Governo do Distrito Federal
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2/10/20 às 12h01 - Atualizado em 5/10/20 às 11h01

Reaberto, Museu Vivo da Memória Candanga se torna um belo e seguro passeio para apreciar a arte

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Texto: Loane Bernardo. Fotos: Marina Gadelha. Edição: Sérgio Maggio (Ascom Secec)

02/10/2020

12:01:01

 

Em movimento de reabertura responsável, o Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC) abre a exposição “Memórias”, coletiva de artistas que se inspiraram em suas lembranças afetivas. Em cartaz até 28 de novembro, a exposição reúne trabalhos de 15 criadores, totalizando 93 telas que retratam diferentes estilos e técnicas.

 

O equipamento cultural administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) reabre gradualmente dentro de um rígido processo de protocolo de segura e de higiene por conta da pandemia da Covid-19. Agora, são três salões abertos, todos com acesso restrito no limite de visitações, medição de temperatura, uso de álcool em gel e máscara.

 

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A Secretario de Cultura e Economia Criativa planejou a reabertura adaptada de acordo com o protocolo mundial, obedecendo às normas exigidas pelo Conselho Internacional de Museus. Assim, cada espaço reabre com regras exclusivas, levando em conta suas características para garantir a segurança da população.

 

“A retomada gradual dos espaços culturais do DF faz parte do conjunto coerente de decisões adotadas pelo Governo do Distrito Federal, garantindo para a população opções seguras de consumir cultura, algo tão vital para o ser humano”, conta Bartolomeu Rodrigues.

 

Acesse a Portaria 179 – Reabertura dos museus

 

A gerente Eliane Falcão apontou a exposição “Memórias” como uma alternativa de apreciação segura da arte para o público durante a pandemia. “Essa exposição veio para acender a esperança dos artistas e apreciadores de cultura. Em um momento tão atípico, estamos de portas abertas para manter viva a lembrança de quem sonhou com uma capital federal cheia de oportunidades”, apontou a gerente.

 

VISITANTES ENCANTADOS

Fotos: Marina Gadelha - SECEC/DF

Estudante Johnatan Bispo: projeto de final de curso

 

Desde a reabertura do MVMC, os visitantes se encantam com a história do complexo de casinhas coloridas que sediava um hospital improvisado, nos moldes mais charmosos da década de 1960. Durante o passeio, o público faz a visita obrigatória à exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, a “menina dos olhos” do museu.

 

O estudante de arquitetura Johnatan Bispo contou que a paixão pelo Museu Vivo vem de muito tempo, tanto que faz seu trabalho de conclusão de curso sobre as edificações antigas do espaço cultural.

 

Em sua primeira visita após a reabertura, ele revelou o sentimento de voltar a apreciar a arte de modo pleno. “Sempre que venho ao museu, penso que a verdadeira história de Brasília é contada aqui, onde encontramos memórias de um povo sonhador. “O Museu Vivo retrata o presente e o passado em um só lugar, com a mesma leveza”, enfatizou.

 

MÁSCARAS QUE SALVAM

foto: Marina Gadelha

Família visita Museu Vivo. Espaço de respiro e arte

 

Denise Catarina é costureira e nasceu no Núcleo Bandeirante. Encantada, confessou que nunca tinha ido ao Museu. Em sua primeira visita, no início de 2020, ela conta que realizou uma viagem ao tempo. Conta que teve orgulho de tudo que viu e vivenciou a construção do sonho candango. Voluntária no ateliê de costura, na atividade de confecção das máscaras de proteção contra a Covid-19, a costureira se sente de volta ao lar. “Aqui descobri minha essência e meu universo em um lugar de cores e afetos”.

 

LABIRINTO SENSÍVEL DE MEMÓRIAS

 

Com a curadoria de Marlus Padovan, a mostra “Memórias” marca a reabertura de mais um dos salões do Museu Vivo, este desativado há alguns anos. Além das cores vivas e misturadas entre pinturas e colagens, uma referência marcante dessa exposição é o amor por Brasília e por sua fauna e flora. Retratos de Juscelino Kubitscheck, pinturas de flores, o famoso Ipê Amarelo e os animais do cerrado são recriados por meio do olhar de artistas que vivem e amam o Distrito Federal.

 

Donizetti Garcia, um dos artistas da mostra, usou em suas cinco telas uma técnica de metal espelhado sobre madeira, distorcendo o que se observa na obra. Ele aponta que é possível fazer do metal uma obra leve com a qual o espectador pode interagir mirando sua própria imagem refletida. “Por essas telas, temos a possibilidade de representar costumes e vivências de uma cultura e também é possível moldá-las com formas intrigantes para brincar com o olhar. O trabalho com metal é um desafio”, completou.
Retratando o momento delicado da seca e das queimadas nas matas, Thea Sisson transmite, de forma lúdica, o grande incêndio que ocorreu na

 

Chapada dos Veadeiros em 2017. Suas telas também mostram animais se refugiando em casas e nas estradas, no sentido de alertar sobre a importância de preservar o meio ambiente. “Este tema é muito atual e o princípio da exposição pode ser usado como referência para todos os biomas”, declarou.

 

Mineiro de Coromandel, Daniel Resende, 55 anos, veio para Brasília em 1966, com um ano de idade. Com muita cor, detalhes minuciosos a maturidade de traços apurados, ele homenageia Juscelino Kubistchek e o clarinetista de sua cidade natal, Abel Ferreira. “Todas as imagens fazem parte do meu universo cultural, de minhas memórias”, destacou o artista plástico.

 

O fotógrafo e artista plástico Ronner Oliveira resgata a leveza das coisas, sempre com uma pitada de surrealismo misturada com hiper-realismo. A tela dele favorita da mostra traz um beija-flor, que, para ele, representa o ser, o distanciamento, a ausência e a fragilidade do indivíduo no universo. “Minha obra é sempre uma mistura da fotografia com pintura, e ambas se complementam e deixam em aberto para as múltiplas leituras do fruidor de arte”.

 

O trabalho de Souza, por sua vez, está relacionado às suas raízes, ao tempo e aos lugares onde viveu. Nele estão elementos próprios do Nordeste do Brasil, principalmente do seu interior, e que fazem parte da nossa matriz social. Todo esse universo do homem simples e de sua família enriquece os seus quadros, sobretudo, com cores quentes e intensas que permitem transmitir otimismo, apesar da dureza da vida das pessoas e das dificuldades do lugar. “Tenho focado minhas obras em figuras do sertão e o dia a dia simples das pessoas em geral”, enfatizou.

 

Museu Vivo da Memória Candanga

Via Epia Sul, lote D. Núcleo Bandeirante

Regras:

Visitação: sexta a domingo, das 10h às 16h, somente para três salões expositivos. O parque permanece fechado.

Lotação do salão: 10 pessoas por salão. Completada a capacidade, será formada fila de espera.

Observação: obrigatório o uso de máscara. Será feita medição de temperatura e disponibilizado álcool em gel.

Entrada franca

 

Exposições:

“Memórias”

Coletiva de 15 artistas do Distrito Federal.

“Poeira, Lona e Concreto”

Com acervo composto pelas edificações históricas, peças, objetos e fotos da época da construção de Brasília, a exposição permanente  narra a história da cidade, desde os projetos até a inauguração em 1960.

“O Cerrado de Pau de Pedro”

Esculturas de madeira que remetem ao olhar e ao amor pelo bioma cerrado visto pelo artista Seu Pedro. A mostra permanente homenageia o artista popular, Seu Pedro de Oliveira Barros, e reúne peças feitas com madeiras recolhidas no cerrado.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF

e-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br