Governo do Distrito Federal
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21/12/20 às 14h42 - Atualizado em 21/12/20 às 16h39

Festival de Brasília premia a cultura popular

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Texto: Lúcio Flávio. Edição: Guilherme Lobão

 

21/12/2020
16:00:00

 

Ele saiu do fundo da mata virgem brasileira e desembarcou no coração do Planalto Central para abocanhar o Candango de Melhor Filme da Mostra Oficial de Longas-metragens. “Por Onde Anda Makunaíma?”, de Rodrigo Séllos, foi o grande vencedor do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, cuja premiação foi ao ar nesta segunda (21), pelo canal do YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec).

 

Confira aqui todos os premiados do 53º Festival de Brasília

 

Foto: Nityama MacriniPrimeira produção de Roraima a participar da mostra, o projeto se debruça sobre a origem indígena de um dos personagens mais marcantes da literatura brasileira, imortalizado por Mário de Andrade, evidenciando as influências e ramificações desta lenda em vários segmentos da cultural nacional, do teatro ao cinema, além de enredo de samba.

 

É, de todos os trabalhos que competiram na 53ª edição do Festival de Brasília, o que melhor se identifica com a cultura de invenção narrativa e espírito memorialístico do mais tradicional evento do gênero no País.

 

Foram seis dias de intensos debates, troca de impressões e reflexões pertinentes sobre o fazer do audiovisual no Brasil, tendo como prisma a exibição de 30 produções nas três mostras competitivas. São trabalhos que privilegiam o resgate e a memória do cinema nacional, dando voz a todos os atores da sociedade brasileira, mostrando, com isso, a força da diversidade e pluralidade do nosso cinema.

 

O júri – composto pela atriz e cineasta Ana Maria Magalhães, o cineasta e pesquisador Joel Zito Araújo e a produtora e curadora Ilda Santiago – concederam ainda o Prêmio Especial do Júri ao documentário “Ivan, o TerrirVel”, de Mario Abadde, uma homenagem ao mestre do gênero do terrir Ivan Cardoso. O belíssimo trabalho de edição de Marta Luz em “A Luz de Mario Carneiro”, de Betse de Paula, também foi reconhecido com o Prêmio Especial pela Montagem.

 

Um poderoso retrato sobre a luta pela moradia e o pertencimento urbano na periferia de Belo Horizonte, o documentário “Entre Nós Talvez Estejam Multidões”, da dupla Aiano Bemfica e Pedro Maia de Brito levou o Prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) de melhor longa-metragem.

 

Curtas-metragens

 

O Prêmio de Melhor Curta-Metragem da Mostra Oficial do 53º Festival de Brasília foi para a distopia política “República”, de Grace Passô, que também foi agracida pelo Prêmio Abraccine no formato. Marcado por uma narrativa atmosférica e fantasmagórica, que lembra a triste herança da escravidão no Brasil, o documentário “A Morte Branca do Feiticeiro Negro” deu ao jovem Rodrigo Ribeiro o Prêmio de Melhor Direção.

 

Filme de estreia da diretora Tamiris Tertuliano, o curta de ficção paranaense “Pausa Para o Café”, que narra encontro entre duas mulheres no intervalo do trabalho para aborda assunto delicado, foi o grande vencedor da categoria, abiscoitando três Candangos: o de Melhor Atuação para a dupla de atrizes, Maya e Rosana Stavis, de Melhor Montagem e de Melhor Roteiro.

 

O júri – composto pelo jornalista e escritor Carlos Marcelo, a cineasta Graciela Guarani e a produtora e diretora Liloye Boubli – premiou ainda os seguintes trabalhos: Melhor Fotografia para Gustavo Pessoa, da ficção científica pernambucana “Inabitável”; Melhor Direção de Arte para Cris Quaresma, do maranhense “Quanto Pesa”; e Melhor Som para o trio Anna Luísa Penna, Emilio Le Roux e Fredshon Araújo, do drama baiano “Distopia”. O júri ainda reverenciou com menção honrosa o elenco do pernambucano “Inabitável”.

 

Documentário que resgata a história de uma das menores etnias indígenas do País, “A Tradicional Família Brasileira KATU”, de Rodrigo Sena, foi contemplado com o Prêmio Especial do Júri e com o novo Troféu Cosme Alves Netto, criado especialmente para essa edição pela Anistia Internacional Brasil em reconhecimento à obra que melhor defende nas telas os direitos humanos e pilares humanistas.

 

O tradicional júri organizado pelo Canal Brasil, formado pelos jornalistas e críticos de cinema Ricardo Daehn, Maria do Rosário Caetano e Luiz Zanin, condecorou o catarinense “A Morte Branca do Feiticeiro Negro”, de Rodrigo Ribeiro, com o Prêmio Brasil de Curtas.

 

No gosto do popular

 

Uma mistura de faroeste com contundente crítica social, “Longe do Paraíso”, único filme de ficção na disputa da Mostra Oficial de Longas, dirigido pelo veterano cineasta Orlando Senna, foi o Melhor Filme do Júri Popular, com 333 votos – 112 a mais do que o segundo colocado, o grande campeão do evento, “Por Onde Anda Makunaíma?”.

 

A história de uma mulher apaixonada pela arte de cantar nos karaokês da noite cearense, registrado pela dupla Sávio Fernandes e Muniz Filho em “Noite de Seresta”, caiu no gosto do popular, recebendo quase 61% dos votos dos curtas da Mostra Oficial.

 

Os melhores do DF

 

Não deu outra. Um relicário afetivo cheio de recordações e histórias marcantes sobre a mais importante mostra de cinema do País, o documentário, “Candango: Memórias do Festival”, de Lino Meireles, levou o Troféu Câmara Legislativa de Melhor Filme da Mostra Brasília. A produção também foi o preferido do público em votação on-line, com quase 45% dos votos populares. De quebra, o longa arrematou o Prêmio Marco Antônio Guimarães, em reconhecimento ao trabalho de pesquisa realizado.

 

O curta de ficção “Do Outro Lado”, de David Murad, levou o Prêmio de Melhor Filme na categoria na Mostra Brasília, narrando o drama de uma criança de nove anos em buscar de descobertas e aventuras. Enquanto a condução lírica de Letícia Castanheira no documentário “Eric” rendeu à cineasta o Prêmio de Melhor Direção. “Eric” também foi o preferido do público. A história do garoto com Síndrome de Down e dificuldades de se comunicar foi o mais querido curta do público da Mostra Brasília, com 19,3% dos votos.

 

Uma discussão sobre os efeitos e paranoias das redes sociais na sociedade de hoje, o curta “Algoritmo”, de Thiago Foresti, levou dos Candangos de Melhor Direção de Arte e Edição para a dupla William Jungmann e Daniel Sena.

 

O júri da competição paralela formado pela atriz e cineasta Catarina Accioly, a diretora e produtora Débora Torres e o jornalista e escritor Sérgio de Sá contemplou o trabalho do veterano, Jorge Bodanzky. Precioso resgate pessoal sobre o surgimento da Universidade de Brasília (UnB), “Utopia e Distopia” levou o Prêmio Especial do Júri.

 

Na categoria de curtas, o mesmo reconhecimento foi estendido ao documentário “Rosas do Asfalto”, de Daiane Cortes, registro humanizado sobre o drama de pessoas da terceira idade que fazem do sexo uma forma de sobrevivência.