Governo do Distrito Federal
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10/12/19 às 18h38 - Atualizado em 10/12/19 às 18h40

Territórios Culturais – Projeto celebra primeiro ano com formação para educadores

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O projeto “Territórios Culturais” completa seu primeiro ano e, para compartilhar as experiências obtidas no período, educadores se reuniram nesta terça-feira (10) em uma atividade pedagógica no Memorial dos Povos Indígenas (MPI). Além de celebrar o sucesso do programa em 2019, eles também alinharam as estratégias e expectativas para os trabalhos de educação patrimonial para 2020.

 

A iniciativa, que é parte do programa Cultura Educa, fruto de parceria da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) com a Secretaria de Educação, agrega números expressivos. Foram 23 mil estudantes atendidos, que participaram de atividades práticas no Cine Brasília, Centro Cultural Três Poderes, Museu Vivo da Memória Candanga, Museu do Catetinho e Memorial dos Povos Indígenas.

 

Durante a atividade, a comitiva de educadores vivenciou a mesma experiência dos alunos que realizam as atividades de educação patrimonial. Guiados pela professora responsável pelo trabalho educativo no MPI, Ana Paula Bernardes, os professores visitaram a exposição “Menire Bê Kayapó Djàpêj – a mulher Kayapó e seu trabalho”. Com o lema: “Somos fortes, trabalhadeiras e belas”, o grupo tirou dúvidas sobre os costumes, arte, cultura, alimentação e trabalho das mulheres indígenas.

 

Como parte da dinâmica, os educadores inscritos no programa reuniram sugestões e discutiram ajustes para aprimorar o trabalho e melhorar os resultados da ação no próximo ano. Fechando a formação pedagógica, o rapper indígena que atua como agente cultural no MPI, Oxóssi Karajá se apresentou para o grupo, em uma espécie de ritual. Karajá pediu que todos fechassem os olhos para ouvir sua canção “Sete Flechas”.

 

Com uma letra que mistura a língua nativa de sua etnia e os problemas sociais vividos pelos indígenas, o rapper celebrou o momento com os professores no fim da visita guiada.“Oxóssi na casa na asa da imaginação. Afiando a caneta espada e lutando com as próprias mãos”, cantou.

 

De acordo com a colaboradora do programa Territórios Culturais, Rayane Cristina, a atividade dedicada aos educadores faz parte do processo de avaliação e formação dos professores do projeto dentro dos espaços culturais. “Esta ocasião é fundamental para conhecer o trabalho dos professores nos seus respectivos equipamentos, além de discutir nossa prática pedagógica dentro da educação patrimonial”, completa.

 

Entusiasmada com o sucesso das visitas escolares realizadas desde agosto, a educadora Ana Paula Bernardes considera muito importante a formação dos professores dos Territórios Culturais dentro da realidade de cada equipamento. “Aqui recebemos as crianças e jovens desde agosto, onde falamos sobre as 305 nações que compõem os povos indígenas, considerando sempre a importância e a riqueza destes povos para os tempos de hoje no Brasil”, conclui.

 

Memorial dos Povos Indígenas

 

O local escolhido para a reunião com os professores do programa, o Memorial dos Povos Indígenas, foi inserido no cronograma de atividades pedagógicas somente em agosto. Com uma programação que inclui visitas guiadas em exposições e palestras, o espaço cultural está aquecido pelas atividades culturais que valorizam a cultura indígena no Brasil e no mundo.

 

Outro destaque da visita dos mestres ao MPI foi a abertura da exposição “O Agro Não é Pop”, do artista plástico indígena Denílson Baniwa. A mostra revela de forma sensível e simbólica a representação das propagandas em relação aos alimentos e o modo de vida do ser humano. Por meio de metáforas, misturando personagens de casos chocantes envolvendo índios, como a morte do Pataxó Galdino, o expositor guiou os educadores por suas pinturas, gravuras e retratos expostos no Memorial.

 

Para o artista indígena Denílson Baniwa, natural do Amazonas, sua exposição faz um recorte sobre a aplicação das leis na relação com o agronegócio, envolvendo a produção, consumo e ocupação de terras no Brasil. “É importante estar dentro do Memorial dos Povos Indígenas em Brasília. Estas discussões são levantadas e definidas no centro do país”, explica.

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