Governo do Distrito Federal
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20/12/20 às 20h24 - Atualizado em 21/12/20 às 16h31

Cineastas anunciam a Carta de Brasília

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CARTA DE BRASÍLIA

21 de dezembro de 2020

00:00

 

O 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), realizado à sombra de uma pandemia mundial, enfrentou adversidades para se realizar como havíamos planejado. Ele agora ocorre como um verdadeiro dever cívico de todos que se envolveram em sua realização, impedindo que o festival fosse mais um na longa lista de eventos cancelados ao longo deste ano.

 

Da decisão de levar adiante o festival até a sua plena realização, transcorreram 75 dias, período em que o cinema brasileiro se uniu em torno desse evento. Nossos artistas, cineastas, técnicos, professores, pesquisadores e entidades representativas do audiovisual constituíram um fórum de debates cujo efeito maior foi mostrar a solidariedade, a força e a potencialidade da cultura brasileira, objeto do desprezo, da indiferença e do descaso do atual governo.

 

Neste ano, o ponto crucial foi justamente um painel do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro sobre a Cinemateca Brasileira e a emergência de não deixarmos nossa memória trancada na masmorra da negligência de uma necrofilia política.

 

O cadeado na porta da Cinemateca Brasileira é a metáfora de nosso país hoje. Nossa memória está sendo sequestrada e nosso futuro ameaçado. E nós, cineastas e profissionais da longa linha do audiovisual, diariamente construímos com nossas imagens essa memória fundamental para que o país se conheça, reflita e, sobretudo, aprenda com os acertos e erros do passado.

 

“Os filmes morrem sem gemer”, disse o grande cineasta e ativista da política cultural Gustavo Dahl. O 53° Festival de Brasília cumpriu a missão de gritar por eles. A memória dos filmes não é somente objeto de referência, segue essencial para a realização de novos filmes, de novas leituras, sempre prementes da nossa realidade e da nossa constituição como nação.

 

Outro pilar singular deste festival foi a recuperação de uma prática sócio-política-econômica pautada pelo humanismo.  A abrangência dos painéis captou os temas que mais afligem o Brasil e o mundo. A presença do cineasta britânico Ken Loach, com seu cinema de combate às desigualdades, mostrou que, a partir do cinema, Brasília olha para a sociedade como um todo.

 

O festival não ficou indiferente às questões identitárias, sanitárias e econômicas. Essa diversidade temática, aliás, esteve presente na pauta dos critérios de seleção e nos filmes exibidos. O sexismo, o racismo, a crise da saúde pública, a desvalorização do emprego formal, a homofobia, a transfobia e a xenofobia foram temas discutidos em debates que chegaram a ser alvo de hackers, demonstrando o quanto precisamos estar atentos a uma ideologia retrógrada que, a depender de nós, nunca será hegemônica.

 

Como destacou o cineasta Cacá Diegues, o Brasil hoje vive um “desmatamento cultural”. Brasília, em resposta, produziu uma série de proposições que alinhamos a seguir:

 

  1. Articulação política e apartidária do cinema brasileiro com frente parlamentar no combate ao desmantelo da Ancine, da Cinemateca e da política de fomento ao cinema nacional.
  2. Estabelecer um novo marco jurídico para modelo de prestação de contas da Ancine por meio da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Cinema e do Audiovisual Brasileiro.
  3. Aprovar o projeto de Lei que prorroga até 2030 a obrigatoriedade de exibição filmes brasileiros em salas de cinemas do país
  4. Vigília constante e resistente ao desmantelo da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico Audiovisual, que ameaça a guarda da memória nacional e paralisa as pesquisas documentais para criações de novos projetos.
  5. Fortalecimento e amparo dos acervos das cinematecas regionais e de cunho familiar que compõem importante rede memorial.
  6. Desaparelhamento ideológico da Ancine para que volte ao pleno funcionamento como órgão de fomento do cinema brasileiro em sua plenitude de criação, em todas as direções.
  7. Incentivar o cinema feito por etnias indígenas, de criadores e criadoras de povos originários.
  8. Desenvolver um cinema para crianças comprometido com a arte educativa, inclusiva e de pensamento crítico.
  9. Ampliar a participação de corpos negros no cinema ocupando territórios geográficos e físicos inéditos.
  10. Acesso a cineastas negras para desenvolvimento de seus projetos cinematográficos, aumentando a presença dessas criadoras em nosso cinema.
  11. Permitir que o cinema feito por mulheres alcance, ao menos, paridade de gênero em editais públicos.
  12. Pôr fim ao silenciamento de temas relativos à violência de gênero e raça com editais de criação favoráveis a discutir essa urgente realidade brasileira que destrói vidas diariamente.
  13. Dar visibilidade aos criadores e criadoras LGBTQIAP+ em editais públicos.
  14. Promover a discussão das questões ambientais mais graves do nosso tempo na destruição dos ecossistemas, biomas e das comunidades tradicionais.
  15. Buscar formas de financiamento junto a empresários comprometidos com causas culturais e socioambientais.
  16. Consolidação do Troféu Cosme Alves Netto como uma ferramenta da Anistia Internacional para o incentivo de narrativas humanistas no cinema nacional.
  17. Caracterizar o documentário como obra cultural, educacional, intelectual, não ficcional e, por vezes, biográfica, atributos que o eximem de autorização e pagamento pela utilização de obras autorais de terceiros, na forma da Lei.

