Governo do Distrito Federal
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21/05/18 às 17h13 - Atualizado em 13/11/18 às 15h07

Orquestra Sinfônica segue homenagens a Tchaikovsky

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A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro apresenta, nesta terça-feira (22/5), às 20h, no Cine Brasília, o quarto concerto da série que lembra os 125 anos de morte do compositor russo Pyotr Ilitch Tchaikovsky, falecido em 6 de novembro de 1893.

 

Sob regência do maestro titular Claudio Cohen, os músicos da Orquestra do Teatro Nacional vão executar as peças Capricho Italiano e Sinfonia nº. 3 Op. 29 “Polonesa”.

 

Sobre o compositor Tchaikovsky

Pyotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) nasceu em Votkinsk, na Rússia, no dia 7 de maio de 1840. Filho de Ilia Petrovitch, engenheiro, e da francesa Alexandra d’Assier. Com cinco anos já dedilhava o piano e aos sete já compunha. Em 1850, a família se mudou para São Petersburgo onde o jovem se encantou com o teatro e os concertos. Nesse mesmo ano, ingressou no curso de Direito. Em 1854, perdeu sua mãe, contaminada pela cólera.

Em 1859 ingressou no Ministério da Justiça, como escriturário, mas o trabalho o deixava irritado. Pouco tempo mais tarde pediu demissão e ingressou no Conservatório de São Petersburgo. Com o sonho de ser compositor, fez contato com escolas musicais de Berlim e Viena.

Compôs a sinfonia “Sonho de Inverno”, a abertura sinfônica “A Tempestade” e danças para a ópera “Voievoda”. Concluiu seus estudos no conservatório, com a cantata para solo, coro e orquestra “Ode ao Júbilo”. Em 1866, foi nomeado professor de Composição no Conservatório de Moscou e, em 1869, iniciou a composição de “Romeu e Julieta”.

Conquistou o público, em 1871, com a composição “Quarteto em Ré Maior” e passou a se dedicar ao trabalho de criação. Em 1873, escreveu a música de cena para a peça Strovsky e sua terceira ópera, “Oprischnik”. O êxito dessa obra vem junto com o sucesso da “Segunda Sinfonia”. Em 1874 executou o “Concerto nº 1”, que o popularizou definitivamente.
Tchaikovsky apresentou, em 1875, sua “Terceira Sinfonia” – a “Polonesca” – e a pedido do Teatro de Moscou compôs “O Lago dos Cisnes”. Em 1877, casou-se com Antonina Milyukova, mas a união só durou 15 dias. Entre 1877 e 1879, criou “A Quarta Sinfonia”, as óperas “Eugene Onegin” e “Joana D’Arc” também chamada “Donzela D’Orléans”.

Em 1890, compôs a “Dama de Espada” e, em 1891, sua última ópera “A Filha do Rei René”, o balé “A Bela Adormecida” e “Quebra-nozes” e a “Quinta Sinfonia”. Em 1893, a Academia Musical de Paris lhe entregou o diploma de membro correspondente e a Universidade de Cambridge, o título de doutor honoris causa. Nesse mesmo ano, já começou a dar sinais de extremo cansaço e, instalado na casa de campo em Klin, compôs sua última sinfonia “Patética”.

Pyotr Ilitch Tchaikovsky morreu no dia 6 de novembro de 1893, de cólera, em São Petersburgo.

 

 

Sobra as Obras

Capricho Italiano
Em viagem pela Europa, Tchaikovsky chegou a Roma no dia 20 de dezembro de 1879, para visitar seu irmão Modest, que morava na capital italiana havia alguns meses. Embora fosse dezembro, o clima estava excelente e os irmãos aproveitaram para fazer inúmeros e entusiasmados passeios turísticos. Tchaikovsky, estranhamente, não sentia vontade de trabalhar.

 

Em suas cartas a Nadezhda von Meck, sua mecenas e confidente, ele admite que, sem inspiração para compor, preferia desfrutar seu tempo passeando e visitando os museus da cidade. Encantado com Roma, Tchaikovsky pouco a pouco concebeu a ideia de compor uma obra sobre temas italianos. Em 16 de janeiro de 1880, escreveu ao amigo Sergei Taneyev: “Quero escrever uma suíte italiana sobre temas folclóricos”. Em menos de um mês, a fantasia italiana, como ele agora a chamava, estava totalmente esboçada: “Minha fantasia italiana sobre temas folclóricos terá um futuro promissor… graças às melodias encantadoras que encontrei em coleções ou que escutei nas ruas” (trecho de Carta a Mme. von Meck de 5 de fevereiro de 1880).

Ele tinha razão. Sua fantasia italiana, terminada em 24 de maio e renomeada como Capriccio italiano pelo próprio compositor, tornou-se uma de suas obras mais conhecidas. A estreia triunfal, em Moscou, ocorreu em 18 de dezembro de 1880, pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein.

Composto de um único movimento, o Capricho italiano é uma coleção rapsódica de temas folclóricos enriquecidos por uma orquestração exuberante. Inicia-se com um tema solene nos trompetes (Andante un poco rubato) que, de acordo com seu irmão Modest, era o toque militar que Tchaikovsky ouvia de sua janela todos os dias, vindo das barracas da cavalaria acampada a poucos metros do hotel. Os metais completam o tema dos trompetes e, ao final, iniciam o acompanhamento do segundo tema, uma melodia triste, executada pelas cordas no registro grave. As madeiras desenvolvem trechos desse tema para, logo em seguida, ouvirmos novamente o primeiro, nos trompetes.

