Governo do Distrito Federal
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18/12/20 às 10h13 - Atualizado em 18/12/20 às 12h34

Documentário questiona a criminalização dos movimentos sociais

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Texto: Lúcio Flávio. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

Um cinema comprometido com a questão social e que denuncia as injustiças, sobretudo, no Distrito Federal. Essa tem sido a missão da cineasta Dácia Ibiapina, que lança, na Mostra Brasília do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), seu mais recente trabalho, o polêmico “Cadê, Edson?”. O filme pode ser acessado pela Plataforma Canais Globo.

 

No documentário de pouco mais de 72 minutos, ela e sua equipe investigam trajetória e ações do personagem-título, Edson Francisco da Silva, ex-coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e integrante do Movimento Resistência Popular (MRP), questionando a criminalização e desqualificação dos movimentos sociais no País.

 

“Os movimentos sociais, como os dos sem teto, lutam por mudanças e acreditam, junto com (geógrafo e escritor) Milton Santos e (cineasta) Silvio Tendler, em uma globalização mais justa e mais inclusiva. Eu também boto fé nisso. Por isso faço esse tipo de filme”, explica Dácia, há dois anos aposentada da Universidade de Brasília (UnB), onde lecionava Audiovisual. “Queremos também mostrar que os sem teto, protagonistas desse filme, têm dignidade, família, vida afetiva, trabalham e percebem as injustiças sociais, violência, discriminação, o preconceito e a corrupção”, cutuca.

 

Com pesquisa sobre o tema realizada desde 2011, o filme, que conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC) e levou dois anos para ficar pronto. O ponto alto da narrativa é a ocupação de Edson e de membros do MRP ao antigo Hotel Torre Palace, localizado no Setor Hoteleiro Norte, no coração do Plano Piloto, em junho de 2016. Na ocasião, o prédio, então de propriedade particular, estava abandonado, o que motivou a ação dos sem teto. O protesto contou com grande operação policial e prisão dos líderes da manifestação, o que remete ao título do filme.

 

“Os desabrigados e suas famílias precisam morar. Ter uma moradia digna é um direito fundamental das pessoas e de suas famílias, direito assegurado pela Constituição de 1988. E ainda, propriedades privadas que não cumprem função social podem ser ocupadas”, pondera Ibiapina, nascida no Piauí, mas desde 1989 vivendo na capital.

 

“Manter terrenos ou habitações desocupadas durante anos, inclusive sem pagar os impostos (IPTU) e sem manutenção e segurança, como é o caso do Hotel Torre Palace, é especulação imobiliária e sonegação de impostos”, questiona a diretora, que sempre se norteou pelo discurso social em seus filmes anteriores, como “Ressurgentes” (2013).

 

“Acho que a questão social deve estar presente em todos os filmes brasileiros, sejam eles de ficção, documentário ou animação. É um tema inescapável para quem faz cinema no Brasil. Nossa memória cinematográfica nos exige isso. Basta olhar as 53 edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro”, reflete. A diretora se orgulha de participar da Mostra Brasília, segundo ela, “uma política pública que deu certo”. “A Mostra Brasília é uma conquista do cinema de Brasília, que fortalece a cidadania e identidade dos cineastas e dos moradores locais”, elogia.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br