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19/05/23 às 16h36 - Atualizado em 19/05/23 às 16h54

Obra de arte viva defende a natureza

Texto: Alexandre Freire/ Edição: Lúcio Flávio (Ascom Secec)

 

Os três espelhos d’água do Conjunto Cultural da República, nome do espaço de 91 mil metros quadrados de concreto criado por Oscar Niemeyer, onde o arquiteto de Brasília espetou o paralelepípedo da Biblioteca Nacional e a calota esférica do Museu Nacional da República (MuN), estão recebendo visitantes especiais até meados de julho. Trata-se da vegetação aquática que compõe, como obra de arte viva, a exposição “Intervenção: Aguapé”, ocupando os três volumes de 400 mil litros de água, cada um, num manifesto poético-ecológico que faz parte da 21ª Semana Nacional dos Museus (15 a 21 de maio), parte de eventos que comemoram no mundo todo a importância desses equipamentos.

 

O aguapé, também conhecido como “jacinto de água” (Eichhornia crassipese), é uma linda espécie de planta comum em lagos e rios. Esconde sob a aparência delicada de sua flor roxa e folhas muito verdes a fúria de uma forma de vida cujo crescimento exponencial pode pôr em risco outras espécies, matar peixes e entupir rios. Se controlada, tem efeitos benéficos, como remover poluentes e toxinas pesadas das águas que habitam. De um lado, uma espécie cuja beleza no paisagismo é usada para produzir jardins flutantes, de outro uma das espécies exóticas invasoras mais perigosas na natureza.

 

Sobre essa aparente contradição se equilibra a proposta das artistas Gisel Carriconde Azevedo e Isabela Couto, idealizadoras da intervenção, que tem curadoria de Sissa Aneleh Batista de Assis, diretora do Museu das Mulheres em Brasília. A exposição, que acontece ao ar livre, do lado de fora do MuN, será aberta formalmente neste domingo (21) às 16h.

 

Isabela Couto, bacharela em Arte pela Universidade de Brasília (UnB) e mestranda na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, com atuação nas mídias da aquarela, instalação e videoarte, afirma que a obra conjunta tem função didática: “queremos chamar a atenção para o descuido com a água e também ajudar o público a conhecer Brasília, pois muita gente não conhece o lago”. Desde a reclusão da pandemia, a artista recolhe informações sobre os aguapés e planeja o evento.

 

Fotografia: Caio Marins

Isabela e Gisel refletidas pelo espelho d’água; foto de Caio Marins

Gisel Carriconde Azevedo, artista visual graduada pela UnB, com mestrado e doutorado em artes na Inglaterra, com atuação em design de exposição e nas relações entre espaço, objeto e público, endossa a preocupação poético-ambientalista da amiga, com quem trabalha há anos na produção de aquarelas. “Vamos ficar por aqui durantes esses dois meses, conversando, pintando e acompanhando essa obra viva. Tenho impressão de que esses aguapés não vão sair mais daqui”, provoca ela.

 

Os universitários do Instituto Federal de Brasília (IFB), na ponta norte da L2, Thiago Araújo e Maria Fernanda, ambos 19, percorrem todos os dias o trajeto entre a faculdade e a Rodoviária do Plano, fazendo conexão com Águas Lindas de Goiás, onde moram. Ambos observavam interessados o flutuar das plantas aquáticas, empurradas pela aragem que visita a Esplanada no final da tarde.

 

“Agora temos um verde no meio desse cinza todo”, observou a estudante de Gestão Pública na quinta-feira (18), enquanto as artistas amarravam os aguapés com fios invisíveis de nylon para que não ficassem amontoados de um lado só dos espelhos d’água. “Ficamos curiosos, não sabemos o que é”, emendou o colega, que estuda Informática.

 

“A ideia desta intervenção conceitual surgiu da urgência do debate ecológico e do papel da arte em tempos de discussão mundial sobre sustentabilidade, justiça climática e permanência da vida no planeta”, sentenciou Sissa Aneleh. “O aguapé, planta aquática brilhantemente selecionada para este projeto pelas artistas, é mensageira da qualidade do ambiente na região em que se hospeda, como vigilante que nos ensina sobre os limites da ação humana”, rematou a curadora, que possui licenciaturas em História e Pedagogia, com pesquisa em história da arte, mulheres artistas, arte brasileira e decolonial, cinema e poéticas curatoriais.

 

Além do apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), que faz a gestão do MuN e da BnB, o projeto conta com suporte da Caesb, que usou 14 caminhões para levar os aguapés do Lago Paranoá para a praça, do Departamentos de Ecologia e do Laboratório de Limnologia (estudo de águas doces) da UnB.

 

 

Serviço

“Intervenção: Aguapé”
Autoras: Gisel Carriconde Azevedo e Isabela Couto
Curadoria: Sissa Aneleh
Período de visitação: 21/05 a 16/07/2023
Realização: Museu das Mulheres (DAS) e Museu Nacional da República (MuN)
Local: Museu Nacional da República, Setor Cultural Sul, lote 2, próximo à rodoviária do Plano Piloto, área externa. Brasília, Distrito Federal.
Apoio: Secretaria de Cultura do Distrito Federal, Caesb, Multcor, Departamento de Ecologia da UnB, Laboratório de Limnologia da UnB, e Mimo Bar.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)