Governo do Distrito Federal
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26/11/19 às 17h09 - Atualizado em 26/11/19 às 17h09

Visão feminina marca o painel sobre os desafios atuais do setor audiovisual no Brasil

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Evento, realizado no 3º Ambiente de Trabalho, conta com participação de mulheres à frente de entidades representativas

 

“Os Desafios do Audiovisual de Hoje” foi um evento dominado pela visão feminina nesta manhã (26) dentro do 3º Ambiente de Mercado, realizado no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, como parte da programação do 52º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro.

 

A representante da Conne (Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste), que reúne produtores e realizadores dessas regiões – que compreendem 19 estados e o DF -, Jorane Castro, uma das painelistas, apontou como um dos desafios do setor lutar por narrativas alternativas à praticada pelo cinema comercial, no entender dela “hegemonicamente machista”.

A percepção de Jorane encontra respaldo nos dados. Levantamento apresentado pela representante do Fórum Nacional Lideranças Femininas no Audiovisual, Débora Ivanov, mostra que, no ano passado, entre os dez filmes com maior bilheteria, a maioria exibia linguagem e valores como os criticados pela representante da Conne.

 

Outro desafio é em relação ao percentual menor de mulheres em posições de realização e direção no setor audiovisual comparativamente a cargos de assistentes, em que aparecem em número superior. Outra participante do painel, Rita Andrade, do Fórum Distrital das Mulheres do Audiovisual do DF, lembrou a tese do “telhado de vidro”, que indica que há um afunilamento na ascensão das mulheres no mercado de trabalho a posições no topo da hierarquia profissional. “Todas nós conhecemos bem essa história. Vemos os colegas subindo e a gente parando em certo ponto”, observou a mediadora do debate, Cibele Amaral, diretora da Associação dos Produtores e Realizadores de Filmes de Longa-Metragem de Brasília (Aprocine).

 

Rita denuncia as dificuldades de conseguir visibilidade para narrativas vocalizadas por lésbicas, bissexuais, travestis e trans. Essa sub-representação deu origem ao Selo Ela, da Elo Company, empresa que presta consultoria a projetos que buscam justamente romper a barreira de invisibilidade do mercado dominado pelo lugar de fala notadamente masculino e branco. A representante da empresa, Gabriela Souza, única mulher negra no painel, anunciou a ampliação do serviço para o Selo Black, focada em questões de etnia.

A conselheira da Associação de Produtores Independentes (API), Ylla Gomes, advogada, lembrou que o momento é de valorizar o arcabouço legal construído a partir, principalmente, da Lei 12.485, de 2011, que fez o setor saltar para 0,46% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, à frente de segmentos como as indústrias têxtil e farmacêutica, segundo dados apresentados por Ivanov.

 

A Ivanov coube fazer uma exortação à plateia: “criticam-nos por querermos fazer mais filmes, mas lembro que, no ano passado, o Brasil lançou 170 longas, enquanto Argentina fez 220, França, 300 e os Estados Unidos, 821”. “O que produzimos é bom e o público gosta. O setor independente responde a políticas públicas de fomento e o brasileiro gosta de ser ver na tela”, completa.