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20/04/22 às 15h20 - Atualizado em 6/10/22 às 12h37

Mostra comemora 62 anos do Cine Brasília

Texto: Lúcio Flávio. Edição: Guilherme Lobão

20.04.22

15:23:00

 

Ouça o resumo a notícia:

 

 

Daquelas coisas mágicas que só acontecem no Cine Brasília. O ano era o de 2000. Mostra Competitiva do Festival de Brasília. A equipe e o elenco do longa-metragem Bicho de Sete Cabeças sobe ao palco do cinema sob uma trepidante vaia. O motivo? A birra do público, incomodadíssimo com o galã Rodrigo Santoro, na época um rosto famoso na TV brasileira, e protagonista do filme. “Foi uma sessão totalmente inusitada. Meu primeiro longa, casa lotada e aquela vaia que não parou nem quando o filme começou”, recorda a cineasta Laís Bodanzky.

 

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Esses e outros episódios marcantes da história da casa do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e um dos espaços culturais mais emblemáticos do país nortearam a curadoria da mostra Maratona de Filmes. O evento acontece dentro do projeto Sorria, Brasília, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec), embalando a programação de aniversário da capital e em homenagem aos 62 anos Cine Brasília, nesta sexta-feira (22), exibidos em sessões gratuitas, a partir das 10h.

 

“Fazer uma mostra em homenagem ao Cine Brasília renderia vários recortes, resolvemos olhar pelo lado histórico”, explica Carmem Moretzsohn, que assina a curadoria com a jornalista e produtora cultural Gioconda Caputo. “Escolhemos filmes que foram relevantes na história do Cine Brasília ou momentos marcantes vividos lá com esses filmes”, conta.

 

E foi o que aconteceu com a consagração de Bicho de Sete Cabeças, vencedor nas categorias de  melhor filme, direção, fotografia, ator coadjuvante (para Genro Camilo) e ator, para… Rodrigo Santoro. “Essa sessão foi simbólica e inesquecível, marcou o nascimento do filme e de um ator, que ia além de um rosto bonito e que o público é capaz de mudar de opinião depois de assistir a um filme, coisa rara hoje em dia”, continua Laís. “Minha história com esse espaço é de carinho. É preciso celebrar um cinema vivo durante todo esse período, não só pelos filmes exibidos, mas pela plateia vibrante que muda a cada geração”, constata.

 

Crédito: Tony Winston

“Brasília e o Cine Brasília são duas coisas muito singulares, sendo que esse último transcende o fato de ser cinema por fazer parte da essência do plano original imaginado por Lucio Costa”, analisa Sérgio Moriconi.

 

Outro destaque marcante na programação nesse dia de festa é o clássico A Canoa Furou, comédia de 1959 estrelada pelo comediante Jerry Lewis. Este foi primeiro filme exibido no Cine Brasília, em sessão que contou com a presença de um atrasado Juscelino Kubistchek. “É um fato incrivelmente relevante você imaginar um presidente inaugurar um cinema. Provavelmente, não tem nenhum precedente na história”, comenta o jornalista, pesquisador, cineasta e ex-programador do cinema, Sérgio Moriconi.

 

HISTÓRIAS AFETIVAS

Vencedor da edição do Festival de Brasília de 1994, o filme Louco por Cinema, do baiano radicado na capital André Luiz Oliveira, também é destaque da mostra. A produção entrou para a história do Cine Brasília por ser o primeiro longa-metragem realizado em Brasília a abiscoitar os prêmios máximos da competição. Para o cineasta, representou um ponto de redirecionamento em sua carreira, após quase 20 anos sem filmar. “Foi um feliz encontro comigo mesmo, com esse cara que ainda tinha tanta coisa para fazer”, reavalia.

 

Louco por Cinema é importante também porque nunca houve uma produção local com tantos atores e equipe da cidade trabalhando. E a gente quis valorizar isso”, destaca a curadora Carmem Moretzsohn.