O segundo tema é também reapresentado, desta vez com acompanhamento nas cordas e melodia no corne inglês e no primeiro fagote. Surge delicadamente o terceiro tema (Pochissimo più mosso), doce cantilena executada pelos oboés e ecoada pelas flautas. Aos poucos, esse tema contaminará toda a orquestra: primeiramente apresentado pelos trompetes, em seguida pelos violinos para, finalmente, ser executado por um tutti orquestral de rara beleza. Flautas e primeiros violinos, em contraponto com a primeira trompa, preparam o aparecimento do quarto tema (Allegro moderato), que surgirá apenas alguns compassos à frente, nas cordas.

 

Trompetes e madeiras reapresentarão o quarto tema, e as trompas se encarregarão de fechar essa seção. Eis que ouvimos o melancólico segundo tema (Andante), executado nas cordas, com acompanhamento dos metais e madeiras. Um quinto tema (Presto) surge, alegre, nas madeiras, tornando-se cada vez mais enérgico, à medida que contamina toda a orquestra. O terceiro é reapresentado (Allegro moderato), em caráter vigoroso. Em seguida, pequenos trechos dos temas anteriores (Presto), fragmentados por toda a orquestra, nos conduzem a uma coda brilhante (Più presto – Prestissimo).

Sinfonia no. 3 Op. 29 “Polonesa”

 

O ano de 1875 havia começado mal para Tchaikovsky. Ele mostrara seu recém-composto Concerto para piano no. 1 a Nikolai Rubinstein, que o classificou como “vulgar”, “imprestável” e “impossível de tocar”. Tchaikovsky caiu em profunda depressão e pensou em suicidar-se. A falta de amigos próximos e a monótona rotina de professor do Conservatório tornavam a sua vida em Moscou insuportável. O ano apenas começara e ele ainda teria de aguentar até as férias para poder sair da cidade.

Então chegou o verão, e Tchaikovsky pôde fugir para o campo. E aquelas férias, curiosamente, foram as mais tranquilas de sua vida. Nada de depressão ou sonhos de morte. Nada daquele estado depressivo de que ele tanto reclamava no início do ano.

“Eu estou em Usovo há mais de três semanas e passo o tempo calma e agradavelmente. O Príncipe Vasily Galitzine está aqui também, e não estamos entediados. Construíram uma esplêndida casa de banhos ao lado dos estábulos e ontem nós cozinhamos dentro dela. (…) Eu estou agora com uma nova sinfonia, e a componho um pouco de cada vez. Não me debruço sobre ela por horas e horas. Estou fazendo mais caminhadas. Até os cães são os mesmos, sempre me perseguem para que eu os leve para passear.”

A nova sinfonia seria a Terceira, uma de suas obras mais felizes. Tchaikovsky a compôs entre os meses de junho e agosto, e a estreia se deu em 19 de novembro, na Sociedade de Música Russa, em Moscou, sob a regência de Nikolai Rubinstein. Ao final, o ano de 1875 provou ter sido um bom ano. Ele compôs não apenas o célebre Concerto para piano no. 1 e a Sinfonia no. 3, como também iniciou a composição do que viria a ser o seu primeiro balé de sucesso, O lago dos cisnes.
A Sinfonia no. 3 representa uma transição entre as composições de juventude do compositor e suas grandes obras-primas de maturidade: os balés O lago dos cisnes (1875/1876), A bela adormecida (1889) e O quebra-nozes (1892); as óperas Eugene Oneguin(1877/1878), A Rainha de Espadas (1890) e Iolanta (1891); o poema sinfônico Francesca da Rimini (1876); e as sinfonias números 4(1877/1878), 5 (1888) e 6 (1893).

Escrita em cinco movimentos, a Sinfonia no 3 possui um fino equilíbrio: um Andante no centro (terceiro movimento), ladeado por dois scherzi (segundo e quarto movimentos), emoldurados, por sua vez, por dois movimentos de rara vivacidade (primeiro e quinto). Atravessando essa estrutura do início ao fim, um incrível acúmulo de energia se inicia nos primeiros acordes da música e atinge seu ápice nos últimos compassos da obra. O primeiro movimento (Moderato assai, Tempo di marcia funebre), assim como o último (Allegro con fuoco, Tempo di polacca), são extremamente vigorosos, plenos de vitalidade e alegria. No segundo (Allegro moderato e semplice, alla tedesca) e no quarto (Allegro vivo) movimentos, Tchaikovsky equilibra a leveza dos temas com um trabalho refinado de alternância entre as cordas e as madeiras. O terceiro movimento (Andante elegiaco), central, com suas belas melodias tão típicas de Tchaikovsky, é o mais intenso e profundo dos cinco.

 

 

 

SERVIÇO:

Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro

Temporada 2018

Quarto Concerto Tchaikovsky
22 de maio, terça-feira, 20h

Cine Brasília (106/107 sul)

Entrada gratuita por ordem de chegada