Governo do Distrito Federal
24/02/22 às 10h47 - Atualizado em 25/02/22 às 16h46

Escola de Carnaval prepara setor para 2023

Texto: Alexandre Freire. Fotos: Hugo Lira. Edição: Sérgio Maggio/Ascom Secec
25/02/2022
13:00:34

 

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A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) pôs o bloco na rua nesta sexta-feira, que seria do tradicional carnaval (25.2), interrompido há dois anos por conta da Covid-19. Com a presença de carnavalescoS das agremiações do DF, a pasta lançou o projeto “Escola de Carnaval”, cuja finalidade é a de capacitar, profissionalizar e articular a organização da cadeia produtiva das escolas de samba, que teve o desfile interrompido em 2015.

 

 

Foto de Hugo Lira

Secretário Bartolomeu Rodrigues e subsecretária Sol Montes

“Tenho a convicção de que essa é a última vez que falamos de proibição do carnaval. Nós vamos superar essa situação. Quero agradecer o apoio do setor carnavalesco, com o qual estamos conversando desde junho do ano passado para fortalecer a folia de 2023”, aponta o secretário Bartolomeu Rodrigues.

 

O titular da Secec lembra que “carnaval não é só festa. Além de manifestação cultural importantíssima, é também instrumento de atividade econômica. O GDF não deixou o setor desamparado. Já investimos, sem a perspectiva do carnaval, em torno de R$ 5,5 milhões [em atividades que dão emprego e renda]. Agora é a vez da Escola de Carnaval”.

 

 

“A ideia da ‘Escola de Carnaval’ é justamente pegar todos os elementos que fazem e formulam o Carnaval, os que administram as escolas de samba, e rearticular o setor, que se desorganizou”, explica a subsecretaria de Difusão e Diversidade Cultural, Sol Montes.

 

A gestora reforça que um dos eixos principais do projeto é incentivar a gestão profissional da cadeia produtiva que envolve sete mil trabalhadores no Distrito Federal.

 

O projeto – lançado no edital nº 27/2021 – tem duração de oito meses, que podem ser prorrogados por igual período. Trata-se de um termo de colaboração, portanto de iniciativa do GDF, executado pela organização da sociedade civil (OSC) Luta pela Vida, no valor de R$ 1,5 milhão.

 

Hugo Lira/DivulgaçãoSerão realizados três módulos formativos. O primeiro deles será focado em gestão (planejamento, elaboração de projeto, legislação de carnaval, captação de recursos públicos e privados, elaboração de plano de comunicação e prestação de contas).

 

No segundo, será discutido o universo lúdico do carnaval, como desenhos artísticos de fantasias/figurinos; maquiagem de carnaval; análise estrutural das alegorias e adereços e cenografia carnavalesca.

 

O último módulo versa sobre a musicalidade: dança do passista; samba enredo; mestre-sala e porta-bandeira; ritmistas de escola de samba e bateria de samba e percussão.

 

Ao todo, o projeto vai capacitar 500 agentes, que serão multiplicadores. Vai unir os 16 carnavalescos do DF no projeto de capacitação para qualidade do desfile de carnaval 2023. Parte das oficinas ocorrerá no Eixo Cultural Ibero-americano. Algumas, no entanto, acontecerão nos barracões das escolas.

 

“O pressuposto desse projeto é o talento das comunidades. Esse é o legado que ficará para cidade”, complementa Milton Cunha, revelando que o tema a ser trabalhado nos módulos é: “Brasília, Capital Ibero-americana das Culturas de 2022”.

 

CURADORIA DE PRIMEIRA

A curadoria do projeto é de Milton Cunha, carnavalesco histórico (que passou por escolas como Beija-Flor), cenógrafo e comentarista de desfiles nas principais emissoras de TV, mestre e doutor em Letras, com pós-doutorado em narrativas do carnaval, e professor universitário com livros.

