Governo do Distrito Federal
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20/12/20 às 15h50 - Atualizado em 20/12/20 às 15h50

Diretores debatem espiritualidade do negro brasileiro no cinema

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Texto: Sâmea Andrade. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

20/12/2020

15:50:00

 

A 53ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi palco, neste domingo (20), de debate virtual para lá de importante. Diretores dos curtas-metragens “Guardião dos Caminhos” e “República” deram seus depoimentos, com a mediação de Clementino Júnior, sobre as perspectivas de representação do negro no cinema, com enfoque nas religiões de matriz africana. O debate foi transmitido pelo canal do YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec).

 


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No audiovisual desde 1993, o cineasta carioca Clementino Junior já computa 25 trabalhos na carreira. Idealizador do Cineclube Atlântico Negro (CAN) – que exibe filmes sobre temática recorrente em suas obras, a diáspora africana -, é presidente da comissão que selecionou os curtas-metragens desta edição do festival. Clementino abriu o debate falando sobre a representação do negro nas produções audiovisuais. “Tá melhorando, mas ainda é pouco, diante da população majoritariamente de pretos e pardos”, defendeu.

 

“Guardião dos Caminhos” homenageia Exu, divindade da religiosidade afrobrasileira. Milena Manfredini, com formação na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, e em Antropologia na PUC-Rio, assina roteiro e direção do curta. “O Orixá Exu é a entidade responsável pela comunicação, pela guarda dos caminhos. Não é à toa a escolha do nome”, pontuou.

 

Milena contou que tomou alguns cuidados ao abordar o tema, tendo inclusive tomado consultoria com a Ialorixá Mãe Celina de Xangô, diretora executiva do Centro Cultural Pequena África. “Primeiro é preciso entender se eu tenho caminho, licença pra isso. Quem é de axé vai entender”, sugeriu. Segunda a diretora, a iniciativa de registrar certos ritos deve ser permeada de responsabilidade, por isso optou pela atuação. “Pra mim, era importante que a gente representasse, sem revelar a expressão desse orixá numa incorporação, por exemplo”, pontuou.

 

Grace Passô é a responsável por direção, roteiro e ainda atual no curta “República”, totalmente rodado dentro de um apartamento, durante o início da quarentena necessária ao combate da Covid-19. A questão da religiosidade afro-brasileira também aparece no filme, que discute a crise ética do atual momento político. Por questões de agenda, a diretora não conseguiu participar ao vivo do debate, mas deixou gravado depoimento no qual explica seu curta. “’República’ é uma reação diante das violências praticadas pelo governo brasileiro nessa pandemia”, resumiu.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br