Governo do Distrito Federal
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28/10/20 às 22h20 - Atualizado em 28/10/20 às 23h08

Secec recebe mestres da periferia e reforça compromisso com a cultura nas RAS

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Texto: Loane Bernardo Edição: Sérgio Maggio (Ascom/Secec)

28/10/2020

20:33:15

 

A força criativa da arte e da cultura nas Regiões Administrativas (RAs) do Distrito Federal é uma política pública em estado de atenção para a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) do DF. A criação da Rede Integra Cultura (RIC), formada por gerentes de Cultura das RAs e membros governo, e a qualidade das propostas apresentadas nos editais FAC Regionalizado e Mais Cultura reforçam a urgência de potencializar o acesso e a democratização dos recursos para os agentes culturais da cidade.

 

“A pandemia e a Lei Aldir Blanc reforçaram a urgência desse olhar. Precisamos construir uma política pública mais efetiva para a cultura pulsante das Regiões Administrativas. Esse é um papel que a Secec vai cumprir”, aponta o secretário, Bartolomeu Rodrigues.

 

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E foi dessa forma, com a Secec de portas abertas, que Bartolomeu Rodrigues, o secretário-executivo, Carlos Alberto Jr., a chefe do Gabinete, Katiana Santiago, e a chefe de Articulação de Política Cultural, Sol Montes, receberam representantes de coletivos culturais das cidades do DF para uma escuta.

 

“Somos um movimento independente que desejar dialogar e contribuir efetivamente para que a distribuição dos recursos públicos seja mais justa com quem faz arte na quebrada”, aponta Ankomárcio Saúde, integrante do Circo Artetude, uma das companhias de circo e de palhaços mais importantes do DF.

 

PERIFERIA UNIDA

Marina Gadelha/Secec

Ankomárcio (Artetude)

A comitiva representada por Júlio César (Palhaço Mandioca Frita – Santa Maria), Roberto França (Mestre Cobra – Riacho Fundo I), Ankomárcio (Palhaço Xaubráubrau do Circo Artetude – São Sebastião), Bruna Luísa (Circo Fulerage – Taguatinga), Francisco Albertino (Movimento Cultural de Sol Nascente/Pôr do Sol) e Rivaldo Rodrigues da Silva (Pingo Voador) relatou ao titular da pasta a rotina de um artista de periferia.

 

De segmentos culturais distintos, os agentes retrataram, com emoção, o poder transformador da cultura na vida de cada um. Entre as demandas expostas, o grupo solicitou a abertura do diálogo para os artistas periféricos, assim como a desburocratização e a democratização para os recursos e políticas públicas para a cultura.

 

Ankomárcio destacou ao secretário a importância da gestão no olhar atento ao legado artístico e ao sustento dos artistas circenses e convidou-o ao debate. “Podemos pensar na cultura como aliada, de forma inclusiva, construindo um diálogo com atitude entre governo e classe artística. Vamos discutir juntos políticas culturais descentralizadas,” ressaltou o agente cultural.

 

MESTRES QUE SALVAM

Considerado um dos mestres de capoeira mais reconhecidos no DF, Mestre Cobra mantém o Centro Cultural Grito de Liberdade desde 2005. Com participação ampla em trabalhos sociais ligados à capoeira, ele é responsável pelo resgate social e pela promoção de cidadania entre seus alunos. “O berimbau me salvou da dependência química e do crime e continua salvando pessoas aqui no DF” enfatizou o mestre.

 

Mandioca Frita, pai da dupla Aipim e Macaxeira, saiu das ruas por meio da arte circense. O palhaço e artista Júlio César conta que a alegria que o tirou da situação de rua é a mesma que tem por batalhar por melhores condições para quem trabalha no circo, levando esperança e arrancando sorrisos do público por onde passa.

 

Também famoso por fabricar brinquedos artesanais feitos com materiais reciclados (traca-traca, corrupio e rói rói), o palhaço “raiz” defende a valorização da alegria gerada pelo circo. “Já estive em um local parecido com o inferno, o presídio. Hoje faço da minha história de vida uma alegria. Estou vivo pela arte”, completou Mandioca.

 

CULTURA COMO AGENTE TRANSFORMADOR

Enquanto Bruna relatou a batalha de uma artista circense em treinar em equipamentos culturais das RAs, Francisco, advogado e artista urbano de Pôr do Sol/Sol Nascente, relatou que ser da periferia o motivou a auxiliar e mobilizar sua comunidade baseado nas leis, explicando como tornar menos burocrático o acesso dos artistas aos mecanismos de fomento oferecidos pelo governo.

 

“Nosso movimento cultural começou com 20 pessoas e hoje contamos com quase 300. Eu tenho orgulho de ser um agente de transformação no acesso à informação cultural dentro da minha comunidade”, apontou o grafiteiro.

 

Diante dos depoimentos emocionantes, o Secretário manifestou sua identificação pessoal como cada história de vida. Comovido, Bartolomeu Rodrigues contou um pouco de sua trajetória até assumir a pasta. “Sempre acreditei intuitivamente que a cultura é um caminho de transformação. Quero chegar na periferia do DF e enxergar as coisas acontecendo”, destacou.

 

O secretário ressaltou, durante a reunião, as linhas da Lei Aldir Blanc e o empenho em fazer com que o benefício chegue para todos que precisem. Lembrou, ainda, do lançamento do edital FAC Regionalizado neste ano, que contemplará 190 propostas de oito macrorregiões, promovendo o intercâmbio e a difusão cultural de modo descentralizado. “Vamos sim lutar para ampliar e sinalizar os recursos para a periferia do DF”, concluiu.

 

Ao fim da reunião, Sol Montes encaminhou os mestres Cobra e Mandioca Frita para o atendimento presencial da Aldir Blanc a fim de auxiliá-los no cadastro da Lei 14.017.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br