Governo do Distrito Federal
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24/04/20 às 20h53 - Atualizado em 24/04/20 às 20h53

Pesquisa conta com apoio da comunidade para contar história do MAB

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Projeto pede à população ajuda para reconstituir a trajetória de um dos marcos de Brasília

 

Procuram-se mulheres de 70 anos que aos 15 foram apresentadas à ilustre sociedade brasiliense em bailes no Clube das Forças Armadas em 1966. O texto da campanha “Caça às debutantes” pode variar um pouco, mas é esse o objetivo da pesquisa sobre a história do Museu de Arte de Brasília (MAB) que vai ao ar nos próximos dias. O local colecionou diferentes utilizações antes de se tornar em 1985 espaço de exibição de artes plásticas e exposições, o que durou até 2008, quando foi fechado.

 

A iniciativa da arquiteta Maíra Oliveira Guimarães, doutoranda na linha de pesquisa em Patrimônio e Preservação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), é de reconstruir a trajetória de um dos primeiros patrimônios da nova capital, parte do anexo do Brasília Palace Hotel.

 

“Trata-se de uma obra de grande relevância e não reconhecida”, explica Maíra, que está na metade do doutorado e já vasculhou os arquivos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, do Arquivo Público do DF, do próprio MAB e do Museu Nacional da República.

 

Agora, ela quer a ajuda das pessoas que tenham registros iconográficos, como fotografias e flyers de exposições e demais eventos realizados no prédio. O público que quiser participar deve digitalizar esses documentos e enviar à pesquisadora pelas redes sociais ou por e-mail (veja no final).

 

Maíra, que tem mestrado na Itália na área de patrimônio, também já fez entrevistas com ex-administradores do MAB, como a gravurista Leda Watson e os artistas e curadores Bené Fonteles e Ralph Gehre. Ela publica até o final do ano um livro com achados parciais e espera relançar o material completo e atualizado em 2022, quando concluir o doutorado, cobrindo lacunas importantes na história do equipamento, um dos marcos da capital que completou 60 anos no último dia 21 de abril.

 

Graças a sua pesquisa, foi possível confirmar a autoria do projeto do edifício, a cargo do alagoano Abel Carnaúba Accioly, arquiteto da Novacap durante a construção de Brasília e assistente pessoal de Oscar Niemeyer nos anos 60. Ela viajou à Olinda para entrevistar Abel, hoje com 85 anos de idade.

 

Em 2017, a pesquisadora obteve financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para o projeto, cujo nome completo é “Antes arte do que tarde: o Museu de Arte de Brasília desde o Anexo do Brasília Palace Hotel”. A investigação contempla quatro eixos – patrimônio, território (as ocupações do espaço), instituições que o administraram e levantamento de acervo, com a listagem de todas as mostras individuais de artistas que expuseram no MAB.

 

O museu já foi muitas coisas – restaurante do Anexo do Brasília Palace Hotel (1960-1962), Clube das Forças Armadas (1966-1973), Casarão do Samba (1974-1980) e Museu de Arte de Brasília (a partir de 1985). A campanha para recuperar registros do prédio contemplará cada uma dessas etapas.

 

Como restaurante, bar e boate do Anexo do Brasília Palace Hotel, o local rapidamente se transformou numa das áreas mais vivas e ocupadas de Brasília, gerando o surgimento de estabelecimentos comerciais, como a Churrascaria do Lago.

 

O Clube das Forças Armadas organizava sessões semanais de cinema gratuito e bailes de jovens debutantes. O Casarão do Samba chegou a ser comandado Pernambuco do Pandeiro, um dos fundadores do Clube do Choro.

 

Em março de 1985 o MAB foi inaugurado com exposição de cerca de 200 obras de artistas como Tomie Ohtake, Arcangelo Ianelli, Rubem Valentim e Glênio Bianchetti. Nos anos 2000, vários projetos foram realizados propondo reformas no local, e o MAB recebeu nesse período mostras importantes, como as individuais de Escher, Beuys, Le Corbusier e Volpi.

 

(Foto da fachada de Marcel Gautherot, 1961)

 

Serviço
Projeto Antes Arte do que tarde
Abril a 29 de maio de 2020
Campanha: através do instagram (@mab.antesartedoquetarde) e na fanpage do projeto no facebook: “MAB / antes arte do que tarde”
Envio de material e contato: mab.antesartedoquetarde@gmail.com