Governo do Distrito Federal
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29/05/20 às 18h10 - Atualizado em 29/05/20 às 18h11

Confira lista de curtas-metragens que o Cine Brasília preparou para assistir em casa

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Cineastas avaliam a importância do gênero no desenvolvimento da arte em que a capital se destaca

 

A equipe do Cine Brasília, equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec), selecionou curtas-metragens como opção para se assistir em casa durante o isolamento social em razão da pandemia de coronavírus (veja no final). O formato, cuja produção tem apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), na modalidade Audiovisual, vem ganhando público pela compatibilidade da menor duração com dispositivos e plataformas digitais.

 

Na visão da pesquisadora do gênero e curadora Lila Foster, “a internet propiciou que os curtas-metragens circulassem para além dos circuitos de exibição mais tradicionais e agora, em tempos de pandemia, as plataformas digitais estão permitindo que os festivais continuem. Tem sido interessante ver como os filmes estão circulando nesses novos contextos”. Foster está desenvolvendo pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB) sobre a história do “Festival de Cinema Amador JB/Mesbla”, um dos primeiros festivais brasileiros de curta-metragem.

 

A idealizadora e diretora do “Curta Brasília, Festival Internacional de Curta-metragem” – evento apoiado pelo FAC –, Ana Arruda, situa de dez anos para os dias de hoje uma verdadeira mudança de paradigma no consumo do gênero por causa da internet. Ela explica que principalmente crianças e jovens têm assistido a animações, clipes e produções próprias sem dar o nome de curta a isso.

 

“As telas dos curtas-metragens se ampliaram ao longo dos últimos anos, passando do modelo tradicional do cinema e da televisão para plataformas on-line digitais”, diz Ana, que cita como exemplos as produções no “YouTube”, “Curta!” e “Cardume”. “O curta tem ganhado público porque é um formato muito dinâmico e adequado aos tempos de hoje”, resume.

 

Tecnicamente nos padrões mundiais, curta-metragem é um filme de duração inferior a 40 minutos. No Brasil, com a Lei do Curta, de 1975, caduca na prática, essa duração foi reduzida para 15 minutos a fim de possibilitar que filmes nacionais de cunho informativo fossem exibidos antes de longas estrangeiros nas salas de cinema.

 

A Lei do Curta ainda divide opiniões entre realizadores, mas, na opinião de Lila Foster, propiciou um espaço muito potente para exibição e produção do filme curto, além de permitir a capitalização dos produtores. “Pensar na inserção comercial do curta-metragem é fundamental para os dias de hoje”, entende ela.

 

O diretor, montador, curador e programador de cinema e audiovisual Arthur B. Senra, que está com a animação experimental “Estranho Animal” (2019, 5 min, 14 anos) no portal “Curta!”, considera “muito importante o investimento público no curta-metragem, pois é possível fomentar uma quantidade maior de projetos e viabilizar o surgimento de novas estéticas, assuntos e subjetividades”.

 

Ele considera o curta-metragem ideal para maior experimentação e invenção: “É um investimento essencial para a inovação, criatividade e renovação do setor audiovisual, na democratização do acesso ao dinheiro público e no aumento de projetos de menor duração que garantem trabalho no setor para muitos profissionais”.

 

A importância do formato no desenvolvimento da narrativa audiovisual é consenso entre profissionais entrevistados. Lila defende o curta-metragem como “um rico espaço de experimentação e formação, algo de extrema importância para a indústria audiovisual como um todo, refletindo todas as possibilidades da arte”. Ana Arruda complementa: “Nos curtas, os cineastas vão desenvolvendo a própria linguagem na prática. O formato acolhe tanto estreantes como cineastas experientes”.

 

O ex-diretor do Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo do DF – unidade que existiu de 1991 a 2010 em Sobradinho – e atualmente coordenador de Audiovisual na Secec, Wanderlei Silva, testemunha a importância do curta na cadeia produtiva do segmento.

