Governo do Distrito Federal
22/04/22 às 22h28 - Atualizado em 26/04/22 às 13h38

Eixo Cultural agita o “Sorria, Brasília”

Texto: Déborah Gouthier (Eixo Cultural), Loane Bernardo (Espaço Oscar Niemeyer), Carol Ribeiro (Eixo Cultural), Lúcio Flávio (Cine e MPI)

 

Fotos: Nityama Macrini (Eixo Cultural), Caio Marins (MPI e Cine), Marina Gadelha (Espaço Oscar Niemeyer), Carol Lucena (Eixo Cultural)

 

Edição: Guilherme Lobão e Larissa Sarmento

 

22.04.22

 

22:30:00

 

Ouça o resumo da notícia

 

No quarto dia de atividades, o projeto “Sorria, Brasília”, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, animou o público brasiliense de todas as idades. Com uma programação multicultural formada por muitas atividades gratuitas, a capital federal ganhou uma comemoração democrática, inclusiva e diversificada para os seus 62 anos de vida.

 

A sexta-feira (22/4) do “Sorria, Brasília” seguiu com mostra de cinema, exposição, feira e com o Festival de Orquestras Populares. Mas foi no Eixo Cultural Ibero-americano que a festa reuniu mais gente em torno da vasta programação do espaço, sendo o ponto culminante da festa com muitos shows. Porém, desde o período matutino, o Eixo Cultural embalou atividades lúdicas de teatro, contação de histórias e muitas brincadeiras ao ar livre voltado para o público infantil.

 

EIXO MUSICAL

 

 

Música instrumental com sotaque pernambucano. Esse foi o tom da noite de sexta no Eixo Cultural Ibero-americano. O primeiro dia do Festival de Orquestras Populares foi movimentado e contou com cerca de 2 mil pessoas, de acordo com a produção do evento. Passaram pelo palco, a Orquestra Popular do Recife, fundada pelo escritor Ariano Suassuna em 1975, e dirigida pelo compositor e maestro Ademir Araújo; e a Orquestra Popular Quadrafônica, que tem como proposta básica fazer a releitura de standards do jazz.

 

A Quadrifônica toca composições dos grandes nomes da música contemporânea e de temas de filmes clássicos, em versões que fundem a sonoridade de orquestra com batidas eletrônicas, o que resulta num ritmo diferenciado e dançante.

 

Para o analista de licitação Saulo Bezerra, presente ao show, o cojunto traz uma proposta diferente para popularizar a vertente instrumental: “Recomendo pra quem tem preconceitos sobre músicas sem vocais”. Victoria Rossa, cosmetóloga, defende a democratização da música clássica. “Para mim tinha que ter mais eventos como esse, de fácil acesso a comunidade. Às vezes o público acha que não gosta porque não tem alcance”, provoca.

 

DIVERSÃO PARA A CRIANÇADA

 

 

No Eixo Cultural Ibero-americano, quem deu o tom e as cores da festa para a criançada no “Sorria, Brasília” foi a Cia. de Teatro Mapati, que divertiu crianças e adultos com circuito de acrobacias, pintura de rosto, balão, circo e bambolê. A trupe também apresentou o espetáculo “Os Saltimbancos” e contou a histórias como a da “Menina que Fazia Xixi”.

 

Para a atriz e fundadora do grupo, Tereza Padilha, essa é uma oportunidade excelente para reconectar as crianças à arte popular. “Brasília inteira está tendo arte. É um projeto em que todas as portas de cultura estão abertas”, comemorou.

 

O artesão Diego Silva levou a filha e os sobrinhos para aproveitar o dia no gramadão do Eixo. “É muito legal, muito melhor do que ficar em casa, no celular, eles estão aproveitando”, destacou.

 

“Acho incrível esse impulso cultural que Brasília tem, de valorizar o artista local, ocupar os espaços da cidade, integrar o patrimônio com a arte”, destacou a psicóloga Daniela Trigueiros, que foi ao Eixo com a filha de 7 anos. Nascida em Santos (SP), mas morando em Brasília há anos, ela destaca ser justamente a arte que a faz se sentir acolhida aqui. “É o que me mobiliza a amar essa cidade.”

