Governo do Distrito Federal
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26/02/19 às 19h37 - Atualizado em 27/02/19 às 10h28

Cultura discute captação de recursos para preservar capital e digitalizar bibliotecas públicas

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O que fazer para preservar uma cidade que é Patrimônio Mundial declarado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em razão de seu valor arquitetônico e urbanístico, com mais de cem quilômetros quadrados de área tombada? A resposta, que nunca foi devidamente enfrentada pelos governos do Distrito Federal, começou a ganhar forma durante reunião entre o secretário de Cultura, Adão Cândido, e os deputados distritais Cláudio Abrantes (PDT) e Jorge Vianna (Podemos), que decidiram criar uma Frente Parlamentar para garantir os recursos de preservação dos patrimônios materiais e imateriais da capital federal, uma ambição do governador Ibaneis.

 

“Se queremos ter uma capital como nos projetos de Niemeyer, Lúcio Costa e Burle Marx, precisamos conseguir os meios, porque isso custa dinheiro”, resume o secretário.

 

“Na França, há uma lei que destina 1% dos custos de obras públicas para a preservação do patrimônio. Queremos repetir isso aqui”, acrescentou o distrital Abrantes. Ele pensa em emendar uma lei já aprovada e não regulamentada, que tangencia a questão. Trata-se da lei 2365 de 1999, que dispõe sobre a inclusão de obras de arte nas edificações de uso publico ou coletivo no DF.

 

Segundo Jorge Vianna, presidente da Comissão de Cultura, Saúde e Educação, a pauta tem amplo apoio e pode ser discutida em audiência pública na Câmara Legislativa. Ele sugeriu que o debate pode ser feito já em abril, mês do aniversário de Brasília.

 

Bibliotecas digitais
O encontro entre Adão Cândido e os distritais também serviu para falar sobre a reformulação do sistema de bibliotecas públicas. O DF conta com 40 bibliotecas, sendo 26 públicas, ligadas às administrações regionais, e 14 setoriais, sob o guarda-chuva da Secretaria de Educação.

 

A ideia do secretário de Cultura é usar a expertise da Biblioteca Nacional de Brasília, que dispõe de 20 bacharéis em biblioteconomia, para treinar professores, de modo a interligar e modernizar o sistema.

 

A modernização passaria também pela adoção de software livre da Nova Zelândia e da participação da Google. “Eles vão trazer o que há de mais moderno e poderemos digitalizar cerca de 80 mil títulos de domínio público, além de nossos equipamentos culturais, a fim de que Brasília possa ser visitada virtualmente”, comemora Adão Cândido.

 

O papel dos deputados distritais nesse assunto é ajudar a montar um sistema em que todos os órgãos e a população do DF obteriam vantagens. “A Educação vai ganhar recursos didáticos, a Cultura atualizará e aumentará o acervo, e a Administração passa, em razão disso, a cuidar de equipamentos de grande utilidade pública, um ganho político”, resume o secretário da Educação.