 

Veterano do cinema da cidade, que viveu uma relação passional com o Cine Brasília, onde teve filme interditado pela censura nos anos 70, o mestre Vladimir Carvalho participa da maratona com o pungente documentário Barra 68 – Sem Perder a Ternura. Premiado na mostra paralela do Festival de Brasília em 2000, o filme resgata as agressões sofridas pelos estudantes e professores da Universidade de Brasília nos anos 60, sob o jugo da ditadura.

 

O cineasta paraibano lembra com emoção da exibição do seu filme na abertura do Festival de Brasília, em depoimento ao livro Candango – Memórias do Festival Vol. 1, de Lino Meireles: “Uma lembrança das mais felizes: com aquele imenso close da cabeça de Darcy Ribeiro (…) aplaudido calorosamente”.

 

Abordando temas pertinentes como a questão indígena, o meio ambiente e a sustentabilidade, Taína – A Origem, de Rosane Svartman, guarda uma relação afetiva com o espaço por ser exibido para a turma de escola da rede pública do DF.

 

Falecido no último mês de fevereiro, o cineasta Arnaldo Jabor também é lembrado em sua relação com o Cine Brasília, que exibirá na maratona um de seus maiores sucessos: a comédia dramática Tudo Bem, vencedor do Festival de Brasília de 1978. Na trama, protagonizada pela dupla Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo, Jabor traz um olhar crítico e mordaz sobre o país a partir do dia a dia de tradicional família de classe média brasileira.

 

“Escolhemos simplesmente o filme que ele considerava o melhor de sua carreira, na lista dos 100 filmes brasileiros de todos os tempos”, revela Carmem Moretzsohn. “Com muita sutileza, o Jabor fala sobre desigualdade social, a eterna luta de classes, o decantar, entre aspas, da cordialidade brasileira, além, claro, de contar com atuações maravilhosas”, resume a curadora.

 

MARATONA DE FILMES

Cine Brasília (106/107 Sul), a partir das 10h

Entrada franca.

 

PROGRAMAÇÃO

 

10H00 – TAINÁ – A ORIGEM, Brasil, 2013, 80min, Livre

 

Divulgação

Direção: Rosane Svartman

Com: Wiranu Tembe, Beatriz Noskoski, Igor Ozzy, Anderson Bruno, Gracindo Júnior, Nuno Leal Maia, Guilherme Berenguer, Mayara Bentes

 

 

12H00 – A CANOA FUROU (Don’t give up the ship), EUA, 1959, 89min, Livre

 

Divulgação

Direção: Norman Taurog

Com: Jerry Lewis, Dina Merrill, Mickey Shaughnessy

 

 

14H00 – LOUCO POR CINEMA, Brasil, 1996, 100min, 12 anos

 

Divulgação

Direção: André Luiz Oliveira

Com: Nuno Leal Maia, Denise Bandeira, Roberto Bomfim, Jairo Mattos, Guará Rodrigues, Eduardo Conde, Noemi Marinho, Jesus Pingo, Emerval Crespi, Dimer Monteiro, Bidô Galvão, Guilherme Reis, Renato Matos, Chico Sant’Anna, Miquéias Paz, B. de Paiva, Gê Martu, Andrade Jr, Alfredo Libório, Humberto Pedrancini, Graça Veloso, Jorge Du Pan, Francisco Lindolfo, Neio Lúcio, Rogero Torquato, Paulo Tovar, Kojak, Alfredo Libório, Leal Carvalho, Guilherme Coelho, Getúlio Cruz, Wilson Domingues

 

 

16H00 – BARRA 68 – SEM PERDER A TERNURA, Brasil, 2001, 82min, Livre

 

Divulgação

Direção: Vladimir Carvalho

Narração: Othon Bastos

 

 

18H00 – BICHO DE SETE CABEÇAS, Brasil, 2000, 90min, 14 anos

 

Direção: Laís Bodanzky

Com: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kiss, Gero Camilo e Caco Ciocler

 

 

20H00 – TUDO BEM, Brasil, 1978, 120min, 14 anos

 

Direção: Arnaldo Jabor

Com: Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo, Maria Sílvia, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Zezé Motta, Stenio Garcia, Paulo César Pereio, José Dumont e Fernando Torres

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br