Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
19/12/20 às 22h17 - Atualizado em 19/12/20 às 22h20

Documentário homenageia pai do “terrir”, gênero tipicamente brasileiro

COMPARTILHAR

Texto: Lúcio Flávio/Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

19/12/2020

22:18:00

 

Em 1982, uma horrenda múmia fugiu das Pirâmides de Gizé, no Egito, e veio parar em Brasília. Perambulou pela Praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios, Setor Comercial Sul e Conjunto Nacional, onde causou um grande alvoroço, até parar no Cine Brasília, onde iria protagonizar o filme “O Segredo da Múmia”, então destaque da Mostra Competitiva do 15º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). Estava inaugurado, assim, no Brasil, o gênero “terrir”, mistura de terror e comédia que tem em Ivan Cardoso seu grande representante. O diretor carioca é retratado em “Ivan, o TerrirVel”, documentário concorrente na Mostra Oficial da 53ª. edição do Festival de Brasília, em exibição neste domingo (20), às 23h, pelo Canal Brasil.

 

Acesse:

Programação detalhada  

Linha do tempo do FBCB

Últimas Notícias FBCB

Como assistir ao 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Programação paralela

 

“Essa expressão brasileira que mistura terror com comédia e que chamamos de ‘terrir’, palavra que não tem no nosso alfabeto, sempre existiu no cinema. Só que o ‘terrir’ do Ivan é único”, chama atenção o jornalista e cineasta Mario Abbade, diretor do documentário. “O ‘terrir’ do Ivan, além da comédia e do terror, tem a pornochanchada e a Tropicália, outros dois movimentos genuinamente brasileiros. Esse é o motivo de ele fazer sucesso também fora do Brasil”, emenda.

 

Em meados dos anos 80, Ivan Cardoso levou o filme para participar do Festival de Cinema de Barcelona e causou furor entre convidados, artistas e jornalistas. O cineasta, roteirista e produtor norte-americano, Samuel Fuller, viu e se entusiasmou. “Uma múmia no Brasil! Isto é cinema”, disparou. “Foi uma frase lapidar, decisiva e construtiva para minha obra”, diria um Ivan orgulhoso, em depoimento para o documentário que o homenageia.

 

“Isso é um clichê, mas só nos lembramos de um artista ou figura importante da cultura, quando ela morre. Então, falei, quero mostrar, resgatar a obra do Ivan enquanto ele estiver vivo, o mais bacana é isso”, argumenta Abbade. “É um filme muito importante, um tesouro, um arquivo da obra desse artista”, diz, sem modéstia.

 

Norteado por montagem ágil, material de arquivo impecável e humor inteligente, “Ivan, o TerrirVel” mostra como um jovem carioca, neto de militar, siderado por cultura pop e pelo lado marginal da vida, cheio de personagens marcantes e inusitados, tornou-se um dos cineastas mais originais do País, além de fotógrafo de mão cheia e artista plástico criativo. Hoje, aos 68 anos, Ivan Cardoso continua na ativa.

 

“Bacana que o filme tenha sido selecionado junto com outros trabalhos que falam sobre cinema, é o resgate do cinema brasileiro. Só de ter sido selecionado no Festival de Brasília, o mais importante evento do cinema do Brasil, já é um prêmio”, reconhece Abbade. “E mais uma vez o f faz história. Não é por acaso que foram selecionados cinco documentários para mostra competitiva, mostrando que o Brasil tem tido um destaque nesse gênero”, elogia.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br