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18/12/20 às 15h12 - Atualizado em 18/12/20 às 15h14

Festival de Brasília debate violência de gênero e de raça no Brasil por meio do cinema

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Texto: Loane Bernardo. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

18/12/2020

15:12:00

 

O 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro trouxe à pauta nesta sexta (18) temáticas de violências e insurgências LGBTQIAP+ abordadas em produções presentes na programação, em exibição no Canal Brasil e pelo streaming dos Canais Globo até domingo (20). Mediado pelo curador e crítico de cinema Lecco França, o painel, que foi transmitido pelo YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), contou com a presença de Lilih Curi, diretora de “Distopia”, Anderson Bardot, diretor de “Inabitáveis”, e Matheus Farias e Enock Carvalho, diretores de “Inabitável”.

 

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Diante de temas tão urgentes e importantes para a sociedade, o mediador Lecco França parabenizou os realizadores pelas produções e destacou a delicadeza na abordagem da realidade violenta sofrida pelas vidas LGBTQIAP+. Ele abriu o debate pedindo para que cada participante apresentasse as ideias por trás de suas obras.

 

 

Estreante no Festival de Brasília com o curta-metragem “Inabitáveis”, o cineasta capixaba Anderson Bardot contou que seu filme foi inspirado em um musical com o mesmo nome, exibido em Vitória (ES) no ano de 2013. A trama narra o projeto da companhia contemporânea de dança com um espetáculo que tem como tema a homoafetividade negra.

 

Sobre a situação de preconceito e violência existente em temas como esse, Anderson considera que estes tipos de narrativa estão aparecendo agora porque foram silenciadas por muito tempo. “’Inabitáveis’ dá sua parcela neste debate para que cada vez mais produções audiovisuais venham com força criativa, paixão e anseios ao retratar a diversidade do povo brasileiro”, enfatizou.

 

Para os criadores da ficção “Inabitável”, os diretores pernambucanos Matheus Farias e Enock Carvalho, a personagem Marilene mergulha na angústia vivida por pessoas vítimas da violência de gênero e raça no Brasil. Presença confirmada no Festival de Sundance em 2021, a história se passa a partir dos olhos de uma mãe cuja filha trans está desaparecida. “A gente vai entendendo a gravidade do sumiço dessas pessoas junto com a nossa real experiência de vida. Queremos conversar sobre essa violência que paira no nosso país. Marilene é uma vida real e procuramos falar sobre pessoas e relações reais neste filme”, disse Enock.

 

Para o filme baiano “Distopia”, a roteirista e diretora Lilih Curi declarou sua honra em estar em um festival que é um espaço de resistência, “re-existência” e reinvenção. Em seu quarto curta-metragem falando sobre gênero, o curta lida com a questão do sexo masculino. No filme, quando o filho caçula tem de assumir os cuidados do pai com Alzheimer, numa ausência da irmã mais velha, fora de casa, o garoto se vê tendo de lidar com lembranças terríveis. “Falar de ‘Distopia’, pra mim, arrepia. São vozes silenciadas, porém com a potência retórica, com várias questões que atravessam a minha subjetividade”, confidenciou a cineasta.

 

Finalizando o painel de atividades paralelas do FBCB, os artistas fizeram um balanço de 2020. Em tempos de pandemia, todos concordaram sobre as incertezas de um futuro para o segmento do audiovisual, onde o lugar é de criatividade para ação e reinvenção. “Este ano nos mostrou que devemos democratizar ainda mais o acesso aos bens culturais. Vamos distribuir melhor as nossas produções e repensar todos os modelos para darmos continuidades aos nossos projetos”, arrematou o cineasta Anderson Bardot.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br