Governo do Distrito Federal
16/12/21 às 10h03 - Atualizado em 27/12/21 às 10h42

Mostras marcam 15 anos do Museu Nacional

Texto: Alexandre Freire / Edição: Sérgio Maggio (Ascom Secec)

16/12/2021                                             

10:15:22

 

Ouça o resumo da notícia

 

Na semana em que comemora 15 anos, o Museu Nacional da República (MuN), equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), recebe três exposições que dialogam com presente, passado e futuro, num exercício político-ético-estético que parece destinado a intrigar o espectador.

 

As exposições de Rodrigo Sassi, “Fora dos Planos”, no espaço expositivo principal; e de Marcelo Brodsky, “Eterna Diáspora”, no mezanino, serão abertas nesta sexta (17.12) e vão até 6 de março de 2022. A mostra digital “Segue em Anexo”, fruto do projeto Artemídiamuseu, da Academia de Curadoria, ligada à Universidade de Brasília (UnB), começou no dia do aniversário do MUN (15.12) e se estende até 15 de junho.

 

ARTE DIGITAL

 

Referindo-se à primeira exposição “Segue em Anexo”, a diretora do museu, Sara Seilert, diz que o espaço busca “abrigar manifestações culturais que contribuam para a pesquisa e a experimentação das diversas linguagens artísticas e culturais”. A isso se soma o que prevê a missão desse projeto museal desenhado por Oscar Niemeyer: levar ao público a cultura visual contemporânea num espaço democratizado e pautado pela liberdade de expressão.

 

Acesse à mostra “Segue em Anexo”

http://museu.cultura.df.gov.br/

 

Para Ana Avelar, coordenadora-geral da Academia de Curadoria, “a coleção de arte digital viva é um reforço histórico, com alto teor acadêmico, no sistema da arte, num momento em que as artes digitais ocupam um espaço central no meio, acelerado pela pandemia”.

 

Três artistas digitais, Giselle Beiguelman, Vitória Cribb e Bruno Kowalski terão obras expostas que depois, uma de cada autor, serão doadas ao acervo permanente do MuN, instituição cuja construção começou em 1999 e já é referência em arte contemporânea no Brasil. Seilert afirma que “os museus estão se dando conta de que há todo um novo espaço virtual a ser ocupado”.

 

 

 

A Academia de Curadoria propõe, para o MuN, uma coleção de arte digital viva, ampliada anualmente com novas aquisições, a partir de mostras anuais, sendo esta a primeira. O Museu Nacional da República tem em seu acervo 1.400 obras de arte modernistas e de transição para a arte contemporânea e atual.

 

“A arte digital só pode ser compreendida no âmbito da arte contemporânea, que se vale da diversidade de formas de expressão, linguagens e narrativas. Sendo uma manifestação artística, a arte digital utiliza técnicas digitais e ferramentas de hardware e software para criar e compartilhar os trabalhos forjados pelos artistas, que sempre nos dão respostas às questões do tempo presente”, aponta Avelar.

 

 

A artista Giselle Beiguelman é considerada uma das pioneiras na arte digital do Brasil, atua na criação e desenvolvimento de aplicações digitais desde 1994 e na área de preservação de arte digital desde 2010.

 

Vitória Cribb é uma criadora interdisciplinar que explora a convergência da imaterialidade das novas mídias com as mídias físicas e táteis.

 

Formado pelo curso de Audiovisual da UnB, Bruno Kowalski reúne na sua galeria expositiva três produções. A coletiva fica no ar até 15 de junho de 2022 no site academiadecuradoria.com.br e museu.cultura.df.gov.br.

 

VIVÊNCIAS COLETIVAS

Arquivo pessoal

Rodrigo Sassi

Avelar também assina o texto curatorial sobre a exposição do paulistano Rodrigo Sassi: “Os tridimensionais do autor sugerem monumentos constituindo-se como algo uno e permanente. Os materiais residuais que o artista coleta são em si detritos de nossas vivências coletivas que, nas obras, parecem fixar as feridas sociais impregnadas em nossas construções”.

