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15/12/20 às 13h46 - Atualizado em 15/12/20 às 13h51

Documentário baseado em cartas de amor abre mostra competitiva de longas

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Texto: Lúcio Flávio/Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

15/12/2020

13:46:00

 

Se há uma palavra que a cineasta e montadora pernambucana Natara Ney gosta de usar é afeto. É natural, portanto, que seu primeiro longa-metragem, o documentário “Espero Que Esta te Encontre e Que Estejas Bem”, que abre a mostra competitiva de longa-metragem do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, seja norteado, do início ao fim, pelo sentimento.

 

Um projeto de 10 anos, a obra, com seu título poético, é prova cabível de que não há limites para temáticas e narrativas no cinema. O filme narra a história de um amor que sobrevive há quase 70 anos, contada por centenas de cartas que se perderam na poeira da vida. Mais precisamente, 110 correspondências, encontradas, num golpe de sorte do destino, em janeiro de 2011, numa feira de antiguidades da Praça XV, no Rio de Janeiro.

 

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foto: Felipe Fernandes“Cheguei às cartas durante pesquisa para um projeto de outra pessoa, eram lindas e bem escritas”, lembra Natara (foto), ainda emocionada com o achado. “Organizei tudo por ordem cronológica e comecei a ler. Aquilo era um diário que contava a vida de um casal durante dois anos, a expectativa daquele amor, da união de ambos, a chegada do casamento, a mudança das cidades”, conta a diretora.

 

As cidades às quais ela se refere são Campo Grande, capital sul mato-grossense, e o Rio de Janeiro, então Distrito Federal do País. Durante os anos de 1952 e 1953, os pombinhos trocaram intensas, apaixonadas e afetivas cartas de amor. À época, ele era um funcionário da extinta empresa aérea Panair do Brasil, então de passagem por Campo Grande. Ela, uma moradora pertencente a tradicional família da região.

 

A partir desse desenlace fecundo, o espectador é convidado a passear por emocionante narrativa marcada por memórias, saudades, passagem do tempo, assim como a participar de intrigante abordagem sobre a rapidez e superficialidade dos dias atuais. Impressões captadas desde o momento em que a diretora se dispôs a devolver as missivas para seus verdadeiros donos, ou pelo menos seus familiares, registrando o caminho e as vozes dessa aventura. O desfecho é apaixonante.

 

“Percebi que as cartas eram uma cápsula do tempo. E que cada pessoa que tocava naquele material, abria uma gaveta de memória, afeto e amor”, revela. “Vivemos tempos de ansiedade, de velocidade, em que você tem que ser mais rápido para ser melhor. O filme é uma reflexão sobre o tempo em que vivemos e a importância de preservar a memória, os arquivos”, observa.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br