Governo do Distrito Federal
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20/04/20 às 15h50 - Atualizado em 20/04/20 às 15h50

Herói indígena Sepé Tiarajú é homenageado no projeto “Quarentena Cultural”

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No mês do índio, projeto on-line do Complexo Cultural Três Poderes prestigia indígena considerado herói da pátria

 

Dentre as diversas celebrações realizadas em abril, também são comemoradas a cultura e a história dos povos autóctones brasileiros. Neste emblemático domingo (19), o Dia do Índio é lembrado como símbolo de resistência e resgate cultural das raízes indígenas. O Complexo Cultural Três Poderes (CC3P), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec), dedicou espaço no projeto “Quarentena Cultural” para homenagear um dos heróis da pátria presentes no livro de aço do equipamento, o guarani Sepé Tiarajú.

 

A publicação em homenagem ao herói indígena é parte da série projetada para as redes sociais do equipamento cultural composto pelo Museu Histórico de Brasília, o Espaço Lúcio Costa e o Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves. Incluído no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria” em 21 de setembro de 2009, o cacique José Tiarajú, mais conhecido como Sepé Tiarajú, viveu em meados do século XVIII entre os guerreiros indígenas guaranis na comunidade que ficou conhecida como “Sete Povos das Missões”, no sul do país.

 

Sepé recebe menção no livro pela histórica resistência aos ataques militares espanhóis e portugueses do período colonial. O motivo da luta de Tiarajú pelas terras de seu povo foi o Tratado de Madri, assinado em 1750 pelas duas potências europeias. O acordo – que previa que a Espanha entregasse a Portugal grande parte da região onde padres catequizavam os guaranis – determinava que sacerdotes e indígenas evacuassem os Sete Povos e atravessassem para o outro lado do Rio Uruguai.

 

A vida do herói nativo foi abreviada em 1756, vítima de um dos maiores genocídios de indígenas das Américas, a Batalha de Caiboaté, que deixou cerca de 1500 mortos. Seu corpo, no entanto, não foi encontrado no campo de batalha, o que motivou o boato de que ele teria “subido aos céus”, gerando a crendice popular de que Sepé seria um santo para seu povo. Em 2018, o Vaticano autorizou o processo de beatificação do índio.

 

Dono da célebre frase “essa terra tem dono”, Sepé é o símbolo da diversidade que caracteriza os heróis e heroínas da pátria inscritos no livro de aço. Durante o período de quarentena, a equipe do Panteão da Pátria e da Liberdade elaborou um calendário de postagens, citando os principais personagens da publicação. “E como não poderia deixar de ser, nesse mês do índio, resolvemos homenagear o indígena guarani Sepé Tiarajú, que lutou contra os espanhóis e portugueses para manter seu povo e suas terras”, conta o gerente do Complexo Cultural Três Poderes, Rafael Rangel, idealizador do projeto.

 

De acordo com Rangel, a homenagem ao herói indígena não marca só o dia e o mês do índio, mas as lutas históricas travadas pelos povos nativos no Brasil. “Apesar de ter perdido a batalha, quem se tornou herói foi ele, principalmente pela bravura em defender suas terras e seu povo. É um orgulho para o Panteão poder contar um pouco da história deste indígena e herói nacional em homenagem aos povos indígenas do país”, completa.