Governo do Distrito Federal
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25/11/19 às 23h47 - Atualizado em 25/11/19 às 23h47

Especialista da Fox em roteiros de séries fala sobre a febre do gênero no Brasil

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Júlia Priolli falou ao público do 3º Ambiente de Mercado sobre a teoria de desenhar uma temporada

 

Tem gente que acha que Júlia Priolli tem o melhor emprego do mundo. Como gerente de conteúdo original para a gigante Fox, tem de assistir séries e mais séries. Hoje (25) à tarde falou sobre a teoria do gênero, aprofundando a aula que havia começado pela manhã sobre a engenharia que move a produção dessas narrativas, mobilizadoras de tantos telespectadores. O encontro dela com aficionados pelo assunto no Espaço Cultural Renato Russo (ECRR) faz parte da 3ª edição do Ambiente de Negócios, iniciativa dentro do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Priolli também é consultora, leciona roteiro no Centro Cultural Barco, na Roteiraria e na FAAP. 

 

“Não é bem assim”, esclarece ela sobre a tese de ter um emprego invejável. “Há muita coisa ruim que tenho de assistir. Achei até que estava ficando burra e passei a ler romances russos para me desintoxicar dos excessos”, comenta entre jocosa e séria ao citar nomes como Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov.

 

No encontro após o almoço, discorreu sobre alguns truques para escrever séries de sucesso: “papel do piloto/início de temporada, reforço da premissa, falso apogeu, pior momento para o protagonistas, recuperação da esperança, reset do personagem”. “Eu expliquei essas coisas para o meu pai, e ele disse que ficou sem graça assistir a séries porque rapidinho ele sabe em que vai dar”, confessou ao seu público no Teatro de Bolso do ECRR. Numa pequena entrevista, deu seus palpites sobre a febre em torno do gênero no Brasil.

 

Por que gostamos tanto de séries? “Sei lá, mas acho que adoramos nos encontrar com personagens cujos conflitos não têm solução”.

 

O público brasileiro tem uma característica que o distingue? Você falou durante sua apresentação que as séries precisam atender ao gosto de um afegão médio (espécie de piada interna entre roteiristas das megaprodutoras, que pregam que os temas tratados não podem pecar pela sofisticação e devem alcançar pessoas comuns em qualquer parte do mundo). “Acho que o brasileiro gosta tanto de série porque foi treinado para isso ao assistir às telenovelas. E, ao contrário dessas, as séries trazem narrativas mais ágeis, mais interessantes”.

 

Assuntos locais ou universais têm mais chance de sucesso? “Eu apostaria em temáticas locais que possam circular pelo mundo todo”.

 

Confira a programação completa do 3º Ambiente de Mercado na página do Festival.

 

Foto: Paula Corrubba