Governo do Distrito Federal
28/06/22 às 14h20 - Atualizado em 28/06/22 às 15h17

Cena Contemporânea volta aos palcos

Ascom/Secec

28.6.22

15:50:00

 

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Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília começa nesta terça-feira, dia 28 de junho, em formato presencial depois de duas edições remotas em razão da pandemia da covid-19. A programação vai até 10 de julho em vários equipamentos culturais do DF, trazendo, além das apresentações de teatro, filme, exposição e show. Em 2022, o Cena homenageia os 60 anos de fundação da Universidade de Brasília (UnB), na figura de seu criador e primeiro reitor, Darcy Ribeiro, e o diretor uruguaio-brasiliense Hugo Rodas (1939 – 2022).

 

Foto de Marina Gadelha

 

“O Cena Contemporânea é um festival super tradicional na cidade. E o FAC contribuir com o evento significa que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa atingiu seu objetivo, que era o de chegar nessas grandes produções para ajudar e dar impulso na cadeia produtiva. Estamos muito felizes”, afirma o subsecretário de Fomento e Incentivo Cultural, João Roberto Moro.

 

O tradicional evento conta com fomento de R$ 1.460.320 do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), e possui a estimativa de geração de 284 empregos diretos e 345 indiretos.

 

“O Cena Contemporânea nasceu há 27 anos e chega à vigésima terceira edição. Realizá-la tem um significado especial para nós, pois não tem sido fácil fazer cultura no Brasil. No DF, o FAC tem permitido que o setor cultural siga presente na vida das comunidades e nos dá muito orgulho poder apresentar uma programação tão rica e diversa”, declara o idealizador e curador, Guilherme Reis.

 

PROGRAMAÇÃO PLURAL

 

No reencontro presencial, espectadores verão trabalhos de artistas do Brasil, Portugal e Argentina, num total de 21 espetáculos, além de 12 atividades formativas e educativas, como oficinas e encontros, num cardápio inspirado pela convicção do curador de que “um festival de teatro é um ato revolucionário”.

 

O evento carrega em sua agenda questões complexas e polêmicas como fluxos migratórios provocados por tragédias e perseguições, invisibilidade social, conflitos envolvendo territorialidade, sexualidade, gênero, memória indígena, ancestralidade, emergência climática e a exploração do ser humano pelo ser humano. Confira a programação.

 

Já na abertura, Denise Fraga apresenta o solo “Eu de Você”, construído a partir de narrativas reais. A atriz carioca, que comemora 35 anos de carreira, é acompanhada por uma banda formada só por mulheres, interpretando sucessos da MPB. Também na estreia, em “Stabat Mater” (estava a mãe, em latim), a atriz, diretora e dramaturga paulista Janaína Leite faz uma incursão autobiográfica em maternidade, sexualidade, violência e pornografia.

 

Foto de José de Holanda

Arnaldo Antunes e Vitor Araújo

No show “Lágrimas no mar”, o ex-integrante do Titãs Arnaldo Antunes e o pianista pernambucano Vitor Araújo levam para o palco as canções que fazem parte do recém-lançado álbum homônimo. Trata-se de um disco que, como define o cantor e compositor paulista, “tem uma vontade engasgada de chorar”. Em formato voz e piano, Arnaldo e Vitor executam uma lista introspectiva, numa promessa de catarse no contato com o público.

 

O Cena também abriga a primeira exposição individual do fotógrafo e artista visual Humberto Araújo, no “Festival do Nada”. São fotos “stills” de objetos e cenários realizadas ao longo de oito anos de cobertura fotográfica de vários festivais e mostras de teatro, dança, cinema e música. A exposição propõe uma narrativa poética do silêncio, do vazio e dos rituais que ocorrem no espaço/tempo fora da cena. Araújo é fotógrafo de cena e de palco, de eventos e manifestações culturais.

 

Representando o cinema, o longa-metragem documental “Quem tem medo” (2022, 71 minutos, 14 anos) trata da recente ascensão da extrema direita no Brasil a partir da perspectiva de artistas que tiveram obras censuradas. O filme de Dellani Lima, Henrique Zanoni e Ricardo Alves Jr quebra o silêncio que se depositou sobre aquelas obras.

 

DEPOIMENTOS

Divulgação

Camila Guerra

A atriz Camila Guerra está em dois trabalhos no Cena: “Pedra (P)árida”, com Édi Oliveira, um espetáculo de dança-teatro que trata de opressões, desafios e lutas femininas em vários contextos, e “O Rinoceronte”, adaptação da peça de Ionesco, que relata o comportamento de manada das pessoas, pela Agrupação Teatral Amacaca (ATA), último espetáculo dirigido por Hugo Rodas apresentado presencialmente.

 

“Ser artista nesse país, fazer teatro aqui é pura rebeldia, pura persistência, demanda muita coragem. É uma honra participar desse festival. Estou feliz com a retomada presencial. Está todo mundo com saudade da presença, e teatro é pura presença”, sentencia a atriz, que é bacharel em interpretação teatral pelo Departamento de Artes Cênicas da UnB e aluna de Licenciatura em Dança no Instituto Federal de Brasília (IFB).

 

“Übercapitalismo”, do diretor e dramaturgo Rodolfo Godoi, também do DF, lança seu olhar sobre o avanço tecnológico a serviço da ampliação dos processos de exploração do trabalho. “Essa é minha estreia no Cena Contemporânea e nossa expectativa com essa retomada do festival presencial é total. A gente espera que seja um movimento de reencontro num ano muito importante para o Brasil”, relata.

 

“O espetáculo traz um tema urgente e atual, que é a realidade dos entregadores e dos trabalhadores por aplicativos, uma realidade de exploração global”, afirma o artista de teatro e sociólogo, que também é professor na Secretaria de Educação do DF e mestre em Sociologia pela UnB. Rodolfo é fundador e pesquisador no Instituto Cultura Arte e Memória LGBT+.

 

Luiz Fernando Marques (Lubi), de São Paulo, dirige “Estudo nº 1 Morte e Vida”, sobre o texto do escritor João Cabral de Melo Neto. “Já participei do Cena Contemporânea e tenho muito apreço pelo festival. Estou feliz em estar nessa edição, acompanhando também os trabalhos de amigos e parceiros. O Cena Contemporânea sempre teve esse laço de propiciar o encontro entre os artistas. Isso para mim é uma das coisas mais fortes”, revela Lubi.

 

“O espetáculo fala sobre migração, sobre a identidade brasileira, como isso é construído em nosso favor, mas também contra nós. No momento político que a gente está vivendo agora, trazer essa reflexão a partir de um texto lá de trás, do João Cabral, nos faz olhar de novo para esse imaginário que foi construído, pensando-o à luz do presente”, explica. Nascido em Santos, ele integra o Grupo XIX de Teatro, desde 2000, e o Teatro Kunyn desde 2009. Dirigiu e é cocriador de um total de 32 peças, entre as quais estão espetáculos encenados em mais de 120 cidades no Brasil e, no exterior. Lubi acumula mais de 20 premiações e menções no Brasil.

 

Serviço:
Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília
Data: 28 de junho a 10 de julho de 2022
Locais: Teatro Galpão Hugo Rodas e Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, Teatro Garagem SESC, Teatro da ADUnB, Teatro Oficina do Perdiz, Casa dos Quatro, Teatro Paulo Autran SESC Taguatinga, Complexo Cultural de Planaltina e Galpão Instrumento de Ver (Vila Planalto)
Veja a programação completa em www.cenacontemporanea.com.br
Ingressos: venda através da plataforma Sympla

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br