Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
3/04/20 às 14h17 - Atualizado em 3/04/20 às 17h08

Com homenagem aos 60 anos de Brasília, revista científica mostra força do projeto Territórios Culturais

COMPARTILHAR

Periódico indexado e bem-avaliado pela Capes traz artigos de servidores da Cultura e Educação

 

A primeira edição de 2020 da revista eletrônica “Com Censo” (RCC), periódico científico vinculado à Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), voltado para temas de pedagogia no âmbito da educação pública, mostra a força do projeto Territórios Culturais – fruto de parceria da Educação com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

 

Com tema “Brasília 60 anos: Educação e Patrimônio”, a RCC traz quatro artigos de servidores das duas pastas – três deles da Secec, sendo que duas autoras assinam juntas um texto, e dois da SEEDF – todos ligados ao Territórios Culturais, projeto que promove a gestão compartilhada de ações de políticas de educação patrimonial nos equipamentos da Secec em parceria com a Educação.

 

Em “Formas de proteção do patrimônio cultural do Distrito Federal”, a analista de atividades culturais Rayane Cristina Chagas Silva, da Secec, aborda as formas de proteção do patrimônio para além dos monumentos arquitetônicos, mostrando a importância de englobar nesse esforço de preservação “modos de ser e fazer, lugares, manifestações e celebrações que constituem a identidade dos habitantes do DF”.

 

Graduada em Pedagogia, a mestranda em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde pelo Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) entende que “maioria de nós enxerga a expressão ‘patrimônio cultura’l como uma coisa muito distante e se esquece que coisas simples, como aquela festa típica da nossa região administrativa, a forma tradicional de fazer um doce ou a pracinha onde a avó da gente contava histórias – tudo isso é patrimônio cultural”.

 

A mineira Mariah Boelsums assina com a colega do núcleo de restauração da Secec, Maria de Fátima Medeiros de Souza, o artigo “Preservação do Patrimônio Cultural do Distrito Federal: Uma abordagem sócio-educativa do processo de conservação e restauro de esculturas em espaço público”.

 

“O nosso texto tratou basicamente da relação entre conservação/restauração de esculturas em espaço público e ações de educação patrimonial, entendendo que a sensibilização do público escolar é uma ferramenta essencial para a preservação dos bens culturais do Distrito federal”, resume Maria de Fátima, graduada em Artes Plásticas, mestre em Ciência da Informação e doutoranda em Teoria e História da Arte, pela UnB.

 

Mariah defende a participação do corpo de servidores em publicações porque elas “possibilitam a divulgação do trabalho desenvolvido, a troca de experiências e fortalece a atuação em campos de saber, especialmente os menos conhecidos como a conservação e restauro. Uma publicação como essa, que associa a educação patrimonial com conservação e restauro, contribui para a compreensão da transdisciplinaridade tão presente nas profissões que lidam com o ensino e com o patrimônio cultural”, explica a bacharel em Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis e mestre em Patrimônio Cultural pela Escola de Belas Artes, nos dois casos na Universidade Federal de Minas Gerais.

 

A publicação de artigos numa revista classificada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Educação, mostra a capacidade técnica do corpo de servidores das duas pastas envolvidos no projeto dentro do programa “Cultura Educa”, da Secretaria de Educação, que trabalha temas como educação patrimonial e ambiental.

 

Karolline Pacheco Santos, da SEEDF, apresenta o ensaio “Patrimônios e pertencimentos: a Educação Patrimonial como instrumento de democratização cultural”. Nele, ela compartilha sua experiência no projeto Territórios Culturais durante o passado, como educadora lotada no Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC), equipamento da Secec. No atendimento a escolas públicas e público em geral, ficou à frente de programações como oficinas, sessões do Cine Museu, palestras com profissionais da área de museus entre outras atividades.

 

Atualmente, é doutoranda em Museologia da Universidade Lusófona de Humanidade e Tecnologias, em Lisboa, com projeto de pesquisa voltado para a realidade patrimonial do DF e desafios como educadora. “É consequência de um projeto que desenvolvi com a experiência nos Territórios Culturais”, conta ela, mestra em História pela UnB, com ênfase nas áreas de política, instituições e relações de poder.

 

A coleção de títulos de alta relevância acadêmica encontra outro exemplo no professor Victor Hugo Amancio do Vale, que também atuou nos Territórios Culturais, lotado no Catetinho, também da Secec. Além desse e do MVMC, o projeto possibilita vivências no Cine Brasília, Centro Cultural Três Poderes e Memorial dos Povos Indígenas.

 

Na revista trimestral disponível aqui, Victor Hugo aborda justamente uma “Proposta de Educação Patrimonial para estudantes de escola pública no Museu do Catetinho em Brasília-DF”. “A minha experiência lá foi muito rica porque tive a oportunidade de aliar a educação patrimonial à educação ambiental, através de visitas de escolas à Nascente Tom Jobim, que fica no interior da área do museu”.

 

Ele conta que “pôde fazer com os alunos a trilha sensorial no espaço da nascente, que consistia em vendar os estudantes e percorrer uma parte do caminho com eles vendados, para maior integração com o ambiente por meio dos outros sentidos, olfato, tato e audição, e não só a visão”.

 

Formado em geografia e aluno de doutorado no mesmo assunto na UnB, Victor, que trabalha há 10 anos na educação, testemunha também sua experiência em educação patrimonial. “Foi muito interessante, pois os alunos ficam bem surpresos com a história do Palácio do Catetinho e da construção de Brasília”.

 

Em tempo: no artigo “A caixa patrimonial: Um projeto de Educação Patrimonial para escolas do Distrito Federal”, participa também a servidora de Territórios Maria Paz Josetti Fuenzalida. É bacharel e licenciada em Ciências Sociais e mestre em Sociologia pela UnB e doutoranda em Museologia na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. É professora de sociologia na rede básica de ensino do DF. Atuou em educação patrimonial no Centro Cultural Três Poderes.

 

Na publicação, “Territórios” é objeto do artigo “Projeto Territórios Culturais: Educação Patrimonial e Museal no Distrito Federal”.