Governo do Distrito Federal
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24/05/19 às 20h32 - Atualizado em 24/05/19 às 20h32

Cultura atende demanda indígena sobre MPI e abre canal para que etnias acessem linhas de fomento


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Representantes de quatro secretarias de estado do Governo do Distrito Federal (GDF) participaram de reunião hoje (24) com representantes do movimento indígena do Distrito Federal na Câmara Legislativa do DF (CLDF) para ouvir demandas das etnias.

 

O representante da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SECEC), subsecretário de Difusão e Diversidade Cultural, Pedro Paulo de Oliveira (Pepa), apresentou o novo gerente do Memorial dos Povos Indígenas, David Terena, que assume o equipamento na próxima segunda-feira (26). Ele ressaltou que a pasta  está aberta para ouvir as demandas dos representantes genuínos. “Não queríamos uma Organização da Sociedade Civil em um lugar onde devemos ter um representante dos povos originários”, completou.

 

O indígena Yan Ju Guarani disse que o Conselho Indígena do DF, que reúne 15 etnias, apoiou a escolha de um representante dos povos para a gestão do Memorial. A pauta de reivindicações dos indígenas incluía, além da gestão do MPI, problemas de moradia, coleta de lixo, transporte, meio ambiente e educação e geração de renda.

O subsecretário Pepa defendeu a valorização do trabalho artístico de do artesanato indígena e falou com o grupo sobre as linhas de fomento da Secec e sobre o impacto da economia criativa na geração de emprego e renda. “os parlamentares da Câmara Legislativa dispõem de emendas para executar projetos culturais”, explicou.

Jheniffer Tupinikim gostou da ideia. “Meu povo está cansado de só ter visibilidade no mês de abril” (quando se comemora o Dia do Índio). O representante da SECEC se comprometeu ainda em trabalhar para que o artesanato não seja confundido com artigos vendidos por ambulantes.

 

A situação mais grave ficou no âmbito da educação. Representantes dos povos originários denunciaram frequentes casos de “bullying” de crianças da etnia por colegas de sala que se assumem como brancos. “Não é só discriminação, mas também violência física. Algumas crianças se recusam a ir para a escola e temos de mandá-las de volta às aldeias”, alerta Marinilds Kariri-Xocó. Marinilds cobrou da pasta de Educação um trabalho de sensibilização de professores e gestores. A servidora da Educação, Aldenora Macedo, defendeu a sensibilização, que consiste em ter os indígenas familiarizando estudantes com as culturas originárias do Brasil, quebrando com isso preconceitos arraigados – que as crianças apenas reproduzem – e também a produção de material didático pelos indígenas. 

 

Representantes do Meio Ambiente se comprometeram a fazer interlocuções no âmbito do poder público local sobre coleta de lixo e degradação do ambiente pala ação da especulação imobiliária. A pasta da Justiça informou que será montado um grupo de trabalho para encaminhar oitivas não só com os indígenas, mas também com ciganos, de modo a orientar políticas públicas para transporte e outros direitos atropelados.

 

O deputado Fábio Felix, professor de ofício, concordou com a importância da educação em se contrapor à cultura do preconceito, base do pensamento conservador crescente no país. Como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da CLDF, defendeu a produção de cartilhas educativas sob a ótica dos povos indígenas e deu completo apoio ao movimento. “Fizemos uma Sessão Solene do Dia do Índio em data próxima ao Acampamento Terra Livre. Podem contar conosco. Vamos cobrar das secretarias ações concretas”, prometeu o parlamentar.