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Maria da Penha ONLINE Governo do Distrito Federal
31/08/23 às 9h57 - Atualizado em 1/09/23 às 8h31

Orquestra apresenta três concertos internacionais e Beethoven

Texto e edição: Alexandre Freire. Foto do carrossel: Svetlana Pavlova.

 

Três concertos internacionais, três maestros convidados, três solos de piano, um de violino e mais uma edição do ciclo dedicado ao repertório de Beethoven marcam a programação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) em setembro. “Começamos pelo francês, com obras de Maurice Ravel, Gabriel Fauré e da compositora Lili Boulanger, em seguida teremos o concerto espanhol, destacando Manuel de Falla e Joaquim Turina. Na sequência será a vez do repertório clássico chinês, no qual apresentaremos ao grande público composições daquele país”, explica o regente da OSTNCS, Cláudio Cohen, que reassumirá a batuta no final do mês, no concerto dedicado ao mestre alemão da transição do classicismo para o período romântico.

 

A maestra francesa Nathalie Marin apresenta Gabriel Fauré (1845-1924) e Maurice Ravel (1875-1937) como compositores “muito emblemáticos” do século 20. “É preciso saber que Ravel foi aluno de Fauré. ‘Masques et Bergamasques’ [de Fauré] é uma comédia musical, inspirada pela ‘commedia dell’arte’ [forma de teatro italiano com tipos mascarados, pantomima e estereótipos populares], muito fresca, poética e animada. Ravel, por sua vez, é o mestre da orquestração. ‘Concerto para Piano’ é uma peça de grande colorido, cheia de detalhes e finesse”, descreve ela. “E teremos a presença de Fábio Martino, esse grande pianista brasileiro, que vai nos dar sua interpretação dos diálogos e contrapontos entre piano e orquestra”.

 

O público da OSTNCS terá também, nesse dia, a oportunidade de conhecer mais sobre Lili Boulanger (1893-1918), musicista prodigiosa no piano, violino, violoncelo e harpa. Ela foi a primeira mulher a vencer o prestigioso Prix de Rome, o prêmio de composição mais importante do mundo. Uma curiosidade é que Lili teve como tutor Gabriel Fauré, que era amigo de sua família, toda ela de músicos, e descobriu que a menina tinha ouvido absoluto. “É uma das poucas compositoras francesas muito interpretadas, com sucesso internacional e que infelizmente morreu aos 24 anos. ‘D’un matin de printemps’ é uma obra suave, primaveril, vívida e brilhante”, descreve a regente, frequentemente convidada pelas maiores orquestras na América Latina, Europa e Ásia e cuja carreira se divide entre os repertórios sinfônico e lírico.

 

Elogiado por Marin, o pianista Martino fala sobre a composição de Ravel: “esse concerto é muito especial. Eu já tive a oportunidade de tocá-lo algumas vezes, tanto na Europa quanto aqui. Eu gosto muito dessa obra, sempre gostei dela e cada vez que a executo eu sempre encontro algo de novo nela. O segundo movimento desse concerto é um dos mais bonitos que já foram escritos na história da música. É muito especial o diálogo que o piano faz com o resto da orquestra”.

 

Ele destaca um ponto de interesse especial para o público: “é interessante que o piano toca da primeira à ultima nota nesse movimento, sem nenhuma pausa. Toda vez que eu apresento esse movimento, vem primeiro uma sensação de liberdade e de descobrimento do infinito. Para mim esse movimento representa isso, o infinito, algo que a gente não consegue alcançar. É difícil transformar em palavras o sentimento que esse movimento provoca, mas acredito que os ouvintes vão entender. É uma delícia tocar esse concerto”.

 

O pianista iniciou seus estudos aos cinco anos de idade no piano que pertenceu a avó, professora de música. Após anos de formação no Brasil e na Alemanha, recebeu, aos 22, o primeiro lugar em concurso patrocinado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, desde então, vem acumulando outras premiações internacionais. Ele possui também uma extensa discografia, que inclui a gravação, em 2019, do ‘Concerto para Piano nº 1’ de Sergei Rachmaninov, com a Filarmônica de Stuttgart. Outro destaque na carreira de Martino é o álbum “Latin Soul”, que reúne compositores da América Latina.

 

 

 

Espanha e China

A apresentação dedicada ao repertório espanhol ficará a cargo do maestro Marc Moncusi. “Nesse concerto, poderemos desfrutar de duas das melhores obras da literatura musical espanhola de todos os tempos”, refere-se ele à ‘Sinfonia Sevillana’ de Joaquín Turina e à ‘Suíte nº 2 de El Sombrero de Três Picos’, de Manuel de Falla. “Também interpretaremos o conhecidíssimo ‘Concerto para Piano e Orquestra nº 2’ de Rachmaninov, sem dúvida um dos melhores e mais conhecidos do repertório universal de todos os tempos”.

 

Para este concerto, Moncusi contará com a presença do jovem pianista espanhol Martín García, ganhador do Concurso Internacional de Piano de Cleveland em 2021 e do prêmio do Concurso Chopin de Varsóvia no mesmo ano. O currículo do maestro revela uma carreira musical ampla e variada, sentindo-se à vontade tanto no campo sinfônico e operístico como no balé, além de transitar pela música contemporânea.

