença da gerente do Sebrae-DF para Gestão e Empreendedorismo no Setor Audiovisual, Juliana Mota. O debate foi mediado pelo subsecretário de Fomento e Incentivo Cultural (Sufic), João Roberto Moro.

 

Levantamento do Turismo aponta que 60% do orçamento de um filme é gasto com despesas locais, desde alimentação e hospedagem da equipe a gastos em serviços e logística. “Estou impressionado com este número. A BFC tem como desafio trazer mais filmagens para a capital. E pensem: Brasília é um lugar que fica seis meses sem chover”, comentou Moro. A questão climática, ainda segundo pesquisa do Turismo, é o primeiro critério para definição de locação depois que o argumento de um filme é definido. Na sequência, vêm quesitos como variedade de locações, diversidade étnica, facilidade de acesso e segurança.

 

Petra lembrou ainda que, do ponto de vista do turismo, os destinos de viagens são muito influenciados pelas impressões deixadas no imaginário das pessoas pelos filmes. Deu como exemplo o longa Sideways (EUA, 2004), que conta a história de personagem fascinado por vinhos e seu melhor amigo que saem para uma viagem de uma semana, de despedida de solteiro, pelas vinícolas da Califórnia. “Impulsionou não apenas o turismo na Califórnia como os vinhos que são produzidos por lá”, disse a servidora do Turismo.

 

A Setur levou uma apresentação que mostra a relação íntima entre o cinema e a capital federal, que nasce sob as lentes de fotógrafos e cinegrafistas, tem o primeiro curso universitário de cinema do país na UnB e acumula iniciativas ligadas ao audiovisual ao longo de sua história. Moro lembrou que uma das prioridades da Secec é a construção do Parque Audiovisual de Brasília, próximo ao CCBB, em substituição ao desativado Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, de Sobradinho. O projeto prevê a construção, numa área de 147 mil metros quadrados, de estúdios, salas de cinema, núcleos de animação, efeitos especiais e infraestrutura moderna para produções de diferentes formatos, como games, filmes e séries.

 

Na visão do Sebrae, a vocação da capital como polo de cinema é inquestionável. Juliana informou que, para 2020, a instituição já definiu como prioridade ações na área de audiovisual e games, dentro da área da economia criativa. A ideia é promover, com outros parceiros, atividades de capacitação, encontros e rodadas de negócios, e missões, como a de levar grupos de empresários em viagens para conhecer investidores e prestadores de serviço. “Queremos ver com a Secec se embarcamos junto num Conexões”, disse ela em referência a uma das linhas do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), programa do GDF gerido pela Cultura.

 

O subsecretário Moro provocou a Fecomércio no sentido de trazer mais empresas para abastecer os recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), mediante renúncias fiscais, e se comprometeu a ampliar ações de capacitação tanto em relação a ela quanto ao FAC.

 

Na plateia, a empresária do audiovisual Ana Arruda manifestou seu otimismo em relação ao futuro da capital federal. “Brasília é incrível. Temos aqui profissionais tão bons quanto há em outros centros. Precisamos deixar de pensar provincianamente.” O gestor na área de cultura Daniel Celli, com passagem pela Film Commission de São Paulo, deixou um recado para painelistas e público da 3ª edição do Ambiente de Negócios. “Brasília precisa aprender a atrair investidores. Para o ano que vem, a Netflix planeja 30 locações no Brasil, nove das quais na capital paulista”.

 

Nesta quarta-feira (27), o Ambiente de Mercado terá seu último dia de programação. Confira aqui.