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14/04/22 às 12h14 - Atualizado em 26/04/22 às 12h38

Memorial faz festa para os povos indígenas

Texto Alexandre Freire. Edição: Sérgio Maggio (Ascom/Secec)

18.04.22

14:00:00

 

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O Memorial dos Povos Indígenas (MPI) celebra o mês em que se comemora os direitos e a memória das nações originárias. Nesta terça-feira (19.4), às 10h, haverá uma solenidade marcada pela encenação da “Oração para a Lua”, com a cantora Nívia Tupinambá, seguida por workshop de pintura corporal indígena. A programação culmina no aniversário de Brasília (21.4) com o evento “Feira Colaborativa”, em que artistas dos povos originários vão apresentar narrativas orais e escritas, cantos e danças rituais, artesanato e amostras de sua culinária. Em torno dessas atividades, segue em cartaz a exposição “Artes para Descobrir as Culturas Indígenas”, com cinco instalações audiovisuais e visitas guiadas. 

 

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Foto de Hugo Lira

 

“Essa programação no MPI é especialíssima para a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF porque estamos diante de um espaço único e sagrado da nossa formação como brasileiros”, destaca o secretário Bartolomeu Rodrigues.

 

DIA DE CELEBRAÇÃO

Foto de Hugo Lira

David Terena

O gerente do MPI, David Terena, que também carrega no sobrenome sua etnia, valoriza a programação de abril. “É com muita alegria que nossa equipe produz essas comemorações de qualidade”. Caminhando pelo MPI, ele aponta as melhorias de acessibilidade, o piso novo, o sistema anti-incêndio. David sonha alto e pensa no MPI com mais estrutura de pesquisa, um centro de referência em história, antropologia, restauração.

 

Foto de Hugo Lira

“Artes para Descobrir as Culturas Indígenas”

No dia 19, às 10h, Nívia Tupinambá, que traz no sobrenome sua etnia, vai dançar o “toré” (significa “sou sagrado”) “Oração a Lua”, parte de uma cerimônia ritual que celebra a proteção da vida dos indígenas e da natureza por Tupã (sol) e Jaci (lua). “É uma oração de agradecimento e pedidos”, explica. Educadora, ela defende a criação de um “Dia Universal da Cultura Indígena”, por considerar que o “Dia do Índio”, como reza o calendário, mantém uma imagem estereotipada e folclórica dos povos originários. “O índio pode sair da situação de aldeia, ir para a universidade, ir para onde quiser. Não vai deixar de ser índio por isso”, argumenta.

 

Na ocasião, o público é convidado a conhecer as cinco instalações da mostra “Artes para descobrir as culturas indígenas”, que estreou no último dia 12.4 e fica em cartaz até a próxima segunda-feira (25.4). Uma delas, “Retratos Invisíveis”, exibe vídeo de mulheres dos povos originários imersas em suas comunidades e em interações simbólicas.

 

Foto de Hugo Lira

Os visitantes Cauã e Raíssa

Recebendo o casal de irmãos Raíssa e Cauã, ambos de São José dos Campos (SP), em sua primeira viagem a Brasília, a guia Euna Macedo sabe que é descendente dos povos originários e considera “um privilégio, um presente” trabalhar no equipamento da Secec. Ela desconhece a etnia da qual descende e interroga membros da família atrás de pistas. Raíssa se encanta com a visita guiada: “Achei as roupas dos indígenas mais próximas das nossas, mas os instrumentos deles de caça e os de música são bem diferentes”. “A gente supera a estranheza e aprende sobre nossa história, nosso passado”, comentou Cauã.

 

Aguardando dois ônibus de estudantes de escola pública, a professora da Secretaria de Educação e participante do projeto Territórios Culturais, Karine Rocha, destaca o papel do MPI na sensibilização para as pautas indígenas. “A grande maioria nunca tinha vindo aqui antes”, afirma. Ela costuma recebê-los na rampa do edifício projetado por Oscar Niemeyer sobre a concepção do antropólogo Darcy Ribeiro, construído em 1987. Com ela, os estudantes aprendem que a rampa de acesso ao espaço evoca um rio com seu desenho sinuoso, que suas luzes intensas ecoam o papel de um memorial, que, diferentemente de museus, trata de questões presentes, e descobrem a riqueza do patrimônio indígena, com sua arte plumária, cestaria, cerâmicas, línguas e ritos.