 

FINE ART

 

 

As atividades no Eixo Cultural Ibero-americano seguem ao longo do fim de semana, com exposição, shows e a Feira Criativa. Para ver e refletir sobre o que constrói a singularidade da capital federal, o artista e designer brasiliense Pedro Garcia reuniu 21 impressões de fine art para retratar “O Mito de Brasília”.

 

Em exposição na Galeria Fayga Ostrower, a mostra é o resultado de um trabalho que começou em 2020 e pretende apresentar o entendimento de Brasília como um lugar único. Pedro apresenta como isso reverbera na visão do mundo sobre a cidade, mas também internamente, a partir de como a própria cidade se percebe.

 

“Escolhi lugares que, para mim, significavam alguma coisa, tanto os monumentos como lugares mais corriqueiros, como os pontos de ônibus. Tem alguns cartões postais da cidade e alguns lugares que só os brasilienses conhecem”, explicou o artista. Assim, as obras retratam de forma elegante e sintética os edifícios monumentais como o Palácio do Itamaraty e o Congresso Nacional, mas também as tesourinhas e corujas buraqueiras.

 

Quem também teve essa sensação foi a família de Sandro, que aproveitou o dia para passear e acabou, por acaso, conhecendo a exposição. “É diferente de tudo que a gente está acostumado, um ponto de vista diferente da cidade”, relatou Sandro.

 

Para o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, que se diz fã de carteirinha de Pedro Garcia, é um desafio duplo fazer um trabalho artístico em cima de uma obra de arte já consagrada, como Brasília. “Demonstra uma sensibilidade grande e um olhar aguçado sobre o nosso patrimônio”, explica.

 

Para conhecer mais da obra de Pedro Garcia, visite a exposição “O Mito de Brasília”, aberta todos os dias, das 10h às 17h.

 

CINE EM FESTA

 

Hugo Lira

Berê Bahia

A casa do cinema em Brasília completa 62 anos de existência nesta sexta-feira (22). São mais de seis décadas de tradição audiovisual e uma ligação com a cidade que transcende os milhares de filmes exibidos em sua grandiosa telona. Para festejar o aniversário do Cine Brasília, uma mostra especial foi elaborada como parte do “Sorria, Brasília”, com longas-metragens que foram, de alguma maneira, relevantes na história do espaço cultural projetado por Oscar Niemeyer.

 

Uma das obras-primas da seleção foi a exibição do clássico “A Canoa Furou”, filme de 1959 estrelado pelo comediante Jerry Lewis e a cuja estreia o presidente Juscelino Kubistchek chegou atrasado.

 

“Fazer uma mostra em homenagem ao Cine Brasília renderia vários recortes. Resolvemos olhar pelo lado histórico. Escolhemos filmes relevantes na história do espaço ou momentos marcantes vividos lá com esses filmes”, conta a jornalista e atriz Carmem Moretzsohn, que divide a curadoria da mostra com a jornalista Gioconda Caputo.

 

A “Maratona de Filmes” apresentou clássicos do cinema nacional como “Louco Por Cinema” (1994), “Bicho de Sete Cabeças” (2000), “Barra 68 – Sem Perder a Ternura” (2001) e “Tudo Bem” (1978). Este último, um filme do falecido cineasta Arnaldo Jabor, vencedor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro naquele ano.

 

Duas psicólogas prestigiaram a sessão das 12h com a família. Uma delas, Raíssa Völker, 47 anos, trouxe os dois filhos, um de 13 e outra de 7, para conhecer o espaço cultural simbólico da cidade. “Muito emocionante estar aqui e apresentar para os meus filhos um cinema que é o patrimônio da cidade”, disse. “Vinha muito ao Cine Brasília na época de estudante da UnB, tanto pela qualidade dos filmes que passavam aqui, quanto pelos festivais, é qualidade dos filmes muito pela qualidade dos filmes nos festivais e na tanto na época dos festivais, quando a gente praticamente acampava aqui”, recordou.

 

Recém-chegada da Amazônia, a psicóloga, Quézia Aguiar Simeão, 41 anos, visita o espaço pela primeira vez com a família. “Estamos conhecendo a cidade. Ouvi falar muito do Cine Brasília que, como os outros prédios da cidade, é muito bonito”, elogiou.

