Governo do Distrito Federal
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30/06/18 às 21h03 - Atualizado em 13/11/18 às 15h07

Artistas celebram volta do Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul

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Símbolo da criatividade do DF é reaberto com teatros e galerias renovadas, equipamentos modernos, acessibilidade para todos os públicos e programação

 

Ao som de tambores, batuques e gritos de “Essa é a hora de cair em cima. Vamos lá, irmão”, a comunidade artística do Distrito Federal voltou a ocupar o Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, na tarde deste sábado (30). Um momento histórico, de grande emoção e alegria, que contagiou centenas de pessoas de várias idades que prestigiaram a festa.

 

Confira a galeria de fotos

 

Fechadas desde 2013, por questões de segurança, depois de décadas sem manutenção, as portas deste importante centro de expressão e experimentação artística do Distrito Federal foram novamente reabertas. A comunidade recebe de volta um dos seus mais importantes centros de cultura e arte, com teatros, salas e galerias complemente renovadas, mobiliário e equipamentos modernos, e acessibilidade para todos os públicos. “Não recuperamos apenas um espaço cultural muito importante, mas histórias, forças e o sentido da nossa cidade, promotora de muitos talentos da arte e da cultura. Esse espaço carrega o espírito da Brasília irreverente, criativa, democrática, cidadã”, disse o governador Rodrigo Rollemberg, após cortar uma faixa nas cores do arco-íris, em referência ao mês do Orgulho LGBTQI, convidando o cortejo de artistas a ocupar o espaço reformado.

 

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, que viveu importantes momentos de sua carreira artística no teatro dentro deste centro de cultura, desde os anos 1970, resumiu o significado da entrega para a comunidade cultural do DF. “Essa é a casa dos artistas de Brasília, das artes visuais, do teatro, do cinema, da arte urbana. Estamos aos poucos devolvendo à população vários espaços que estavam fechados em 2015. Além das edificações, estamos inovando com um modelo de gestão em parceria com a sociedade civil que irá garantir programação qualificada e continuada durante todo o ano”, enfatizou.

 

E a população do Distrito Federal também comemorou a volta do Espaço Cultura Renato Russo. Para a fotojornalista Andressa Anholete, 31 anos, o período fechado fez muita falta a cidade. “Quando eu cheguei aqui em Brasília esse espaço era ainda muito vivo, a gente vinha pra ver exposição, tinha cursos. É muito bom ter de volta, ver essas performances lindas, artes plásticas, o grafite novamente. É um espaço agregador, que tem tudo a ver com Brasília”, traduziu.

 

Estudante de história da arte na Universidade de Brasília, Hélio Barreto, 22 anos, conta que o Espaço Cultural da 508 Sul fez parte da sua infância e adolescência. “A gente saia da aula e vinha pra cá sempre tinha alguma atividade pros estudantes da escolas públicas. Esse é um espaço democrático, que qualquer pessoa pode acessar, mesmo morando fora do Plano Piloto,  e ter a oportunidade de conhecer o belo trabalho dos artistas do Distrito Federal”, afirma o morador do Gama.

 

Carmem Teresa Manfredini, mãe do músico Renato Russo, falou da alegria de ver novamente aberto esse simbólico ponto de cultura que leva o nome do seu filho, líder da banda de rock Legião Urbana. “Eu sinto muita alegria de ver tudo isso acontecer e espero que este espaço continue cumprindo o seu destino de ser um polo incentivador de todas as tribos da arte e da cultura do Distrito Federal”, disse emocionada.

 

Maíra Oliveira, diretora do grupo teatral Esquadrão da Vida, fez seu discurso em forma de poesia e música. “O espaço faz parte da minha história e é muito emocionante vê-lo novamente cheio de gente. Eu espero que ele seja cada vez mais ocupado como um espaço de resistência”, pontuou a atriz que é filha do palhaço Ary Pára-Raios, um dos mais expressivos agitadores culturais do Distrito Federal, falecido em 2002.

 

Ausente do evento de reabertura por motivos de saúde, o jornalista e ativista cultural TT Catalão, que foi um dos diretores do Espaço Cultural, expressou sua emoção por meio de uma carta que foi lida pelo secretário Guilherme Reis. “É nessa 508 o marco zero da cultura viva. Inquieta, provocativa, vai e volta, abre e fecha. Vamos fazer deste desse projeto de liberdade uma permanente, apaixonada e constante projeção libertária. Avante 508!”, dizia o trecho final.

 

Valorização do grafite

 

Durante a reabertura do Espaço Cultural Renato Russo, foi lançada a Política Distrital de Valorização do Graffiti, para reconhecimento da produção artística realizada pelos grafiteiros e incentivo de novas políticas públicas para a promoção da arte urbana. “Estamos falando de legado, não apenas de um evento, mas de política pública para arte urbana. Estamos falando de valorização, de um relacionamento que começou a ser construído com o poder público. Hoje podemos trocar ideias, fazer diálogo. Isso é muito importante”, definiu Rivas, grafiteiro profissional do DF.

 

O decreto da nova política será publicado na terça-feira (3) no Diário Oficial do Distrito Federal. Também está prevista para o mesmo dia a publicação de edital de chamamento público para a seleção de 70 grafiteiros e de dois DJs para o 2º Encontro Anual do Graffiti.