 

 

REPRESENTATIVIDADE

 

As apresentações na Feira Colaborativa vão avançar para além das tradicionais vendas de artesanato e exposições. Pretendem atualizar a imagem que o público costuma ter dos povos originários. Kamuu Dan Wapichana, que vai contar histórias com performances em danças e cantos rituais, diz que as narrativas indígenas são poucas difundidas: “Estamos contribuindo para que o público em geral conheça a literatura indígena, desmistificando estereótipos e mitos sobre nós”.

 

A Kariri-Xocó Heloisa Cruz Araujo, cujo nome original de batismo, Hãmín, significa “aquela que aprende na mata”, acredita que “será de grande importância eu apresentar minha cultura. Cantarei torés e rojões de minha etnia. Meu objetivo é que conheçam como é o nosso cotidiano da arte de cantar, de falar e praticar nossa essência, nossos cantos sagrados e nativos, falar um pouco da nossa história de muitos anos da resistência”. Ela explica que os torés reúnem cantos e danças e têm conexão com Deus e os ancestrais. Já os rojões são cantos para plantios, colheitas e acolhimento de familiares e amigos.

 

Oziel Ticuna, da etnia Ticuna Magüta, é estudante da Universidade de Brasília (UnB), graduando em administração e influencer indígena nas redes sociais. É da comunidade indígena Vila Betânia–Mecürane, no Rio Alto Solimões, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, no Amazonas. “Eu vou apresentar uma dança cultural baseada na nossa cultura e na mitologia dos Ticuna Magüta. Manter o ritual e a valorização cultural é algo singular para mim, porque dança e música são sagradas para nós, Ticunas. Além do mais, quero defender o meu povo por meio da dança e trajes culturais que vão ser usados durante a apresentação”.

 

Natasha Barros Cardoso, natural de Belém do Pará, é da etnia apinajês. É dançarina e coreógrafa de danças folclóricas do Norte. “Vou apresentar danças folclóricas de uma cabocla, com sua beleza e encantos. O folclore brasileiro não pode ser esquecido e precisa ser mas valorizado. A dança no ritmo de boi bumbá mostra a beleza da índia cunhãporanga, que significa “mulher mais linda e guerreira da tribo”, conta Natasha. A performance traz elementos da lenda da cabocla e o boto. Confira a programação a seguir.

 

MEMORIAL DOS POVOS INDÍGENAS

Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK.
Horário de visitação: Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

 

“Artes para descobrir as culturas indígenas”

19 a 25.4

9h – 17h

 

19.4

Memorial dos Povos Indígenas

“Oração para a Lua”, com Nívia Tupinambá

10h – Festividade do Dia do índio com canto da etnia tupinambá  “Oração para a Lua”, com a cantora Nívia Tupinambá. Exposição “Artes para Descobrir as Culturas” Indígenas. Feira étnica.

 

21.4

Feira Colaborativa

10h às 17h –Com shows de Nubia Batista, Eliaquim Camilo, Natasha Barros e Gilberto Cruz.

 

22.4

10h às 17h – Com shows de Mirim Ju Yan Guarani, Ian Wapichana, Gilberto Cruz e Oziel João Filho. Exposição “Artes para Descobrir as Culturas Indígenas”.

 

23.4

10h às 17h – Com shows de Kumuu Dan Wapichana, Heloísa Cruz de Araújo, Nívia Costa e Kessia Daline. Exposição “Artes para Descobrir as Culturas Indígenas.

 

24.4

10h às 17h – Com shows de Waurá, Ybá Sanenawa, Fernando Gomes e Javier. Exposição “Artes para Descobrir as Culturas Indígenas”.

 

Telefones: (61) 3344-9272 / 3344-1154 / 3306-2874

e-mail: mpi@cultura.df.gov.br

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br