 

Pesquisadora e apaixonada pelo Cine Brasília, Berê Bahia não ia perder jamais a chance de ver o primeiro filme exibido no Cine Brasília em abril de 1961, única obra estrangeira na mostra. “É um momento simbólico, nesse espaço que é patrimônio da cidade”, registrou.

 

 

DIVERSIDADE INDÍGENA

 

 

 

Brasilienses e turistas de várias partes do Brasil prestigiaram o Memorial dos Povos Indígenas na tarde desta sexta-feira (22), visitando tanto as exposições do espaço, quanto a feira de artesanato de várias aldeias do país montada ao lado, no gramado.

 

Só nos últimos dois dias quase 1,2 mil pessoas já visitaram o local, como o médico de São José do Rio Preto (SP), Francesco Caporrino, de 51 anos. Ele fez questão de trazer toda a família para conhecer Brasília. “Já conhecia a cidade quando participei de um seminário tempos atrás, achei interessante e quis que eles conhecessem”, contou o urologista. “Esse memorial é um espaço muito interessante porque nos ajuda a entender a força da cultura indígena”, destacou ainda o profissional da saúde.

 

Para o músico Erik Schanabel, 31 anos, é de suma relevância valorizar e criar, cada vez mais, espaços que enaltecem a cultura dos primeiros povos que habitaram o Brasil. Segundo ele, ajuda no fortalecimento da União entre as comunidades.

 

“É importante receber essa diversidade de etnias e riqueza cultural e histórica”, avaliou. “O homem branco precisa se aproximar dessa sabedoria ancestral da floresta para buscar equilíbrio no futuro, onde todos possam viver em harmonia”, ensina.

 

Entre as atrações, estava o grupo de danças e cantos sagrados da aldeia Fulni-ô, de Pernambuco, da qual Pajé Tomé, 58 anos, faz parte.”Estamos felizes de participar desta festa bonita e poder mostrar a cultura e tradições do nosso povo, compartilhando nosso conhecimento para outras pessoas”, enfatizou.

 

ARTE E HISTÓRIA

 

 

No âmbito das comemorações do aniversário de Brasília, o Espaço Oscar Niemeyer também integrou o projeto “Sorria, Brasília” com a abertura da exposição “O Mestre e o Aprendiz, Oscar Niemeyer e Gervásio Cardoso”.

 

São 14 desenhos a lápis sobre papel manteiga (entre originais e reproduções), estudos feitos por Niemeyer para a Praça dos Três Poderes. Esse material foi um presente do arquiteto de Brasília ao então jovem desenhista Gervásio Cardoso, estagiário de Niemeyer durante as construções da capital.

 

Gervásio conta que cada croqui doado por Niemeyer representa uma emoção “impregnada”. “É com muito prazer que venho mostrar o trabalho que fiz junto com Oscar Niemeyer. Todas as vezes que precisei de sua atenção, ele sempre me atendeu com boa vontade. Aqui temos desenhos preciosos. Uma oportunidade única!”, enfatizou.

 

O secretário Bartolomeu Rodrigues ressaltou o pioneirismo de profissionais como Gervásio e Niemeyer. “Brasília é uma cidade imbatível para se viver. É o melhor lugar do mundo! É incrível e emocionante a demonstração deste trabalho se transformar nessa cidade. Essa exposição é na verdade, uma espécie de aperitivo para algo muito maior. A população precisa ter acesso a essa documentação”, celebrou o secretário.

 

Pioneiro de Brasília, Leon Orovitz, 88 anos, conta que acompanhou todo o desenvolvimento da cidade e ficou encantado com os desenhos de Gervásio. “A nossa cidade fez 62 anos e registros raros de seu planejamento são fundamentais para o conhecimento da população”, considerou. A servidora pública Ana Luíza de Medeiros conta que sempre acompanhou a trajetória do arquiteto. “Estar aqui hoje é demonstrar o carinho pela nossa cidade”, ressaltou.

 

“O Mestre e o Aprendiz” fica em cartaz de 22 de abril até 22 de maio. Horário de visitação: terça a sexta das 9h às 18h e sábados e domingos das 9 às 17h.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br