 

Professora de Teoria, Crítica e História da Arte na UnB, Ana entende que “as esculturas de Sassi funcionam nessa espécie de caligrafia formal que faz olharmos de novo para os materiais que edificam a metrópole”. Ela conta que ele iniciou seu percurso artístico pelo grafite, tendo no desenho etapa inicial de seus projetos. Aponta que outros objetos desta exposição fogem da noção de escultura, remetendo a tramas e tecidos.

 

 

DESAPARECIDOS

Foto de acervo pessoal

Marcelo Brodsky

A primeira exposição individual institucional do argentino Marcelo Brodsky em Brasília tem curadoria de Charles Cosac. Reúne 38 obras “históricas, fundamentais e muito representativas de sua produção dos últimos 40 anos”, apresenta o ex-diretor do MuN entre janeiro de 2019 e agosto de 2020.

 

As fotografias, com apontamentos cujo resultado Cosac compara a retábulos, registram, “de modo enfático e poético, ditadura, movimentos de libertação e independência em diversos países”.

 

Cosac destaca a foto “La Classe”, da exposição, na qual Brodsky registra formandos de primeiro grau do Colégio Nacional de Buenos Aires, de 1967, alguns dos quais seriam mortos ou passaram a figurar na lista de desaparecidos na ditadura argentina (1966-1973), jargão dos regimes de direita durante do Cone Sul, durante a guerra fria – como o brasileiro (1964-1985) –, para se referir às mortes dos opositores do regime, cujos corpos nunca foram devolvidos às suas famílias.

 

 

O curador trata no texto dos sentimentos evocados pela imagem de jovens perfilados, onde traços marcam os que nunca voltaram: “a razão da minha comoção era certamente a palavra ‘desaparecer’, que substituíra ‘morrer’. Se de um lado a morte nos traz uma sensação de perda; do outro, o desaparecimento gera uma sensação de vazio. Ambos os sentimentos, a perda e o vazio, encontram-se na ausência”. Mas, anota Cosac, enquanto a morte pode ser mitigada com o luto, o desaparecimento deixa o sofrimento sem pouso.

 

Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

Charles Cosac

 

Cosac também aborda no texto a “eterna diáspora” que dá título à exposição de Marcelo, em referência ao percurso iniciado pelo avô do artista, que teve de sair da Rússia para a Argentina, num movimento de migração gestado pela intolerância que marcou o século passado com o sentimento antissemita.

 

“O antissemitismo, em milênios, jamais foi erradicado, e se renova das maneiras mais grotescas possíveis, sobretudo agora com todos os recursos tecnológicos. É possível que o menino Marcelo já tenha trazido em seu sangue, atavicamente, o gene do ativismo. É a arte da denúncia e da defesa”, arremata o empresário que esteve à frente da prestigiosa editora Cosac Naify, referência do mercado de livros, desativada em 2015.

 

“ETERNAS DIÁSPORAS”

Mostra de Marcelo Brodsky

Curadoria de Charles Cosac

Local: Mezanino – Museu Nacional da República

 

EXPOSIÇÃO “FORA DOS PLANOS”

Mostra de Rodrigo Sassi

Curadoria Ana Avelar

De 17 de dezembro a 27 de março de 2022

 

ARTEMÍDIAMUSEU, “SEGUE EM ANEXO”

Giselle Beiguelman, Vitória Cribb e Bruno Kowalski

Website, de 15 de dezembro a 15 de junho

Curadoria Academia de Curadoria

 

MUSEU NACIONAL DA REPÚBLICA

Endereço: Setor Cultural Sul, lote 2, próximo à Rodoviária do Plano Piloto – Zona 0.

Horário de visitação, de sexta a domingo, das 10h às 16h. Terça a quinta, exclusivamente mediante pré-agendamento para escolas públicas do DF.

Observação: obrigatórios o uso de máscara e tapete sanitizante. Será feita medição de temperatura e disponibilizado álcool em gel. É necessário a apresentação do cartão de vacinação.

Telefones: (61) 3325-5220 e 3325-6410.

E-mail: museu@cultura.df.gov.br.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br