 

Robson Graia – Durante a cerimônia, o secretário Guilherme Reis antecipou que o Teatro de Bolso vai receber o nome de Robson Graia, em homenagem ao ator, dramaturgo e diretor que fez história nos palcos do Distrito Federal e morreu precocemente aos 35 anos, no ano 2000. Ao lado de Graia, outros ícones da cultura brasileira dão nome às instalações do Espaço Cultural Renato Russo: Sala Marco Antonio Guimarães (cineteatro), Biblioteca de Artes Ethel Dornas, Galeria Rubem Valentim e Galeria Parangolé (em homenagem à obra de Hélio Oiticica).

 

Programação cultural diversificada – Para celebrar a reabertura do Espaço Cultural Renato Russo – 508 Sul, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal reuniu grandes nomes das artes plásticas, teatro, grafite, música, cinema e circo que fizeram história no local. A programação ocupou os recém-reformados teatros e galerias do espaço.

 

A festa começou às 14h, com a grafitagem da fachada por grandes nomes da arte urbana do Distrito Federal. Em parceria com o Fórum de Graffiti do DF,  grafiteiras e grafiteiros começaram a dar cor e vida à parte externa do Espaço Cultural Renato Russo. A comunidade pôde acompanhar de perto o trabalho dos artistas, curtindo o som maneiro de DJs e lanches de food trucks da cidade. O trabalho de grafite segue durante uma semana. Quem quiser acompanhar, é só chegar junto.

 

As galerias e a Praça Central receberam a terceira edição da megaexposição Ondeandaonda III, com curadoria de Wagner Barja (Museu Nacional). A mostra reúne uma centena de quadros, instalações e esculturas de artistas locais, cedidas por 19 galerias da cidade.

 

A festa da reabertura ainda teve show da cantora Ellen Oléria, apresentação do espetáculo teatral Memória Presente, dirigido por Hugo Rodas; e intervenção circense do Coletivo Instrumento de Ver.

 

No domingo (1/6), a festa continua com a performance do artista plástico e multi-instrumentista Renato Mattos (Ziriguidum do Além); e projeção do filme Rock Brasília, seguida de debate com o diretor, Vladimir Carvalho. Além de mais duas apresentações das performances Memória Presente, de Hugo Rodas, e do Coletivo Instrumento de Ver.

 

Reforma
Com investimento total de R$ 6,2 milhões, as intervenções nas áreas internas e na fachada do Espaço Cultural Renato Russo iniciaram em setembro de 2016 e contemplaram reparação de toda a estrutura predial; reforma das salas multiuso, dos teatros, da Biblioteca das Artes e do foyer; revisão das instalações hidráulica e elétrica; instalação de elevador e intervenções para garantir acessibilidade, além de sistemas mais modernos de iluminação, som e projeção para salas, teatros e galerias.

 

Além da transformação em termos estruturais, o Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul teve seu modelo de gestão modernizado também. A partir de agora, a Secretaria de Cultura contará com a parceria de uma organização da sociedade civil na gestão e programação de todas as salas, galerias e teatros que compõem o equipamento. As propostas estão em fase de análise e o resultado final do chamamento público para seleção da OSC está previsto para o final de julho.

 

Lugar de Cultura
Após a criação do programa Lugar de Cultura, previsto na Lei Orgânica da Cultura (LOC), o centro cultural da 508 Sul, bem como todos os demais espaços públicos de cultura do DF, ganha equipamentos e gestão modernizados, programação continuada e um compromisso com a preservação do patrimônio artístico e cultural do DF. “Invertemos a lógica do como cuidar dos nossos bens culturais. Não vamos mais esperar a degradação para tomar previdências como era feito historicamente, mas garantir sustentabilidade para as próximas décadas e gerações que ocuparão estes espaços”, afirma o secretário.

 

Histórico
A história do Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul inicia no ano de 1974, em dois galpões vizinhos à antiga Fundação Cultural do Distrito Federal, que funcionavam como depósito. Ali foi construído o Teatro Galpão, cenário em que grande parte da história do teatro e da dança de Brasília se fortaleceu. A primeira peça montada no local especialmente para a abertura foi “O Homem que Enganou o Diabo e ainda Pediu Troco”, do jornalista Luiz Gutemberg, sob a direção de Lais Aderne. Um sucesso de público e crítica.

 

No final da década de 1970, o espaço foi denominado Centro de Criatividade, pois incorporou, além dos galpões, as galerias e um centro cultural. O local se expandiu e passou a receber diversos segmentos das artes: cinema, literatura, música, artes plásticas e outros, tornando-se ponto de encontro e reflexão de artistas da cidade. Com área interna ampla e movimentada, frequentada por jovens e artistas, o espaço se tornou ponto de encontro de quem queria ver e fazer a cultura da cidade.

Em 1993, o então chamado Espaço Cultural 508 Sul foi rebatizado como Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, em homenagem ao líder da banda de rock Legião Urbana, nascida na capital federal – e ganhou a atual configuração se consolidando como parte essencial da formação artística e cultural de Brasília.

 

Atualmente, o espaço da 508 Sul agrega dois teatros: Teatro Galpão e o renovado Teatro de Bolso, agora batizado de Robson Graia, um dos expoentes do entretenimento e dos palcos da Brasília dos anos 80 e 90. Além disso, estão de volta o cineteatro Sala Marco Antônio Guimarães, as galerias para exposições Parangolé e Rubem Valentim; o ateliê de pintura; a Biblioteca de Artes Ethel Dornas, com gibiteca e musiteca; a Sala Multiuso para oficinas espetáculos e ensaios; o Galpão das Artes (artes visuais), bem como a Praça Central e o Mezanino, destinados a atividades diversas, como exposições, shows e saraus.