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15/12/20 às 20h07 - Atualizado em 15/12/20 às 20h14

Realizadoras e intelectuais do audiovisual debatem políticas públicas e gênero no FBCB

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Texto: Loane Bernardo / Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

15/12/2020

20:08:00

Como um centro de discussão democrático, o 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começou nesta terça-feira (15) tocando em temas urgentes para as políticas públicas de audiovisual. Com uma programação diversificada, o festival mais antigo do país reúne atividades que têm como objetivo discutir o momento do audiovisual brasileiro e prospectar os caminhos para o futuro.

 

Uma das primeiras atrações desta edição foi um debate sobre o protagonismo feminino no segmento cinematográfico. Por meio da plataforma Zoom, mulheres que fizeram o cinema acontecer em 2020, além de críticas e estudiosas do setor, evidenciaram seus trabalhos e debateram sobre as nuances dos desafios atuais.

 

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Mediado pela cineasta brasiliense Cibele Amaral, o encontro virtual trouxe o necessário debate sobre a igualdade de gênero no audiovisual, que vem cada vez mais se intensificando e ganhando destaque mundialmente. Diante de uma reflexão coletiva sobre os desafios e avanços no setor, mulheres do segmento cultural propuseram ações que podem aprimorar o cinema brasileiro, tanto por parte do Estado quanto da sociedade civil. A mesa de debate contou com a presença da cineasta e ativista Viviane Ferreira, a crítica e acadêmica Luiza Lusvarghi e as produtoras Letícia Godinho, Minom Pinho e Débora Ivanov.

 

 

Cibele Amaral recepcionou as colegas levantando temas que aqueceram o debate dentro da realidade de cada mulher brasileira que trabalha com a sétima arte, desde cotas em editais a diversidade e equidade. “Este momento proporciona a interação entre essas mulheres interessantes, mostrando seus projetos, expondo força e as reais demandas do audiovisual para elas”, ressaltou Cibele.

 

Abrindo a palavra, a produtora de cinema Débora Ivanov destacou a importância da diversidade para o cinema nacional. Fundadora do projeto “Mais Mulheres”, ela contou sobre as ações desenvolvidas para potencializar a voz feminina no Brasil. Para Inavov, a mulher se fortalece neste espectro a partir de dois eixos de atuação: informação e formação. “Temos que continuar ocupando o nosso espaço. Diversidade não é só justiça social, é também um bom negócio”, completou.

 

Militante do movimento negro, Viviane Ferreira ressaltou a importância do debate feminino em busca de parcerias em lutas cotidianas. Diretora, roteirista e fundadora da Odun Filmes, ela destaca a necessidade de impulsionar o debate e pensar na revolução das mulheres negras no audiovisual, com papeis de destaque. “Ainda mais diante da pandemia, tivemos a necessidade de nos olhar como seres coletivos, exercitando a nossa capacidade colaborativa em sociedade”, apontou.

 

Há 20 anos morando em Paris, Letícia Godinho fez um relato sobre suas oportunidades profissionais que a mantiveram conectada ao audiovisual. Ela apresentou seu trabalho no festival “Séries Manias”, um evento voltado só para séries audiovisuais. Godinho também aproveitou para falar de algumas websséries nas quais as mulheres ganharam destaque mundial. Ela assegurou que a luta pelo destaque feminino no cinema é mais visível e na Europa ainda precisa avançar. “Acho muito legal a força da mulher. Espero criar uma força internacional. Seria meu papel e minha pequena missão para com o cinema brasileiro.”

 

Uma das autoras do livro “Mulheres Atrás das Câmeras: As Cineastas Brasileiras de 1930 a 2018”, Luiza Lusvarghi falou sobre as pioneiras do cinema no Brasil e o momento em que elas começaram a ganhar espaço para não só produzir, mas também escrever e opinar sobre o cinema brasileiro. “Vamos conversar mais sobre o audiovisual feminino e ocupar cada vez mais espaços das críticas de cinema”, sugeriu.

 

A mesa foi finalizada com a apresentação de Minom Pinho, fundadora do “FIM – Festival Internacional de Mulheres no Cinema. Adepta ao Taoísmo, tradição filosófica e religiosa originária do Leste Asiático que enfatiza a vida em equilíbrio, ela ressaltou que não é só no cinema que há um desequilíbrio, mas em quase todas as outras profissões. Pioneira em festivais on-line envolvendo mulheres, ela contabilizou o sucesso e a pluralidade do festival. “Nossos filmes chegaram para 400 municípios e contou com a participação de 45% de mulheres negras”, arrematou.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

 

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br