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18/12/20 às 22h07 - Atualizado em 18/12/20 às 22h07

A dor e a delícia da vida social brasiliense

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Texto: Loane Bernardo. Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

 

18/12/2020
22:07:00

 

A tarde dessa sexta (18) contou com um bate papo sobre duas histórias passadas em Brasília que compartilham os mesmos sentimentos: dor e resistência. Como parte da programação do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o painel, que foi transmitido pelo YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) tratou com empatia sobre as dores e delícias da vida social e cultural em Brasília. Mediado pela cineasta Carina Bini, a mesa virtual contou com a presença dos diretores Lino Miranda do filme “Candango: Memórias do Festival e Edson Fogaça de “O Mergulho na Piscina Vazia”.

 

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Em clima de celebração pelas produções exibidas na Mostra Brasília, em streaming até domingo (20) pelos Canais Globo, Carina Bini apontou o caminho da exibião on-line em um momento necessário para a sensibilização e formação de público para o cinema nacional. “O Festival de Brasília é um lugar de reforçar o vínculo afetivo dos fazedores de cinema em um momento que todos estão em prol de um trabalho valioso para a cultura do país”, comemorou.

 

 

Diretor do longa-metragem que conta a história do festival, Lino Meireles narrou que, para produzir seu filme, o ponto de partida foram suas memórias afetivas como espectador do evento. Nesse sentido, sele saiu em busca dos personagens reais que compartilharam momentos entre uma sessão e outra no Cine Brasília. “Eu queria ouvir as vozes das próprias pessoas que viveram histórias no Festival de Brasília. O legado deste evento é de muito amor”, justificou.

 

Lino revelou que durante três meses realizou 70 entrevistas com pessoas interessadas em prestar depoimentos sobre o festival. Para o diretor, o documentário propôs um resgate da memória do que se passou em mais de 50 anos de celebração do cinema brasileiro pelas lembranças das fontes. “Estávamos correndo contra o tempo para gravar uma memória que não estava em nenhum livro. Gravamos ao máximo. Foi um “tiroteio” divertido e maravilhoso que resultou no documentário”, enfatizou.

 

Já o diretor e roteirista Edson Fogaça revelou como surgiu a ideia de fazer um filme sobre a vida de uma pessoa real, em uma história real, delicada e comovente, envolvendo altos e baixos da vida social em Brasília. Edson recebeu de uma ex-colega de trabalho o relato sobre a vida do cabeleireiro Derly Silva, seu protagonista em “Mergulho da Piscina Vazia”. “Ela trabalhou com Ruth Cardoso, onde conheceu Derly. A partir de um encontro do acaso ela o reencontrou em um pequeno salão da Asa Sul e se deparou com o drama particular que poderia virar história de filme”, relembrou.

 

Retratada com uma abordagem humana e livre de preconceitos, a trajetória do cabeleireiro presidencial, ícone da área na década de 90 até os dias de dor e esquecimento ocasionado pela doença da dependência química, é um pedido de socorro e uma prova de que o vício das drogas pode ser vencido.

 

Emocionado, Fogaça contou que, por meio de metáforas, fez com que a mensagem se tornasse ampla. “Gravamos em lugares icônicos de Brasília, como a Piscina de Ondas. Colocamos o personagem em projeções que abordam o modo que o vício é encarado no País, desde o serviço social, psicológico, para uma luta que não se vence sozinho e sim, com muito amparo e compreensão”, comenta.

 

Diante das duas tramas, o trio de cineastas concluiu que existe algo em comum entre elas: histórias de luta, dor, resistência e a capacidade de dar a volta por cima. Tanto o documentário sobre o mais longevo festival do país e suas paixões, quanto o de um homem cercado pelo poder e glamour que adoeceu e reage diante de uma realidade cruel.

 

“O que eu acho similar a batalha interna travada pelo povo. Fala de dor, de luta no ofício de fazer cinema e da dor e luta no combate ao vício. Ambos aproximam o público das dificuldades humanas”, arrematou Lino Meireles.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)
E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br