 

Foto de Hugo Lira

Milton Cunha

“O tripé da minha curadoria é constituído pela gestão administrativa, o artístico-visual e o artístico-musical. Primeiro, abordo a visão geral da escola de samba como fenômeno da modernidade, da sociedade do espetáculo. Em seguida, vem o resgate histórico, para que figurinista, carnavalesco, projetista de alegoria e compositor saibam que o tema tem um passado. Aí temos as aulas de croqui, risco, volumetria, ergonomia e também alegoria, com suas noções espaciais. A terceira parte é a musicalidade. Aí você trata de enredo, da harmonia musical”, resume.

 

“A Secec está ajudando na capacitação dos envolvidos com o carnaval do DF ao trazer para o curso a experiência de um grande curador na área, que é o Milton Cunha, que sabe tudo sobre carnaval”, explica Romulo Sulz, presidente da instituição Lute pela Vida.

 

“Chamo o carnaval de Brasília de carnaval candango. Acho que essa experiência reflete o Planalto Central. O artista popular planaltino expressa uma visão de mundo de capital federal. A festa se constrói numa ideia inicial da solidão do sertão, mas é preciso celebrar. Então ele vai misturar elementos de todos que vieram, de todas as regiões. É um carnaval multicultural e, ritmicamente, ele dialoga com muita coisa brasileira, não é um carnaval que ficou fechado em si. É um carnaval de contribuições”, define Cunha.

 

Sol lembra que “já havia carnaval na Cidade Livre [hoje, Núcleo Bandeirante], antes da inauguração da capital”. Ela concorda com Cunha que a diversidade marca o carnaval de Brasília. Cita o Cruzeiro, que reflete o carnaval carioca, os blocos, que lembram suas origens regionais, como o “Galinho de Brasília”, de inspiração pernambucana (“Voltei, Recife…”) ou as matrizes africanas do Recôncavo Baiano.

 

“Aqui os blocos no carnaval tocam até rock”, lembra Sol em alusão, por exemplo, ao celebrado “Eduardo e Mônica”. A subsecretária também destaca os blocos alternativos que empunham alto bandeiras LGBTQIA+ e do feminismo. “São muito fortes e correspondem a 30% das agremiações que vão para as ruas”, afirma.

 

Arquivo Pessoal

Paulo Henrique Nadiceo

PROJETO REVOLUCIONÁRIO

Paulo Henrique Nadiceo, presidente da Liga dos Blocos Tradicionais de Brasília, elogia a iniciativa de Escola de Carnaval: “Acho o projeto revolucionário, inovador. Mostra que a gestão da cultura está preocupada com formação e profissionalização de toda a cadeia produtiva do carnaval. Isso nos enche com a sensação de um futuro promissor, brilhante”.

 

Hélio dos Santos, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do DF (Liestra), aproveita para mencionar outros recursos do GDF que chegaram para o setor: “podemos dizer que o carnaval de Brasília renasceu”. Refere-se ao edital nº 34/2021, que selecionou organizações da sociedade civil para desenvolver atividades de Apoio às escolas de samba e blocos tradicionais.

 

Com o recurso de R$ 2,75 milhões, a União das Escolas de Samba do Distrito Federal vai atender pelo menos 15 localidades e territórios de escolas de samba. Já a Liga Carnavalesca dos Trios, Bandas e Blocos Tradicionais (LCTBBT) ficará a cargo de projeto voltado a oito localidades e territórios de blocos tradicionais, recebendo aporte de R$ 1,2 milhão.

 

Sobre a ‘Escola de Carnaval’, Hélio diz que “vai servir para preparar nossos componentes nas diversas áreas das escolas de samba para que o carnaval volte com força total em 2023. Estamos aguardando com muita expectativa o início dos cursos e acreditamos que será um grande sucesso”.

 

Escola de Carnaval
Onde: nas Regiões Administrativas do Distrito Federal: Ceilândia, Taguatinga, Santa Maria, Plano Piloto, Asa Norte e Cruzeiro.
Quando: de 21 de março até o dia 15 de julho
Inscrições: a partir de 25 de fevereiro
Para mais informações: www.escoladecarnaval.org.br

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br