Governo do Distrito Federal
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6/10/19 às 5h35 - Atualizado em 7/10/19 às 10h01

Roda de conversa depois do documentário “De Peito Aberto” ajuda mulheres a dividir a experiência do aleitamento

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A sessão do filme “De Peito Aberto” (Graziela Mantoanelli, 2019, documentário, Brasil, 80 minutos, 12 anos), que acompanha seis mães de diferentes realidades socioculturais nos seis primeiros meses de vida dos seus bebês, seguida por uma roda de conversa foi festejada hoje (5) no Cine Brasília por mulheres presentes ao equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec).

 

A enfermeira Lívia Minatel, especialista em aleitamento materno e consultora na área de cuidados nutritivos com recém-nascidos, conduziu o bate-papo, que consistiu em troca de experiências entre mulheres presentes sobre o tema do documentário. Na tela como na vida delas desfilam questões que são recorrentes no puerpério (período pós-parto em que a mulher experimenta alterações físicas e emocionais): culpa e solidão decorrentes das dificuldades da amamentação diante de um contexto em que são pressionadas e cobradas pela indústria de fórmulas, senso comum e pitacos de familiares e amigos.

 

“É um momento em que a mulher sente dores, está fragilizada pelo descontrole hormonal e experimenta muita insegurança sobre como proceder diante da chamada demanda livre por parte do bebê”, afirmou Minatel. Vários dos depoimentos das lactantes na roda de conversa tocaram na questão da insegurança diante de profissionais de saúde – obstetras, pediatras, enfermeiras, doulas etc -, que frequentemente divergem entre si nas prescrições e aconselhamentos dados.

 

Ela destacou a qualidade dos Bancos de Leite do DF e recomendou que as mulheres presentes compartilhassem essa informação. “Os Bancos de Leite daqui são referência, estão atualizados e têm condição de acolher a mulher que decide amamentar seu filho, o que exige muita resiliência diante de um cenário que é o de colocar a mulher logo de volta no mercado de trabalho”, disse a enfermeira.

 

Lívia disse que costuma encorajar as mães que a procuram com a informação de que “não há nada de errado nas escolhas na maternidade. As mulheres fazem o que podem com os recursos que têm”. E frisa que o importante é acolhê-las, ajudá-las e suspender os julgamentos.

 

A professora da UnB Tatiana Catanzaro, presente à roda, desabafou sobre a pressão que existe para que o aleitamento seja interrompido. “As pessoas me veem amamentando e perguntam: mas ele ainda mama?”, em referência ao filho Leonardo, que já fez dois anos. “Eu amamentei até os três anos e sete meses e tinha para mim que o desmame deveria ser natural. Sofri muita pressão”, endossa e enfermeira do Banco de Leite da Secretaria da Saúde do DF Renata Lopes, que também assistiu ao filme e ficou para conversar.

 

De novo, Lívia reafirmou que essas escolhas são particulares e destacou como o mais importante dar o peito durante os primeiros meses, para que haja fortalecimento imunológico, ajuste de ganho de peso da criança e regularização do fluxo de leite da mãe, que muitas vezes traz problemas como empedramento e mastites. “Muitos profissionais querem prescrever suplementos quando deveriam é dar apoio às mães”, critica.

 

Outra profissional presente, Bianca Amorim, é psicóloga e recomenda que seja feito um trabalho psicológico no pré-natal. “Não apenas com as mâes, mas maridos e avós, que têm um papel fundamental na formação de uma rede de apoio”.

 

Minatel elogiou os enquadramentos que o documentário fez da problemática envolvendo o aleitamento: “Muito sensível e faz o certo, que é colocar a mulher como protagonista do processo”. Sobre a roda de conversa, disse que foi importante porque tira a maternidade do isolamento da casa e das famílias e a traz para um lugar em que se torna uma questão política e capaz de influenciar políticas públicas.

 

“Esse é o papel de um cinema público. Não apenas programar filmes que esclarecem, mas criar oportunidades em que as audiências possam discutir o que assistiram”, arremata o gerente do Cine Brasília, Rodrigo Torres.

 

“De Peito Aberto tem mais uma sessão neste domingo (6) às 14:30. Inteira custa R$ 12.