Governo do Distrito Federal
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5/07/19 às 16h58 - Atualizado em 5/07/19 às 16h58

Diretor de criação de Vila Isabel do Rio reúne-se com escolas de samba de Brasília em workshop

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Encontros preparam a volta dos desfiles das escolas de samba do DF no Carnaval de 60 anos da capital

 

O diretor de criação da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, do Rio de Janeiro, Edson Pereira, reuniu-se hoje (5) em Brasília, com representantes de agremiações de samba do DF como parte do trabalho de retomada dos desfiles de rua na capital federal no ano que vem, quando Brasília completa 60 anos e será tema da apresentação da tradicional escola no sambódromo carioca.

 

O secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Adão Cândido, passou pela oficina para desejar aos carnavalescos um trabalho produtivo. “A nossa gestão apoia essa iniciativa e vai investir na volta dos desfiles de rua, o que é bom para a cultura e para a economia da cidade”.

 

A Secec criou um Laboratório de Carnaval e Economia Criativa, coordenado por Sol Montes, que anunciou que a pasta abrirá no Parque da Cidade um espaço, a Casa do Samba, que vai funcionar como polo irradiador de conhecimentos sobre a cadeia produtiva do carnaval. “Buscaremos também repetir nos barracões das escolas do DF oficinas que multipliquem o conhecimento de planejamento e produção da festa”, disse Sol.

 

O carnavalesco Edson Pereira, que chegou a ser morador em situação de rua no Rio e foi resgatado pelo carnaval, contou um pouco de sua trajetória aos representantes das escolas de samba do DF e utilizou um mantra para convocar os seus pares à ação, no intuito de superar dificuldades de várias naturezas: “Carnaval é resistência”. Ele começou como pintor de carros alegóricos, oportunidade que ajuda a tirar crianças do caminho do tráfico e da criminalidade. “Se não fosse pelo Carnaval, não sei se estaria vivo”, desabafou.

 

Ele disse aos representantes das escolas de samba de Brasília que o papel da escola carioca é de incentivar a formação de artistas e técnicos da festa popular no Distrito Federal, ajudando a capacitar e contratar dentro da cadeia produtiva local.

 

“Precisamos formar e gerar renda para costureiras, aderecistas, pintores, carpinteiros, serralheiros, eletricistas, enfim, o universo de pessoas que podem viver desses trabalhos”, defendeu.

 

Edson explicou o processo criativo de um desfile de escola de samba, que começa com definição do tema a ser desenvolvido, se desdobra em pesquisas que vão ganhando forma em desenhos de fantasias, alegorias e carros. “Precisamos unir o conhecimento artístico ao econômico. Buscamos soluções que sejam plasticamente bonitas e tecnicamente viáveis”, sintetizou.

 

Participaram do encontro representantes da Associação Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), Império do Guará, Unidos de Vicente Pires, Acadêmicos da Asa Norte, de Santa Maria, Candangos do Planalto, Acadêmicos do Núcleo Bandeirantes e a Capela Imperial de Taguatinga. Jodette Amorim, dos Acadêmicos da Asa Norte, várias vezes campeã no grupo especial, mostrou-se preocupada com o cronograma de liberação de recursos. “Em julho, temos de ter enredo e figurinos prontos para podermos desfilar no carnaval”, explicou.

 

Pereira manteve o tom otimista do encontro: “Nós, carnavalescos no Rio, estamos atravessando um momento de crise e gostaríamos de ter a oportunidade de nos reunir com o governo local, como vocês estão fazendo aqui. Agarrem essa oportunidade”.