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Maria da Penha ONLINE Governo do Distrito Federal
23/06/23 às 12h04 - Atualizado em 28/06/23 às 11h33

Rei Momo recebe as chaves de Brasília

 

Texto: Alexandre Freire. Edição: Sâmea Andrade (Ascom/Secec)

 

 

O secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, abriu na noite desta quinta-feira (22/6), oficialmente, o desfile das escolas carnavalescas de 2023 na Passarela do Samba Marcelo Sena, em Brasília, montada junto ao Eixo Cultural Ibero-Americano. Uma centena de pessoas entre representantes de 13 escolas e de suas comunidades, membros do candomblé, corte do Momo e outras personalidades do carnaval e do samba assistiram à cerimônia de lavagem da pista com água de quartinha, uma infusão com ervas como a alfazema, para abrir os caminhos desse importante segmento da economia criativa, que ficou nove anos emudecido.

 

O titular da Secec discursou antes da tradicional entrega das chaves ao Momo e justificou o desfile fora do mês de fevereiro. “O samba está voltando. Não existe época para sonhar, nem época para que o sonho se realize. Está aqui o sonho sendo realizado”, disse Rodrigues. “O desafio é continuar [com o desfile] ano após ano. Ano que vem tem de ser ainda mais bonito”, apontou. As escolas de samba deixaram de desfilar em 2014. Para que pudessem ir para rua este ano, a Secec investiu R$ 7 milhões em recursos diretos, além de R$ 5 milhões em editais anteriores, como o que criou a Escola de Carnaval, a fim de capacitar o segmento a pensar sua arte e sua saúde financeira.

 

À frente da Escola de Carnaval, o carnavalesco Milton Cunha foi o mestre de cerimônias. Antes do início da solenidade, circulava agitado pela passarela, dando orientações sobre o roteiro da benção da passarela com muito axé e cumprimentando as pessoas com “meu amado”, uma espécie de bordão que desafiava a temperatura em declínio nesse época do ano, sob os holofotes da pista de 300 metros de comprimento, entre os eixos monumentais.

 

“Estou muito feliz. Foram nove anos de espera. Eu penso no soldador, no serralheiro, na bordadeira, nesses artistas populares que precisam ocupar esse território, vindos de todas as regiões administrativas”, exultava Cunha.

 

Sobre o desfile em junho, defendeu que “os blocos fiquem na data católica do Carnaval, em fevereiro, e que as escolas ocupem o calendário de fundação da capital, em abril”. Original do Pará, o carnavalesco tem dividido seu tempo entre Rio de Janeiro e Brasília e não hesita em afirmar que se sente “completamente brasiliense”.

 

A subsecretária de Difusão e Diversidade Cultural, Sol Montes, vestida em dourado e reverenciando a ancestralidade negra da maioria do povo brasileiro, emocionou-se ao pensar nas próprias origens, com antepassados escravizados: “só tenho a agradecer a essas pessoas, pois são muitos sonhos reunidos num só”, desabafou. “Quando eu pus o pé nessa avenida pela primeira vez, vi nos olhos de muita gente a dúvida ‘será que vai ter carnaval’? Hoje eu ouvi tanto ‘obrigado’ que valeu a minha vida”, acrescentou, emocionada.

 

O sambista Dilson Marimba foi homenageado e lhe coube o privilégio, junto com Rodrigues e Montes, de ser um dos primeiros a pisar no solo ritualístico da Passarela. Ialorixás dançaram e cantaram o ponto para Exu Onan, o orixá que abre os caminhos.

 

HISTÓRIA
Segundo a tradição, as escolas de samba nasceram dos terreiros de candomblé, crença trazida da África, e as divindades dessa fé comparecem e protegem suas filhas e filhos, quando convocadas pelo batuque dos atabaques, tal qual africanos escravizados fizeram em mais de 350 anos, o mais longo período da desumana prática entre os países do continente.

 

Assistindo à cerimônia com visíveis sinais de cansaço no rosto, o presidente da Escola de Samba Bola Preta, de Sobradinho, Francisco Paulo Ferreira, 62 anos, dizia-se dividido entre a alegria de ver o desfile voltar e a tristeza de saber que muita gente não tem o devido respeito a essa manifestação cultural. “Foi tudo meio atropelado. Mas te digo uma coisa: segunda-feira vamos começar a planejar o Carnaval de 2024”, afirmou.

 

Ferreira sonha alto. Pensa em sugerir desfile na capital com as escolas vencedoras dos principais carnavais pelo país. O sambista acredita que a grande tarefa desse segmento da economia criativa é buscar sustentabilidade, fugindo da sazonalidade impressa pelo calendário. Defende que o Carnaval saia da aba do estado e caminhe com as próprias pernas, convencendo empresários a investir no setor. “Desfile fora de época vai atrair muito turismo, e os empresários vão ganhar muito dinheiro”, acredita.

 

Houve também uma homenagem a Marcelo Sena – sambista do Distrito Federal que faleceu em janeiro, vítima de câncer – que empresta o nome à avenida do samba. Os desfiles acontecem hoje (23) e sábado (24), com a divulgação dos resultados e aclamação da grande campeã no domingo, 25.

 

Fotos: Caio Marins e Giselle Chassot

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
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