Governo do Distrito Federal
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7/08/20 às 9h33 - Atualizado em 7/08/20 às 16h59

São João da Secec leva alegria e empregos ao Distrito Federal

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Fomentado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, o projeto “Caravanas de São João” gerou 250 empregos diretos e 50 indiretos

 

Texto: Loane Bernardo. Edição: Sérgio Maggio (Ascom/Secec)

 

 

Havia quatro meses que o caminhão de Mendes Alves não lhe rendia o sustento. A esperança ressurgiu ao som da zabumba, da sanfona e do triângulo. No “Caravana de São João – O maior Forró Itinerante do DF”, projeto fomentado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), ele viu o trabalho ser retomado mesmo que em outra realidade, atípica. De máscara, ele seguiu o trajeto espalhando alegria.

 

“Durante os trajetos, me deparo com lágrimas nos olhos das pessoas por onde passamos. Cortando as regiões do DF, percebo como a alegria é vital para a população”, destacou Mendes, que há dois anos trabalha com eventos culturais.

 

O caminhão de Mendes, batizado de pau de arara “Zé Troncho”, é puxado pela kombi Marilu e atravessa as Regiões Administrativas do DF a partir do termo de fomento entre a Secec e a Associação dos Defensores das Culturas Regionais (ADCR). A programação musical causa euforia por onde passa, com a locução animada e tipicamente nordestina do mestre de cerimônias, no estilo de puxador de quadrilhas juninas.

 

 Foto: Samuel Andrade.</span>

Caminhão “Zé Troncho”

 

No entanto, o maior arrasta-pé é nos bastidores. O projeto “Caravana de São João – O maior Forró Itinerante do DF” gerou 250 empregos diretos a partir de contratação de atrações musicais, e 50 indiretos, contratando assistentes de produção, produtores culturais, técnicos de áudio e iluminação, fotógrafos e motoristas, dentre outros. Esses profissionais se viram parados com o cancelamento das festas juninas por conta da pandemia da Covid-19. O secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, explica a importância desses projetos no enfrentamento das dificuldades financeiras impostas ao setor cultural pelo novo coronavírus.

 

“Fizemos um esforço e lançamos uma série de medidas emergenciais, com lançamento de bloco de editais, pagamentos do FAC e termos de fomento, aportando a ordem de R$ 22 milhões, tornando o DF uma das unidades da federação que mais investiram aporte nesse momento delicado. Então, é uma alegria ver esses forrozeiros e técnicos voltando ao mercado com segurança”.

 

ARRASTA-PÉ SOLIDÁRIO

 

Idealizador do projeto, o produtor cultural e presidente da ACDR, Arkson Rangel, revela que a ideia do “Caravana” surgiu como alternativa para socorrer os artistas durante a quarentena. Rangel conta que encarou a pandemia como um grande desafio, que envolveu jogo de cintura para novas criações. “Esse projeto é executado com todas as recomendações de saúde exigidas. Mesmo diante do período de isolamento social, é muito gratificante continuar transmitindo a alegria das festas populares para a população do DF e principalmente amparar parte desse setor cultural com oportunidade de trabalho”, celebrou o produtor cultural.

 

 

Foto: Samuel Andrade.</em></span>

Arkson Rangel e equipe técnica “Caravanas de São João”

 

O técnico de som Marcos Vieira “Catatau” enfatiza que uma das consequências geradas pela crise no setor foi a escassez de eventos nos quais ele sempre trabalhou. Ele conta que se sentiu privilegiado em poder atuar em um projeto que, de um modo diferenciado, conseguiu alegrar a população e garantir o sustento de agentes culturais da sua área técnica. “A Caravana, sem dúvida, nos aliviou. Será uma garantia de subsistência para várias famílias. Que o setor cultural e governo se mobilizem cada vez mais com propostas alternativas para amparar os trabalhadores da arte”, comemorou.

 

INICIATIVA APLAUDIDA

 

Quem também fez festa foi o assistente de produção Carlos Gravatá. Ele destaca que o projeto não só ajudou os trabalhadores da cultura, como também valorizou a tradição regional. “A iniciativa funciona como um fortalecedor da diversidade da cultura regional existente no país. Parabenizo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa por apoiar iniciativas como estas, e que venham mais projetos itinerantes”, completou.

 

 

 

Assistente Técnico – Carlos Gravatá

 

Locutor do projeto, Marques Célio, presidente da Associação dos Forrozeiros do DF (ASFORRÓ), faz coro ao colegas de trabalho. Para ele, as caravanas chegaram em boa hora para quem faz cultura no Distrito Federal. “Nós do segmento do forró tivemos a infelicidade de sermos penalizados no período de nossa safra. A Caravana trouxe a esperança para que esses grupos possam se apresentar de forma segura, garantindo também a chance de continuar a tradição popular tão cultuada no país”, destacou.

 Foto: Loane Bernardo.</span>

Marques Célio, presidente da Associação dos Forrozeiros do DF

 

OS PASSARINHOS DO COCO

 

Os criativos emboladores de coco vindos de Pernambuco, Pardal da Saudade e Azulão, escolheram Brasília para pouso definitivo e aqui fizeram uma carreira promissora, onde eram atrações confirmadas em diversas festas de cultura regional, principalmente as de São João. Os artistas com nomes de pássaros se apresentaram na caravana, rimando de modo irreverente para o público que avistavam nas ruas da cidade.

 

Foto: Samuel Andrade.</em></span>

Emboladores de Coco – Pardal da Saudade e Azulão

 

Pardal da Saudade contou com orgulho suas apresentações memoráveis, que envolviam multidões durante sua carreira. Diante o período atípico, o músico relatou que ele e seu parceiro passaram um período de quatro meses sem se apresentar e, consequentemente, sem renda. “Estamos felizes em tocar e cantar em um projeto tão criativo e contamos com que o retorno, mesmo que gradual, possa se tornar definitivo em breve”, comemora.

 

De acordo com o repentista e embolador Azulão, uma de suas maiores saudades é tocar e cantar nas praças, improvisando para as pessoas que chegavam perto para bater palma e celebrar a arte do repente. “Desta forma, continuamos representando a cultura de forma diferente, já que não podemos nos aglomerar nas ruas e nas praças”. Azulão também destaca que cantar em cima dos caminhões é uma prática recorrente no Nordeste, que pode ser aderida no Distrito Federal a partir de agora.

 

Foto: Samuel Andrade.

Azulão

 

A CARAVANA SEGUE

 

O público retribuiu com carinho às atrações. Para o professor Bruno Costa, foi uma grande surpresa ver passando em sua janela um show que remete a grande valor sentimental. O espectador, morador do Cruzeiro, relatou sentir muita falta dos festejos juninos e de todo o ritual que envolve a celebração. “São João definitivamente precisa acontecer. E essa iniciativa retrata a alegria e a satisfação que faz tão bem ao povo brasileiro”, enfatizou.

 

Foto: Arkson Rangel

Caravana de São João

 

Até o final do projeto, o São João móvel atenderá 24 Regiões Administrativas, totalizando 71 até o fim de agosto. Além de levar alegria de forma segura por meio da cultura popular brasileira, respeitando as recomendações de distanciamento social, a iniciativa gerou emprego e renda para artistas e técnicos envolvidos na cultura, que estavam sem trabalho durante a pandemia.

 

Confira a programação e o itinerário da Caravana de São João.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
e-mail: comunicação@cultura.df.gov.br