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24/02/22 às 14h30 - Atualizado em 24/02/22 às 15h54

Museu Nacional abre programação de 2022

Texto: Alexandre Freire /Edição: Sérgio Maggio (Ascom Secec)

25/2/2022

15:05:34

 

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Os trabalhos do armênio Tsolak Topchyan e da paulistana Luiza Gottschalk, dois artistas que têm, nas montanhas, referências importantes e usam as cores para promover o transporte dos sentidos e a exploração de suas relações sinestésicas, estarão em exibição no Museu Nacional da República (MUN), a partir desta sexta-feira (25.2), com visitação até 10 de abril.

 

“As exposições na parte térrea do Museu inauguram a programação de 2022. São dois artistas que expõem pela primeira vez seus trabalhos em Brasília, de trajetórias recentes e produção ligadas a questões atuais. Meio ambiente, natureza, viagem e territorialidade são abordados em múltiplas técnicas: instalação, colagem, desenho e pintura, cada um à sua maneira de forma especial”, apresenta a diretora do MUN, Sara Seilert.

 

“ENTRE CÉUS”

 

Arquivo Pessoal

“Terra 6”

“No entre céus”, exposição individual montada na Sala 2 do MUN, com 27 telas, o curador Carlos Silva classifica o conjunto da obra de Tsolak Topchyan como “complexo”. Refere-se ao fato de a pesquisa do artista reunir técnicas variadas: “desenho e pintura se mesclam com outras linguagens, como papel colado, bricolagem e instalação”.

 

Sobre a temática, Carlos Silva – artista visual, poeta, historiador da arte, mestre e especialista em educação e psicologia – destaca que “ora suas obras apresentam o mundo num recorte figurativo de uma cidade; ora colocam uma questão sobre o aspecto visual da arte contemporânea, na qual a cor se compromete com o espaço e com o tempo da vivência humana”.

 

Arquivo Pessoal

Tsolak Topchyan

O curador explica que esse artista itinerante “viaja pelo mundo e constrói sua obra de lugar em lugar”. Tsolak, que mora há quase quatro anos no Brasil, nasceu em 1981 na Armênia, república localizada ao sul do Cáucaso, cadeia de montanhas que divide Europa e Ásia. A partir dos anos 2000, ele deu início a suas viagens. “Tudo indica que sua obra se desdobra de algum modo diferente em cada local. A viagem se transforma num modo de vida, de construção de conhecimento e arte”, teoriza Silva.

 

“É sempre desafiador, muito interessante e emocionante fazer novas descobertas em países e cidades ainda desconhecidos. Às vezes, eu me adapto rapidamente, às vezes, leva um pouco mais de tempo, mas sempre é uma experiência enriquecedora”, revela Tsolak.

 

Instigado a comparar a terra natal com o Brasil, Tsolak – que já morou e fez residências artísticas na Áustria, França, Coreia do Sul e Bielorrússia – diz que o Brasil é muito maior que a Armênia e, por isso, tem qualidades de cores e luzes diferentes. “Mas em relação a Brasília, posso dizer que as cores são mais fortes e brilhantes, o sol, o céu, a grama, o solo. O solo da Armênia, por exemplo, é mais marrom e até preto, o de Brasília é de um vermelho fantástico”.

 

O artista trabalha com as técnicas do pontilhismo e do engana olho (“trompe-l’oeil”). “O espaço ao redor é importante. O fragmento do lugar determina um retrato do mundo, como num campo avermelhado de onde brotam pequenos traços verdes de uma possível grama, prometendo o fim da seca em Brasília”, poetiza Silva.

 

“CLAREIRA

 

Arquivo Pessoal

“Mata das Bromélias”

A exposição “Clareira”, de Luiza Gottschalk, promete imergir o visitante numa das florestas que ela carrega dentro de si das lembranças da infância. Ela morou até os nove anos na Serra da Mantiqueira, uma cadeia montanhosa coberta por Mata Atlântica e de Araucárias que se estende por São Paulo, Minas e Rio.

 

As cores e a força da natureza são marcas registradas nas pinturas de Luiza Gottschalk. A exposição foi elaborada especialmente para o MUN, reunindo 22 pinturas em telas de grandes dimensões feitas entre 2019 a 2022 com uma técnica que mistura tecidos, água, pigmentos e tinta óleo.

 

Luiza também apresenta uma instalação que convida os visitantes a experimentarem a sensação de entrar numa clareira em meio à mata. A artista coletou 20 sacos de folhas na Serra da Mantiqueira. Elas cobrirão o chão em um espaço de 50 metros quadrados.

 

Arquivo Pessoal

Luiza Gottschalk

“Quero que o público sinta a floresta através das pinturas com suas cores, matizes e texturas, além do aroma que exala das folhas e deixar no ar a pergunta: você está olhando a floresta ou é ela que te olha?”, explica a artista, graduada em artes cênicas, plásticas e pós-graduada em artes visuais.

 

Para Denise Mattar, curadora da exposição – posição que já ocupou nos prestigiosos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio, responsável por exposições de Di Cavalcanti, Malfatti, Portinari, Volpi, Guignard e Iberê Camargo, “o trabalho de Luiza surge do encontro de diferentes linguagens artísticas, que fizeram, e ainda fazem parte da sua formação, como pintura, teatro e dança”.

 

Ela acredita que “em culturas que não abandonaram o lastro com a natureza, arte e vida não são separadas e integram saberes, simbologias e metáforas inerentes às cores, sons, sabores, texturas e odores que a terra nos oferece”.

 

Museu Nacional da República

De 25 de fevereiro a 10 de abril.

De terça a domingo, Das 9h às 17h.

Telefone para dúvidas: 3325-5220.

Entrada franca, obrigatório uso de máscara.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br