 

Ele estima que mais da metade das 485 produções que passaram pelo galpão com estúdios e camarins que impulsionaram a produção cinematográfica no DF foram de curtas. Entre 70 e 80 longas-metragens fizeram uso das instalações no mesmo período.

 

Ana Arruda confia no gosto do público pelo formato e já prepara a edição do “Curta Brasília” deste ano. Na incerteza da possibilidade de fazer o festival internacional em dezembro de forma presencial, ela articula a nona edição do evento em plataforma virtual.

 

“Faremos atividades on-line ao longo do ano no site e redes oficiais do Curta Brasília. O intuito é expandir ações e cooperações internacionais especialmente na área de cinema de realidade virtual”, anuncia. Isso vai incluir as oficinas e residências que normalmente acompanham o evento.

 

Confira a seguir as sugestões de curtas do programador do Cine Brasília, Rodrigo Torres, para assistir em casa.

 

“Extratos” (2019)

Direção: Sinai Sganzerla / Documentário / 8min / Classificação: Livre

Sinopse: Extratos é um curta-metragem com imagens entre 1970 e 1972 nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Londres, Marrakech, Rabat e a região do deserto do Saara. As imagens foram filmadas por Helena Ignez e Rogério Sganzerla no exílio, nos anos de chumbo. O filme é também sobre a esperança. Algo afável é possível, mesmo quando há indicações do contrário.

Link: http://portacurtas.org.br/filme/?name=extratos

 

“Estranho animal” (2019)

Direção: Arthur b. Senra / Animação / 5min / Classificação: 14 anos

Sinopse: (por Fabio Rodrigues Filho) Singelo e profundo tratado dos voos, o curta Estranho Animal interpõe técnicas de animação e fotografias para pensar sobre a animalidade da ditadura e, no extremo oposto, sobre o belo animal que é a liberdade. O filme de Arthur B. Senra nos convida a um voo metafísico aos deslimites do sonhar. Adentramos num espetáculo em preto e branco, entre o realismo e o surreal, entre as cinzas e o ar, entre o fim e o começo, para refletirmos sobre as asas que nos fazem andar.

Link: http://portacurtas.org.br/filme/?name=estranho_animal

 

“Alfazema” (2019)

Direção: Sabrina Fidalgo / Ficção / 24min / Classificação: 14 anos

Sinopse: É carnaval e Flaviana vive um difícil dilema; como se livrar do amante que se recusa a sair de seu chuveiro?

Premiações: Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: Melhor direção e melhor trilha sonora, Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro: Melhor filme – Júri Popular

Link: http://portacurtas.org.br/filme/?name=alfazema

 

“Parece comigo” (2016)

Direção: Kelly Cristina Spinelli / Documentário / 26min / Classificação: Livre

Sinopse: “Meninas negras não brincam com bonecas pretas”, diz a letra do rap de Preta Rara, uma das personagens do filme. O documentário explora o problema da falta de bonecas negras no mercado brasileiro e mostra o trabalho das bonequeiras que tentam mudar esse cenário, enfrentando a indústria de brinquedos por meio de seu artesanato consciente.

Disponível gratuitamente para streaming até 14/06/2020 no link https://www.videocamp.com/pt/campaigns/quarentena-brunograziano-parececomigo/player

 

“Waapa” (2017)

Direção: Renata Meirelles, David Reeks, Paula Mendonça/ Documentário / 20min / Classificação: Livre

Sinopse: O documentário propõe um mergulho inédito na infância Yudja (Parque Indígena do Xingu/MT) e os cuidados que acompanham seu crescimento. O brincar, a vida comunitária e as influências de uma relação espiritual com a natureza são revelados como elementos que organizam o corpo-alma dessas crianças.

Disponível gratuitamente para streaming até 14/06/2020 no link https://www.videocamp.com/pt/campaigns/quarentena-believe-waapa/player