Governo do Distrito Federal
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9/04/13 às 13h43 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Teatro Nacional será fechado para restauro

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A partir de agosto, o Teatro Nacional fecha suas portas por dez meses. Os 17 espaços que o compõem mais os Jardins de Burle Max serão totalmente restaurados. Um investimento de R$ 96 milhões.

No início do ano, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal (SeCult-DF) e o Instituto do Patrimônio, Histórico, Artístico e Cultural (IPHAN) instituíram um Grupo de Trabalho (GT) para fazer estudos preliminares da obra de restauro do Teatro Nacional. O GT é composto por técnicos da Secretaria e dois engenheiros contratados pelo IPHAN.

O trabalho do GT é adequar o Teatro, Bem tombado, às necessidades estruturais, físicas, segurança, modernização e de acessibilidade sem ferir a lei do tombamento. O Subsecretário do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (SUPHAC), José Delvinei, lembra a importância da participação do IPHAN. “Só é possível fazer essa obra em parceria como IPHAN”, afirma José Delivinei.

A obra inclui o restauro da estrutura física, modernização do Teatro (equipamentos, tecnologia, hidráulica, instalações físicas, saídas de emergência, segurança), adequação a Lei de Acessibilidade e paisagismo dos Jardins de Burle Max.

Licitação

No dia 15/04, a Secretaria de Cultura publica, no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), o edital de licitação para a contratação dos “Projetos Executivos das Instalações e Complementares de Arquitetura” que custarão R$ 4,2 milhões. 

Os Projetos Executivos conterão os elementos necessários à execução completa e o valor que será gasto em todo o restauro. Os Projetos Complementares de Arquitetura vão definir o que poderá ser alterado na arquitetura, a exemplo do espaço entre as cadeiras da Sala Villa Lobos e adequação das saídas de emergências.

De posse dos Projetos Executivos, a Secretaria de Cultura abre licitação que selecionará a empresa responsável pelas obras de restauro. Dentro do valor licitado, está contemplado um percentual para a empresa vencedora contratar uma consultoria com o escritório do Oscar Niemeyer.

O IPHAN fará parte das negociações, mas já está certificado que o escritório de Oscar Niemeyer compreende que o Teatro precisa se adaptar aos rigores da Lei de Acessibilidade e passar por um processo de modernização. A acústica está entre os itens a serem discutidos. O Subsecretário da SUPHAC lembra que a acústica passa pelo carpete, formato da sala, acabamento, revestimento da laje, iluminação da segurança e que o problema foi resolvido parcialmente com a instalação de vidros no final da Sala Villa Lobos. “Entendemos que hoje o carpete não atende às exigências da lei. Nós teremos que substituir ou retirá-lo, pois o carpete absorve o som“, explica.

Investimentos

A estimativa é que sejam gastos R$ 96 milhões em toda a obra de restauro. O cálculo foi feito com base nos 43 mil metros quadrados de construção do monumento. Os recursos virão do Governo do Distrito Federal (GDF), Governo Federal e a iniciativa privada. 

Em março, a SeCult-DF e o Ministério da Cultura (MINC) fizeram a primeira reunião para tratar sobre uma parceria. O MINC entraria com recursos vindos do Fundo Nacional de Cultura ou por meio do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas. Também estão previstos investimentos da iniciativa privada que será beneficiada pela Lei Rouanet (por meio da renúncia fiscal).

O GDF entra com a contrapartida de R$ 16 milhões. O valor já está incluso na Lei Orçamentária Anual (LOA), dentro da carteira de investimentos dos Projetos Estruturantes do Distrito Federal (PEDF). “Este ano, o GDF possui o recurso aprovado na LOA, na ordem de R$ 36 milhões, e nós temos o compromisso do governo de que na medida em que fomos gerando os projetos de restauro nós teremos mais recursos”, disse José Delvinei.

Obra

A obra do Teatro contempla o restauro e a modernização das estruturas físicas, hidráulicas, elétricas, acústica. A iluminação é um dos maiores desafios, será substituída toda parte de fiação, troca de refletores, mesas de operação, equipamentos, energia e alimentação do sistema. A parte de equipamentos que, atualmente, é analógica será toda substituída por aparelhos digitais.

“Temos que trazer o Teatro para o século XXI, os equipamentos e a estrutura são da época da inauguração em 1979. O nosso sistema de geradores é a diesel”, explica o Subsecretário da SUPHAC.

Todos os 17 espaços do Teatro Nacional (galeria de arte, salas para espetáculos, salas de ensaio, espaço gourmet) e os Jardins serão restaurados. “O nosso objetivo é que o espaço Dercy Gonçalves volte a ser um restaurante panorâmico. Hoje o acesso a ele é impossível”, informa José Delvinei.

Espetáculos

Durante o período das obras, a Secretaria estuda a viabilidade de se construir um espaço alternativo, uma espécie de tenda com sistema de som, luz, iluminação e refrigeração que atenda aos espetáculos. Há uma preocupação por parte da SeCult-DF em não privar a população das apresentações artísticas que ocorreriam no Teatro Nacional. A Secretaria já está se reunindo com os produtores da cidade para tratar do assunto.

Outra proposta é fechar parcerias com outros espaços culturais de Brasília como o Centro Cultural Banco do Brasil, Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Teatro da Unip e o teatro Pedro Calmon, do Quartel General do Exército, onde estão prevista as apresentações da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional.

Durante este primeiro semestre, o Teatro funciona normalmente com os espetáculos de dança, teatro. Na programação, estão previstos a realização do II Festival de Ópera, de 15/05 a 30/06, e em julho o Seminário Internacional de Dança.