Governo do Distrito Federal
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27/08/19 às 17h37 - Atualizado em 27/08/19 às 17h37

Trabalho construtivista de Eduardo Sued ganha exposição no Museu da República

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Comparado a Mondrian, artista desafia entendimento pelo uso de formas e paleta de cores que inclui o preto

 

“Há noites pretas e noites negras!” A frase é do pintor, desenhista e gravador Eduardo Sued. O carioca de 94 anos e de produção atual ativa diferencia as duas cores. Costuma dizer que “o preto torna-se negro à medida que a escuridão e a intensidade vão se apossando dele”. Pinta na fronteira com a poesia, portanto.

 

Dele são as peças com técnicas de colagem de papel sobre papel, tinta acrílica e tinta verniz sobre tela que compõem a exposição “A Experiência do Olhar” no Museu Nacional da República, com abertura nesta quinta (29) até o final de outubro. O curador da mostra, Maurício Lima, apresenta Sued como alguém que parte do figurativismo, passa pela abstração geométrica e vai em direção ao construtivismo, onde aporta com características que lembram Mondrian.

 

Diferentemente do holandês do pós-impressionismo e do fauvismo, contudo, o brasileiro não se detém nas cores primárias (vermelho, azul e amarelo) e propõe-se a encontrar o equilíbrio em uma paleta de cores muito mais vasta, abrangendo verde, roxo, rosa e o preto da referência às noites.

 

O crítico e historiador André Muniz diz que “a arte de Sued nos obriga a repensar o modo como nos acostumamos a dar significado às coisas, como formamos nossa visão de mundo habituados com esquemas representacionais que julgamos únicos e inequívocos”.

 

Dessa forma, prossegue Muniz, o público “precisa ser paciente para não buscar sentido fora do próprio espaço pictórico, pois são exclusivamente cor, luz e materiais, em suma, as formas, que reivindicam ser as legítimas fontes de significação”.

 

Sued começou a se dedicar à arte em 1948 quando abandonou a faculdade de engenharia naval no Rio. Trabalhou como desenhista no escritório de Oscar Niemeyer e passa um tempo em Paris, onde toma contato com as obras de Pablo Picasso, Joan Miró, Henri Matisse e Georges Braque. De volta ao Rio em 1953, passa a frequentar o ateliê de Iberê Camargo para estudar gravura em metal, tornando-se seu assistente.

 

Serviço
Eduardo Sued, “A Experiência do Olhar”
Museu Nacional da República
Complexo Cultural da República, Esplanada dos Ministérios, Brasília
Abertura: 29 de agosto, quinta-feira, às 19h
Período expositivo: até 27 de outubro
Visitação: de terça a domingo, das 9h às 18h30
Telefone: (61) 3325-5220