Governo do Distrito Federal
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25/05/18 às 15h27 - Atualizado em 13/11/18 às 15h07

Cine Brasília promove sessão especial de Chega de Fiu Fiu

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As cidades foram feitas para as mulheres? A pergunta é motor fundamental do longa-metragem Chega de Fiu Fiu, com direção de Amanda Kamanchek Lemos e Fernanda Frazão. Neste domingo (27/5), às 11h, o Cine Brasília realiza sessão especial de estreia do documentário na capital federal, com entrada franca. A sessão será seguida de bate-papo com a diretora Amanda Kamanchek; a artista visual Rosa Luz, personagem do filme; Jaqueline Fernandes, subsecretária de Cidadania e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura; e Luana Ferreira, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria uma hora antes do filme.

 

Produzido em parceria com a Brodagem Filmes, Chega de Fiu Fiu integra campanha homônima criada em 2014 pela organização Think Olga, trazendo ao centro do debate questões como o assédio e o direito das mulheres ao espaço público. O filme alcançou recorde de arrecadação na plataforma de financiamento coletivo Catarse, atingindo a meta em menos de 24 horas. Personalidades como Laerte, Karina Buhr e Gregório Duvivier se posicionaram a favor da iniciativa, que contou com a contribuição de mais de 1.210 apoiadores.

 

“Chega de Fiu Fiu” explicita como a participação das mulheres no espaço urbano é marcada por insegurança. “Entraves como a falta de iluminação, lugares ermos, a dificuldade de mobilidade, longas distâncias na locomoção de casa ao trabalho, ausência de creches e péssimo atendimento em serviços de saúde e segurança seguem como catracas visíveis e invisíveis do acesso das mulheres às cidades. Tais entraves revelam o quanto as cidades foram construídas sem a perspectiva de gênero e agravam ainda mais as violências sofridas pelas mulheres, como o assédio”, diz Amanda Kamanchek, diretora do documentário. “O filme é um retrato dessa violência de gênero em um contexto ainda pouquíssimo explorado: o espaço público. A pergunta que nos fizemos ao longo de todo o filme é ‘qual é o lugar das mulheres nas cidades?’”, complementa.

 

“Chega de Fiu Fiu” traça uma narrativa composta de três momentos: a utilização de óculos com uma microcâmera escondida, usado por mulheres em seu dia a dia; a vida de três personagens de diferentes cidades (Brasília, São Paulo e Salvador) e o diálogo com especialistas sobre assédio, identidades, sexualidade, participação e mobilização social e masculinidades.

 

“Não só a entrevista com personagens, mas a dinâmica de cada uma delas com suas cidades foi nos ajudando a construir o argumento real do filme. Ao longo do projeto, criamos alguns artifícios de filmagem como o óculos-espião, o que nos permitiu explorar de maneira muito forte o modo como o corpo é percebido no espaço público. Dessa forma, as personagens puderam também se utilizar de um instrumento de denúncia. E, em adição, o próprio corpo delas se tornou uma ferramenta dessa narrativa. Em suma, convidamos essas mulheres a colaborar com o documentário de fato e isso nos trouxe ainda mais verdade e emoção”, diz Fernanda Frazão, também diretora do filme.

 

Muitos anos se passaram desde que as mulheres começaram a circular nos espaços públicos, mas o respeito nesse território ainda lhes é negado. Pesquisa do Ipea de 2014, “Tolerância social à violência contra as mulheres”, mostrou que 26% dos brasileiros concordam com a afirmação “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e estudo do Fórum de Segurança Pública  de 2016 mostra ainda que 1 em cada 3 pessoas acreditam que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Uma violência baseada na ideia de que quando uma mulher não se comporta, ela deve ser punida.

 

Tais pesquisas revelam o pensamento atual de muitas pessoas que ainda consideram inaceitáveis certas condutas e escolhas das mulheres – como “ficar bêbada”, “sair de casa sem o marido” e “usar roupas justas e decotadas”.

“Há alguns anos, assédio era uma palavra não dita, um assunto discutido em algumas bolhas feministas. Houve a necessidade de ampliar essa conversa e, com o tempo, ela foi evoluindo e amadurecendo. Não poderíamos estagnar nessa ideia do assédio como algo micro, a cantada de rua. É necessário olhar que papel ele desempenha dentro da cultura do estupro e como alimenta a roda hostil do machismo”, diz Juliana de Faria, fundadora da ONG Think Olga. “Mais que isso, o filme mostra como somos excluídas sistematicamente do debate sobre a cidade. As personagens do filme têm isso em comum: nenhuma se sente à vontade pra circular no espaço público. Nenhuma delas se sente segura ou pertencente à cidade. Para além da denúncia, vejo o documentário como um projeto educacional, a ideia é transformá-lo em ferramenta junto às universidades e escolas para que possamos pensar em conjunto uma mudança”, conclui.

 

SERVIÇO

 

Sessão Especial
Chega de Fiu Fiu
Data: 27/5 (domingo), às 11h
Local: Cine Brasília (EQS 106/107)
* Entrada gratuita
Ingressos distribuídos uma hora antes

 

Sessão seguida de bate-papo com a diretora do filme Amanda Kamanchek, a artista visual e personagem do filme Rosa Luz, Jaqueline Fernandes, subsecretária de Cidadania e Diversidade Cultural; e Luana Ferreira, representante da representante da Articulação de Mulheres Brasileiras.

 

 

Chega de Fiu Fiu

(Documentário/ 73 min/2018)

 

Sinopse: As cidades foram feitas para as mulheres? O filme Chega de Fiu Fiu narra a história de Raquel, Rosa e Teresa, moradoras de três cidades brasileiras, que, por meio de ativismo, arte e poesia resistem e propõem novas formas de (con)viver no espaço público.

AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras.

Classificação indicativa: Livre
Trailer:  https://bit.ly/2FvijWp