Governo do Distrito Federal
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7/12/20 às 18h49 - Atualizado em 7/12/20 às 19h26

Cobiçado e modernista, Candango tem nascimento cercado de mistérios

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Texto: Lúcio Flávio – Edição: Sérgio Maggio (Ascom Secec)

 

Daniel MarquesEle mede 27 centímetros, pesa aproximadamente 2kg, é de bronze maciço e homenageia os milhares de operários que ajudaram a construir a nova capital do país, inaugurada em 21 abril de 1960. Lançado, oficialmente, em 1967, na terceira edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), o Troféu Candango, prêmio máximo do evento, é uma das mais almejadas honrarias do audiovisual nacional. Aquele que cineastas e produtores do gênero sonham em ter na estante. E muitos não têm.

 

“Domingos de Oliveira (1936-2019) sempre lamentava ter vários troféus, mas não o Candango. Era uma das grandes frustrações dele”, conta a pesquisadora e escritora Berê Bahia, especialista na história e “estórias” do Festival de Brasília, que, neste ano, será realizado de 15 a 20 de dezembro pelo Canal Brasil e plataforma Canais Globo.

 

“Antes era um diploma, acho que tenho esse negócio até hoje”, lembra o cineasta Walter Lima Jr., premiado com Menção Honrosa, em 1965, em Brasília.

 

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A semelhança entre as duas obras, ou seja, “Os Candangos” da Praça dos Três Poderes, e o troféu que premia os participantes do FBCB, tem razão de ser. Ambas são fruto do mesmo conceito criativo e estética vigente que embalaram os trabalhos de vários artistas que aqui chegaram, nos primórdios da cidade. Todos seguindo os rastros das ideias modernistas de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. “O troféu não poderia ter outro nome a não ser este, aliás, bem similar aos ‘Candangos’ da Praça dos Três Poderes”, assimila Berê Bahia, radicada na capital desde 1971.

 

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Seja como atração emblemática na estante de muitos realizadores do audiovisual brasileiro, seja até mesmo atiçado ao lixo, como fez o cineasta Luiz Alberto Pereira, em 1999, revoltado com a decisão do júri de Brasília, há controvérsias sobre a autoria do Candango, gestado em meados dos anos 1960. Contudo, todas as evidências sobre a criação da estatueta confluem ao nome de Dante Croce, de quem se tem pouca informação ou registro.

 

Croce era um dos braços direitos do escultor e desenhista Alfredo Ceschiatti, responsável, entre outras coisas, pela criação dos profetas e anjos suspensos da Catedral Metropolitana de Brasília. “Croce e Ceschiatti faziam parte da equipe do Oscar Niemeyer”, lembra hoje o baiano Fernando Adolfo, um dos pioneiros da criação do Festival de Brasília e, durante muito tempo, integrante da coordenação do evento. “O troféu é de autoria do Dante Croce, quem confeccionou a peça, no Rio de Janeiro, foi o Willy de Mello”, esclarece.

 

Mãos no bolso

No livro comemorativo dos 30 anos do Festival de Brasília, publicado em 1998 pela Secretaria de Cultura do DF, e coordenado pela pesquisadora Berê Bahia, há uma versão desse episódio. Quem narra a história é o desenhista de arquitetura e artista plástico Willy Bezerra de Mello, o único negro a fazer parte da equipe de Oscar Niemeyer. Sua missão, então, era convencer o escultor Alfredo Ceschiatti a desenvolver o projeto. O criador dos profetas e anjos da Catedral, no entanto, nem se deu ao trabalho de recebê-lo.

 

“Eu não ia voltar do Rio de mãos abanando. Descobri o ateliê do artesão que trabalhava para o Ceschiatti e sugeri que fizéssemos uma composição a partir de pedações de maquetes que tinham ali”, relata o artista falecido em 2012, aos 77 anos. “A estatueta foi fabricada na Fundição Zani e eu voltei para Brasília. O formato da cabeça é puro Ceschiatti”, detalhou.

 

Outra curiosidade impagável. A posição do Candango com as mãos no bolso não tem nada de gratuito ou aleatório. Na verdade, tem uma explicação bem plausível: tratava-se de uma “gozação” com o então diretor da extinta Fundação Cultural do DF, Arthur Henning. “Ele tinha fama de ser ‘pão duro’”, revelou, na época.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br