 

Subscrevem a Carta de Brasília:

 

ABD – Roraima
Adrian Cooper.

ABC.
Adriano Esturilho
Ailton Franco Jr
Alexandre Elaiuy
Alexandre Rocha
Alice de Andrade
Amanda De Stéfani
Ana Cristina Campos
André Luiz Oliveira
Ana Mara Abreu
Ana Maria Magalhães
Ana Musa
Ana Paula Cardoso
Ana Rieped
Andrea Glória
André Besen
André Bressen
André Manfrim,

André Xará
Anna Azevedo
Anna Cestari
Annette Torres
Antonio Carlos da Fontoura
Antonio Claudino de Jesus
Ariela Goldmann
Aristeu Araújo

Associação Brasileira de Críticos de Cinema
Associação Cultural Cinemateca Catarinense ABD/SC

Aurelio Michiles
Barbara Cunha
Betse de Paula

Brada – Coletivo de Diretoras de Arte do Brasil
Breno Luís Figueiredo Nina
Brent Millikan
Bruna Franchetto
Bruno Espírito Santo
Caca Diegues
Caetano Curi
Camila Vieira
Carina Biri
Carla Caffé
Carla Francini
Carlos Ebert ABC
Carlos Eduardo Ceccon
Carmen Luz
Carol Ozzi
Carolina Durão
Catarina Acioly
Cavi Borges
Chica Mendonça
Cibele Amaral

Clarissa Ribeiro
Claudia Assunção

Claudia Furiati
Claudia Dottori
Cláudio Constantino
Cláudio Kahns
Claudio Tammela
Clementino Jr
CONNE – Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste
Constância Laviola
Cristian Brayner
Cristiano Maciel
Cristina Leal
Daniela Aldrovandi
Daniela Broitman
Daniela Duschenes
Daniel do Nascimento Paim
Daniel Satti
Dany Espinelli
David Tygel
Dayse Barreto
DBCA – Diretores Brasileiros de Cinema e do Audiovisual
Débora Pascotto
Denise Paraná
Dina Salem Levy

Dodô Brandão
Dorotea Bastos

edileuza Souza
Edmundo Lippi
Eduardo Albergaria
Eduardo EScorel
elaSCine – Mulheres do Audiovisual Catarinense
Elder GomesGiovanna Giovanini

Arthur Frazão”
Elder Gomes Barbosa
Eliane Giardini
Elisa Gomes, documentarista e produtora
Els Lagrou
Elsa Romero
Emanuela Palma – documentarista
“En mi nombre y en el de DASC apoyamos esta carta.
Mario Mitrotti presidente DASC SGC Directores Colombia.”
Enock Carvalho
Erica sansil
Eryk Rocha
Bruna Franchetto
Fabio Carneiro Leao
Fabrizia Gallan
Fátima Guimarães – ABD Piauí.
Felipe David Rodrigues
Felipe Reinheimer
Fernanda Carlucci
Fernanda Tanaka
ABC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CINEMATOGRAFIA”
Filippo Pitanga
Flávia D’Urso, advogada
Flávia Guerra
Flávio R Tambellini
Forcine – Fórum brasileiro de Ensino de Cinema Audiovisual
Francine Moura
Francisco L.C. Mendonça Filho (Chico Mendonça)
Gabriel Higa
Gabriel Perrone Vianna
Gabriela Burck
Gabriela Furniel
GAMA – Associação de Produtores de Game e Animação .
George Saldanha
Geraldo Ribeiro

