Governo do Distrito Federal
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1/11/19 às 19h26 - Atualizado em 1/11/19 às 19h28

Exposição “Matriz”, sobre a maternidade silenciada, entra em sua última semana no Museu da República

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Coletivo de mulheres fez ontem um balanço da mostra, que produziu reações diversas no público

 

A exposição de Clarice Gonçalves e outras dez artistas sobre a maternidade, “Matriz”, entra em sua última semana no Museu Nacional da República, onde recebeu acolhida diferenciada do público que foi ver os trabalhos, manifestações que irão compor o catálogo do evento, a ser publicado até janeiro.

 

“Reações mais acaloradas vindas do público, em geral masculino, foram contrabalançadas por pessoas que saíram tocadas da experiência vivida no museu”, conta Tatiana Reis, historiadora da Arte pela UnB e uma das artistas que participaram do ateliê de mulheres-mães, que também acumulou a função de compilar as reações do público colhidas pelas monitoras.

 

Em roda de conversa realizada ontem (31/10) no Museu, Clarice ouviu de um grupo de mulheres sobre a importância que a exposição e o processo criativo que a antecedeu tiveram no sentido de problematizar uma maternidade idealizada pela sociedade, que normalmente, segundo o coletivo de mulheres, as deixa sozinhas com as angústias do puerpério (período depois do parto, quando emoções e corpo lidam com as transformações vividas).

 

O processo criativo mencionado se refere a um ateliê dotado de brinquedoteca e arte-educadoras, montado para que as artistas, que receberam ajuda de custo, pudessem produzir sem ter de se afastarem das crianças.

 

No encontro de ontem, participantes do coletivo Jasminas, projeto brasiliense que oferece terapias a mulheres que sofreram violências, entre as quais as obstétricas e ligadas ao pré-parto e puerpério, trocaram depoimentos sobre experiências no acolhimento desses casos na Casa Jasmim, onde se dão as atividades.

 

Entre as questões que mais afetam as mulheres no puerpério estão mudanças hormonais e do corpo – citaram a diástase, afastamento dos músculos abdominais e flacidez –, a visão romantizada do processo de conceber e dar a luz e a ausência dos pais, o que dificulta a volta ao trabalho, principalmente para as artistas autônomas.

 

Clarice Gonçalves considera que a exposição cumpriu o papel de abrir outra agenda para a questão da maternidade e lamentou que no século 21 “a mulher ainda não tenha de fato escolha” sobre se quer ou não ser mãe.

 

“Todos os livros que li, toda informação que tive mantiveram a maternidade como um buraco negro. Mas com a exposição, criamos um espaço em que as mulheres puderam se manifestar e sabemos o quanto a arte pode produzir catarse e cura”.

 

Ainda dá tempo de ver “Matriz”, que contou com recursos do FAC, até semana que vem.

 

Serviço
“Matriz”
Artista Clarice Gonçalves
Coletivo Matriz: Adriane Oliveira, Aila Beatriz, Angélica Nunes, Bárbara Moreira, Camila Melo, Carolina de Souza, Débora Mazloum, Marta Mencarini, Raissa Miah, Tatiana Reis.
Encerramento: 07/11
Museu Nacional da República
Setor Cultural Sul, próximo à Rodoviária do Plano Piloto
Horário de visitação: terça a domingo, de 9h às 18h30.
Telefones: (61) 3325-5220 e 3325-6410
E-mail: museunacional@cultura.df.gov.br
Casa Jasmim (SHCGN 705 bloco O, casa 30)
Jasminas.com.br