Governo do Distrito Federal
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6/08/21 às 18h18 - Atualizado em 6/08/21 às 19h15

Saberes encerram Semana da Mulher Negra

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Texto: Úrsula Rodrigues. Fotos: Gilberto Soares (Divulgação) / Edição: Sérgio Maggio (Ascom/Secec)

6.8.21

17:34:00

 

 

Com Termo de Fomento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) no valor de R$ 80 mil e geração de 13 empregos, o ciclo de oficinas da Semana da Mulher Negra se encerrou, nesta sexta-feira (6.8), com 140 inscritos nas aulas apresentadas em salas online, acompanhadas ao vivo nas redes sociais do Instituto Mãe África, com média de cem internautas.

 

Ao comando da jornalista, artista e apresentadora Jô Gomes, a aula de encerramento, realizada no Centro de Dança do DF, recebeu a visita do secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, e da subsecretária de Difusão e Diversidade Cultural, Sol Montes.

 

Juntos, os convidados ouviram a pedagoga e pesquisadora Layla Maryzandra explicar que os cuidados com o cabelo afro representam um patrimônio imaterial para a cultura afro-brasileira. Depois, testemunharam a oficineira Negra Jhô ensinar a manutenção nos dreads com uma pinça e uma agulha de crochê.

 

A baiana também demonstrou diversas formas de amarrar o turbante. Com os modelos, mãe e filho, Suelen e Aruan Saboia, utilizou tecidos de estampas tradicionais para produzir figurinos que expressam a ancestralidade negra.

 

fotos: Gilberto Soares

 

“É uma honra participar desse encerramento porque a Secec acredita na força da mulher negra e quer empoderar cada vez mais esse segmento na cultura do Distrito Federal. Essa política de inclusão apenas avança. Vamos juntos.”, destacou Bartolomeu Rodrigues.

 

Emocionada, Sol Montes comemorou a publicação hoje do resultado preliminar do edital Semana da Mulher Negra, que vai premiar 30 agentes culturais do DF, com valor de R$ 5 mil para cada uma.

 

Das 233 inscrições recebidas, apenas 30 são de artistas residentes em regiões com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Distrito Federal, como Plano Piloto, Sudoeste e Lagos Norte e Sul. A maioria das inscritas é oriunda das demais Regiões Administrativas do DF.

 

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Mulheres negras: resultado preliminar

 

SABEDORIAS E ANCESTRALIDADES

Pente africano usado para modelar o cabelo afro, duafe representa beleza, compartilhamento, carinho, força e ancestralidade. Assim como o trançar, que com a delicadeza do tato, profere os ensinamentos geracionais, o amor reproduzido e a característica de empreender das mulheres negras. Gerado a partir desses valores, o projeto Duafe (des) Tranças, executado de 2 a 6 de agosto, trouxe os saberes de Negra Jhô e Layla Maryzandra.

 

fotos: Gilberto Soares

Negra Jhô e Sol Montes

“Eu sou a Negra Jhô, eu vim de um quilombo, eu sou uma mulher quilombola. A minha avó foi a primeira empreendedora que eu vi. Ela fazia os quitutes, o acarajé, a cocada e mercava dentro da Muribeca. Eu, pequena, sempre prestei atenção na força daquela mulher guerreira. Assim eu saí pelo mundo, quando compreendi que eu também sou uma grande empreendedora.”, conta.

 

Atuante na criação de desfiles e rainhas de blocos afros, como o tradicional Ilê Aiyê, Negra Jhô apresenta sua trajetória por meio de sua oralidade baiana. Especialista em cabelos e cultura afro, a estilista se apresenta como uma figura matriarca forte, consciente, bonita, vaidosa, cuidadora e bem sucedida.

 

Em Salvador, há mais de sete anos no mercado, comanda o famoso salão de beleza Negra Jhô Penteados Afro, situado no histórico Pelourinho.

 

 

CABELO LIVRE

Na despedida, Layla Maryzandra iniciou sua fala lendo um trecho de um artigo da Alice Walker,

fotos: Gilberto Soares

Layla Maryzandra

escritora de “A Cor Púrpura”, de título “O Cabelo Oprimido é um Teto para o Cérebro”. A passagem narrada conta, por meio do olhar da autora, sua relação com a imagem, o cabelo, e, principalmente, o vínculo de amizade e segurança construído com a mulher que trançava suas madeixas.

 

Nesse sentido, a pesquisadora discorreu da valorização dos trabalhos produzidos pelas matriarcas mulheres negras. “É importante a gente valorizar essas mulheres nos seus processos de empreendedorismo. Porque, inclusive, quando a gente reflete sobre mulheres negras, as ganhadeiras, quitandeiras, essas sempre estiveram nas ruas pensando e realizando vários subterfúgios de sobrevivência. Isso é ancestral, é nosso.”, diz Maryzandra.

 

Moradora do Distrito Federal, Layla Maryzandra é pesquisadora na área de linguagens estéticas tradicionais africanas, e atua na Rede Nacional de Cyberativistas Negras, além de ser idealizadora do Projeto Fios da Ancestralidade.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br