Glauce Queiroz
Glauco Salgado Firpo
Gloria Teixeira
Gostaria de poder assinar a carta/manifesto e a diretora de Eric também! A Letícia Castanheira.
Graciela Guarani
Guigo Pádua
Guilherme Fiuza Zenha
Gustavo de Azevedo Soyer
Gustavo Spolidoro
Gustavo Zysman Nascimento, Técnico de Som Direto e Desenhista de Som do cinema brasileiro,
Hansa Wood
Helena Tassara
Helvécio Ratton
Henrique de Freitas Lima, Cineasta e Advogado especialista em Cultura, Esportes e Terceiro Setor.
Hugo Kovensky, diretor de fotografia
Ilda santiago
Inez viana
Instituto Oca do Sol
Iomana Rocha
Isabelle Bittencourt
Jacob Solitrenick
Jacques Cheuiche
Janaína Ávila Brasil, atriz e produtora executiva e Bosco Brasil, roteirista
Joana Claude
Joana Mureb
Joel Pizzini
Joel Zito
Jom Tob Azulay
Jorge Bodanzky
Jorge Duran
Jorge Peregrino
Jorge Saldanha
José Joffly
Julia Bernstein
Julia Lemmertz
Juliana Colares
Juliana Lobo
Juliana Ribeiro
Katia Muricy
Kledir Ramil
Lais Bodansky
Laura carvalho
Leandro Lima
Leandro Lima
Leticia Bueno
Leticia Monte
Liloye Boubli
Lino Meireles
Lirio Ferreira
Lito Mendes da Rocha
Liviane Santana P F Nina
Lize Borba
Luan Cardoso,
Lucia Lemos
Lucia Murat
Luis Alencar
Luis turiba
Luiz Abramo
Luiza Lemmertz
Luiza Lusvarghi
Maíra Mesquita
Malu Mader
Manifesta Feminista
Manoela Clemente
Marcella Tovar
Marcello Benedictis
Marcus Ligocki
Maria Abdalla
Maria Consolacion Udry
Maria do Socorro Carneiro Madeira
Maria Flor Brazil
Maria Gal
Maria Rita Nepomuceno
Mariana Cavalcante
Mariana Genescá
Mariana marinho
Marina Pessanha
“Mario Sergio Medeiros

Eliane Giardini
Larissa Maciel
Luciana Sérvulo da Cunha
Cissa Guimarães
Ernesto Piccolo
Raul Labancca”
Mariza Leão
Mariza Leão
Marta Paret
Marx Vamerlatti
Michelly Hadassa Rodrigues de Castro SC
Miguel angel dony
minina pinho
Monica Torres – atriz e produtora
“Mouhamed Harfouch
Paulo Betti
João Signorelli
Silvia Buarque
Aramis Trindade
Nena Inoue
Cícero Belem – ator e produtor”
Mulheres do Audiovisual Brasil
Murilo Salles
Mustapha Barat, ABC
Neto Borges
Nelson Kao Wei Chin
Nilson Rodrigues
FilmaRio
Octávio Yuri Nobre Azevedo Lemos

Lilih Curi
Bia Ambrogi
Pablo Guelli
Paloma Mecozzi
Paola Vieira
Paula Barreto
Paulo Caldas
Paulo Nascimento
Paulo Thiago
pedro farkas
Pedro Lima,
Pedro Saldanha
Pola Ribeiro
PH Souza
PROSA associação dos técnicos de som
Jordana Berg
Wanderlei Silva

Rafael Blas
Raiza Antunes
Raoni Gruber
Regina Zappa
Renata Magalhães
Renato Barbieri
Ricardo Alves Jr.
Ricardo Pinto e Silva
Rita Faustini
Roberto Gervitz
Roberto Gonçalves de Lima

“Rodrigo Ribeiro
Julia Faraco
Piero Sbragia
Renata Martins
Rodrigo Sellos
Rosane Serro
Rogério Beretta
Rubens Rewald
Sarah Noda
Séphora Silva
Sérgio Bloch;
Sergio Fidalgo
Sérgio Moriconi
Seria Sated/PR
Silvia Frahia
Sinai Sganzerla
SINDAV-MG Sindicato da Indústria Audiovisual de Monas Gerais
Solange Souza Lima Moraes
Stella Penido
Sura Berditchevsky
Susanna Lira
Sylvia Palma
Sylvio Back
Sylvio Lanna
Tabajara Ruas
Tainá Carvalho Ottoni de Menezes
Tainá Xavier
TALES SALATI MANFRINATO
Também assinam Lena Lavinas, profa de pós do IE da ufrj e Rosa Amanda Strausz, escritora e agora editora também
Tania Montoro
Tatiana Leite – Produtora e curadora
Tereza Trautman
Thais Junqueira
Theresa Amayo Brasini – atriz
Thiago Briglia – produtor “Por onde anda Makunaíma?”
Tiago Carvalhho
Tide Borges, ABC
Toni Venturi, cineasta
Tuninho Muricy
Ula Schliemann
Ulisses de Freitas Xavier
Val Gomes, Documentarista e pesquisadora, São Paulo
Valéria Verba
Vinícius Schuenquer
Venessa Lopes
Vera Hamburger
Vera Santana Luz
Vladimir Carvalho
Vladimis Seixas
Walter Carvalho
Wanderley silvs
Yuri Seid