Governo do Distrito Federal
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19/03/19 às 15h43 - Atualizado em 19/03/19 às 15h45

Atriz de “Vidas Partidas” participa de debate no Cine Brasília sobre violência doméstica

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O que fazer quando o agressor mora na mesma casa, divide a cama e é pai das duas filhas da vítima? Ficção? Sim e não. “Sim” porque é o enredo do filme “Vidas Partidas” (2016), que volta ao Cine Brasília na quinta-feira para uma exibição seguida de debate sobre violência doméstica. “Não” porque a película foi trabalhada com base em levantamentos sobre os índices de agressão a esposas, companheiras, namoradas e filhas, num retrato perturbador da violência de gênero no Brasil.

 

“Vidas é um retrato fiel de muitas relações. Várias mulheres, depois das sessões, me procuravam para dizer que isso já havia acontecido com elas, com amigas, com parentes, com alguma conhecida”, afirma Naura Schneider, que faz o papel da esposa abusada, “Graça”, no filme dirigido por Marcos Schechtman. Ela estará presente ao debate depois da sessão de quinta-feira, acompanhada da secretária da Mulher do GDF, Éricka Filippelli, e especialistas que estudam ou lidam com o problema.

 

Aos 52, no segundo casamento, mãe de duas filhas, Naura diz-se aliviada pelo fato de que violência doméstica finalmente subiu na agenda da sociedade e entende que o marco da mudança é a entrada em vigor da Lei Maria da Penha em setembro de 2006. “Antes disso, não era possível falar do assunto porque era cinicamente considerado problema entre marido e mulher”, ironiza.

 

A atriz e produtora trabalha com o tema desde 2008, a partir do longa “Dias e Noites”. O filme conta a história de uma mulher que luta para tentar recuperar a guarda de seus filhos na justiça, em um contexto social ainda dominado por preconceitos na sociedade machista dos anos 60. Em 2010 foi a vez do premiado documentário “Silêncio das Inocentes”, um recorte de depoimentos com foco no combate à violência doméstica no Brasil.

 

“Violência de gênero é algo generalizado. Acontece em todas as classes sociais. Espero que o filme ajude as mulheres a denunciar, que lhes dê coragem. Vejo que uma mudança está acontecendo. A geração das minhas filhas já sabe que casamento não tem de ser para sempre. Se não está bom, dá pra mudar. A mulher hoje tem profissão, é capaz de buscar trabalho e não tem de se submeter ao companheiro,” sintetiza ela.

 

O secretário de Cultura, Adão Cândido, reforça a importância de se discutir o combate à violência contra a mulher. Para ele, este tipo de ação conjunta do governo deve se estender ao longo da gestão. “A Cultura tem o papel de liderar em processos emancipadores, como o de repensar papeis sociais e atitudes. Daí nosso engajamento em ações dessa natureza”.

 

Serviço

 

Filme “Vidas Partidas”, seguido de debate

Sessão na quinta-feira, 21, às 20h

Entrada franca por ordem de chegada sujeita à lotação