Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
10/05/21 às 15h51 - Atualizado em 26/05/21 às 10h38

CEAC para bastidores dá fôlego ao segmento

COMPARTILHAR

Texto e edição Ascom/Secec

06/05/2021

09:05:22

 

A inclusão da chamada arte técnica ou de bastidores (“backstage” para a música; coxia para as artes cênicas) no Cadastro de Entes e Agentes Culturais (CEAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) vai ajudar a profissionalizar um setor marcado pela precarização do trabalho, e joga luz em quem costuma trabalhar na invisibilidade.

 

Esses profissionais podem, a partir do cadastramento no CEAC, ter acesso a recursos públicos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e da Lei de Incentivo à Cultura (LIC). A ação da Secec dá dignidade às várias atividades que ajudam, sem o devido reconhecimento público, a construir a cena do espetáculo.

 

Leia mais:

Cultura LGBTQIA+ comemora reconhecimento com inclusão no CEAC

Circos de lona celebram o retorno presencial e a inclusão no CEAC

 

 

Agentes culturais do segmento, como o Coletivo Backstage Brasília, contribuíram com sugestões para mudar a Portaria nº 488 de 2019 da Secec, substituída pela de nº 54, publicada no Diário Oficinal do Distrito Federal (DODF) de quarta-feira (5.5), estendendo o acesso a recursos públicos de fomento à cultura a mais profissionais da cadeia da economia criativa, como artistas circenses de lona, da comunidade LGBTQIA+ e profissionais da gastronomia.

 

“Essa é uma conquista direta do trabalho que realizamos com a Aldir Blanc no DF. A Secec percebeu que esses profissionais tão importantes na cadeia da economia criativa permaneciam invisíveis para a pasta, sem acessar as suas políticas públicas”,

Bartolomeu Rodrigues, secretário de Cultura e Economia Criativa do DF

 

O secretário, em sua gestão, tem buscado democratizar o FAC, levando-o a Regiões Administrativas e a agentes de cultura que ficavam de fora diretamente do Sistema de Arte e Cultura (SAC) do DF.

 

AGENTES VISÍVEIS

foto: Thaís Mallon

Integrante do Backstage, Alexandra Ferreira Gonçalves (Alê Capone – foto) diz esta “superfeliz com a publicação da Portaria. Isso corrige um erro histórico porque você não pode limar a capacidade criativa de pessoas pelo fato de atuarem na área técnica. Os recursos públicos têm de chegar a todos os elos da cadeia produtiva. Foi um primeiro passo muito importante”.

 

“A Portaria retira esses agentes da invisibilidade para políticas públicas. Se você não tem nem o nome de seu segmento reconhecido pelo estado, como ser alvo de políticas específicas para o setor? Daí o esforço da Secec para subsidiar mudanças no CEAC com o apoio de representantes desses trabalhadores”, argumenta a subsecretária de Difusão e Diversidade Cultural, Sol Montes. “Essas são mudanças construídas coletivamente e que vão ficar como um legado para a sociedade”, complementa.

 

“Precisamos de medidas emergenciais. O Backstage vai fazer um mutirão para ajudar a tirar o Ceac da galera”, conta Alê. A produtora e curadora de eventos informa que o coletivo também vai selecionar pessoas que queiram aprender a elaborar projetos e a fazer prestação de contas.

 

PESQUISA DA GRAXA

O coletivo Backstage ouviu 500 trabalhadores de bastidores entre maio e setembro do ano passado e coletou informações importantes para a orientação de políticas alternativas.

 

85% são homens, predominantemente autodeclarados como pardos ou pretos e moram em Ceilândia, Samambaia, Santa Maria e Entorno.

 

84% precisam de ajuda de cestas básicas nesse momento.

 

50% deles sustentam quatro ou mais pessoas em casa.

 

42% recebem até R$ R$ 1500 por mês.

 

A maioria depende de transporte próprio ou público, aguenta jornadas longas, sem descanso ou benefícios previstos, não tem plano de saúde e vive principalmente da iniciativa privada.

 

Os bastidores, responsáveis pela sustentação da cena do espetáculo, agregam cerca de 40 tipos diferentes de trabalho, como iluminação, áudio, som; na maioria das vezes, tarefas aprendidas na prática, sem capacitação formal.

 

arquivo pessoal

A percussionista e produtora Kika Carvalho (foto), de Samambaia, é um exemplo da trajetória típica de agentes de cultura de bastidor. Autodidata, integrou a banda “Batida de Jota” por três anos e foi nesse período que iniciou sua carreira como “roadie” – técnica de apoio que viaja com uma banda em turnê, encarregado de lidar com várias tarefas de produções de shows, como a afinação de instrumentos, por exemplo.

 

Em 2019, acompanhou a banda “Maria Vai Casoutras” em eventos do Carnaval de Brasília. No ano passado, Kika integrou a produção e a técnica do Festival Música Solidária BSB. Também participa do Backstage Brasília e da Associação de Produtoras e Trabalhadoras de Arte e Cultura (APTA) no DF.

 

“Estou feliz. Essa era uma pauta que a gente buscava há muito tempo, a de ser ouvida e representada nas políticas públicas. Acredito que agora vamos ter mais oportunidades de trabalho”, espera.

 

Alê Capone não tem dúvidas disso: “A partir desse Ceac, a gente vai construir outras formas de impulsionar o segmento e batalhar por editais. Há um grande potencial, por exemplo, na montagem de feiras, instalações na área de arquitetura e capacitação”.

 

 

ÚLTIMA OPORTUNIDADE – FAC BRASÍLIA MULTICULTURAL               

Essas novas categorias podem tirar o CEAC e se inscrever no FAC Brasília Multicultural, publicado na última sexta-feira (30.04), desde que apresentem os documentos até o dia 13.5 para análise em tempo hábil de concorrer ao edital, aberto para propostas entre 14.5 e18.6.

 

FAC BRASÍLIA MULTICULTURAL

Conheça na íntegra a nova Portaria do CEAC.

Edital 6 – FAC Brasília Multicultural

Tire ou renove o CEAC

Acompanhe o FAC

 

Acesse os formulários de inscrição no CEAC e outras informações (clique aqui).

 

Acesse a cartilha do CEAC

CARTILHA CEAC

 

Confira as oficinas

 

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br