 

Caberá ao diretor artístico e maestro da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, Evandro Matté, conduzir a OSTNCS na apresentação do Concerto Chinês. Antes de embarcar no México, onde fez concerto no fim de semana passado, para o Brasil, ele explicou que ainda está se familiarizando com as peças do repertório asiático, que nunca tocou. Ele propôs incorporar ao programa uma peça de Villa-Lobos (1887-1959), o “Choro nº 6”, que terá o solista chinês Xuan Du no violino.

 

“Gosto muito de um texto de Villa-Lobos sobre os choros representarem uma nova forma de composição musical, na qual são sintetizadas as diferentes modalidades da música brasileira indígena e popular, tendo por elementos principais o ritmo e melodias típicas”, comenta Matté. Essa característica deve dialogar com o caráter folclórico do repertório chinês. “Em texto posterior, Villa-Lobos acrescenta que os choros são construídos com base nas manifestações sonoras dos hábitos e dos costumes dos nativos brasileiros, assim como nas impressões psicológicas que trazem certos tipos populares, extremamente marcantes e originais”, reforça Matté.

 

Iniciando-se no trompete aos sete anos de idade, aos 15 Matté já integrava a Orquestra Sinfônica de Caxias do Sul, sua cidade natal. Ele estudou no conservatório ligado à Sinfônica de Porto Alegre e, aos 19 anos, assumiu a cadeira de trompetista da orquestra, posição que ocupou por 25 anos. Ele deixa clara a admiração por Villa-Lobos: “ele utiliza elementos da natureza, como cor, temperatura, luz, canto dos pássaros… Mesmo ele utilizando a escrita tradicional da música de concerto, Villa-Lobos lança mão de elementos de percussão que refletem a música brasileira e consegue ser totalmente original.”

 

Imperador

O último concerto do mês, dedicado a Ludwig van Beethoven (1770-1827), dentro do ciclo do compositor germânico, terá como solista no majestoso “Concerto para Piano e Orquestra nº 5 em Mi Bemol Maior Op. 73, Imperador” a pianista russa radicada em Brasília Anastasiya Evsina. Ela traz uma nota histórica para o músico que revolucionou sua arte: “em 1809, quando Beethoven compunha esse concerto, a Áustria era bombardeada pelas tropas de Napoleão. Apesar de Beethoven inicialmente admirar Napoleão por seus ideais revolucionários, sentiu-se traído por suas ambições imperialistas, chegando a retirar a dedicatória ao francês na ‘Sinfonia nº 3, Eroica”. Evsina destaca na composição “o estilo típico de Beethoven, representando a luta heróica do ser humano perante adversidades”. Evsina explica que “o ‘Imperador’ é notavelmente mais pessoal que outras composições clássicas da época, antecipando o surgimento do romantismo”.

 

A pianista, cuja paixão pelo instrumento se manifestou aos quatro anos, coleciona performances aclamadas em palcos como o Tokyo Opera City Recital Hall, o Palácio Nacional da Cultura, em Sofia (Bulgária) e o Rachmaninov Hall, em Moscou. Ela aponta para o público que, “diferentemente dos concertos de Haydn e Mozart, onde solista e orquestra colaboraram, em Beethoven, o solista destaca-se. Seu virtuosismo elevou-se a novos patamares. O 5º concerto foi considerado por contemporâneos um dos mais desafiadores”, complementa.

 

Quem estiver no Teatro Plínio Marcos no concerto do final de setembro vai assistir à entrega da pianista, cujas palavras traduzem sua ligação com Beethoven: “para mim, o ‘Concerto para Piano nº 5’ mescla poder majestoso e sensibilidade. No segundo movimento, enxergo a fortaleza do herói e sua ternura. A técnica e o ritmo exigidos são intensos, particularmente no vibrante terceiro movimento. Mesmo diante de adversidades, como sua surdez, Beethoven brindou-nos com esta obra de profunda alegria”.

 

Programação

5/9

Concerto Francês

Lili Boulanger – “D’un matin de printemps”

Maurice Ravel – “Concerto para Piano”

Solista – Fábio Martino (Piano)

Gabriel Faure – “Masques et Bergamasques”

Maurice Ravel – “Le Tombeau du Couperin”

Maestra Nathalie Marin (França)

Teatro Plinio Marcos (Eixo Cultural Ibero-Americano)

20 hs

 

12/9

Concerto Espanhol

Manuel de Falla – “El Sombrero de três Picos”, suite nº 2

Joaquin Turina – “Sinfonia Sevillana”

Sergei Rachmaninov- Concerto para piano no.2

Solista – Martin Garcia (piano)

Maestro Marc Moncusi

Teatro Plinio Marcos

20 hs

 

19/9

Concerto Chinês

Autor desconhecido – Jiangsu Ballad/Jasmine Flowers

Chen Gang e He Zhanghao – Butterfly Lovers concerto para violino e orquestra.

Villa-Lobos Choros nº 6

Solista Xuan Du (violino)

Maestro Evandro Matte

Teatro Plinio Marcos

20 hs

 

26/9

Ciclo Beethoven 2023

Abertura “As Ruínas de Atenas Op. 113”

“Sinfonia nº 8 em fá maior Op.93”

“Concerto para Piano e Orquestra nº 5 em Mi Bemol Maior Op. 73, Imperador”

Solista – Anastasiya Evsina (piano)

Maestro Claudio Cohen

Teatro Plinio Marcos

20 hs