Governo do Distrito Federal
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8/05/13 às 19h56 - Atualizado em 13/11/18 às 14h38

Sociedade e Governo debatem o futuro da Rádio Cultura FM

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Artistas, servidores e autoridades dos governos Federal e do DF participaram na terça-feira (07/05) do Seminário Rádio Cultura e Colóquio de Programação, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB). O objetivo foi debater a situação da rádio pública no Distrito Federal.

O primeiro painel do seminário abordou o papel da comunicação e da rádio pública para a sociedade. O secretário de Cultura, Hamilton Pereira, destacou a vocação cultural da Rádio Cultura FM e a necessidade de oferecer espaços em sua programação para a diversidade cultural da capital, a produção cultural local e a democratização do acesso.

Segundo o secretário, a Rádio Cultura cumpre o papel de afirmação das identidades culturais da capital. “A cultura de Brasília é a cultura do Brasil. Uma cidade que tem 50 anos de idade, não tem cultura própria, ela está formulando a sua”, disse.

O secretário de Comunicação do Distrito Federal, Ugo Braga, citou o fortalecimento da Rádio Cultura como uma das propostas aprovadas no 1º Seminário sobre Comunicação Pública do DF (ComunicaDF), que reuniu autoridades e sociedade em agosto de 2012.

A valorização da Rádio Cultura também foi defendida pelo presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, deputado distrital Cláudio Abrantes (PT). O parlamentar destacou o caráter de “resistência” da rádio em relação à produção comercial imposta pelo mercado.

Problemas como a falta de sustentabilidade financeira, ingerências, carência de recursos humanos e de equipamentos foram levantados pelo representante do Ministério das Comunicações, Octávio Pieranti, pelo presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB), Mário Sartorello, e pelo diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Eduardo Castro.

Desafios da Rádio Cultura FM

Ao abrir a segunda parte do seminário, o subsecretário de Comunicação da Secretaria de Cultura, André Barreto, fez um balanço de sua gestão, com destaque para o processo de reestruturação da rádio iniciado em 2011.

Dentre os avanços, André Barreto citou a ampliação do alcance da rádio, antes restrita à W3, para todo o DF; realização de debates com a população; a inclusão de rubrica específica para a manutenção da Rádio Cultura na Lei Orçamentária Anual (LOA-DF); a parceria com a EBC para expansão de conteúdo; e a reaproximação com a comunidade artística a partir da criação de programas locais.

“A Rádio Cultura é uma rádio pública de caráter educativo-cultural, que funciona como ponta da cadeia produtiva de cultura e que trabalha para trazer o artista para dentro da rádio”, afirmou. Entre os desafios apontados por André Barreto, estão a falta de pessoal, de equipamentos e a necessidade de adoção de um modelo de sustentabilidade para a emissora.

Mário Sartorello, da ARPUB, falou sobre a importância da programação de uma rádio pública que possa refletir a diversidade cultural brasileira e que abra espaço para a comunidade. “Não existem fórmulas prontas. Precisamos ouvir o que as pessoas querem”, frisou.

O presidente do Conselho de Cultura e ex-diretor da Rádio Cultura, Romário Schettino, apresentou como propostas a instituição de um conselho de programação, a reativação da Associação dos Amigos da Rádio Cultura e a melhoria da divulgação da rádio junto aos ouvintes, além da realização de pesquisa de opinião que diga qual o perfil do público e o que ele quer ouvir.

A professora Clarisse Costa, do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB), fez um retrospecto sobre a chegada do rádio como veículo de comunicação de massa ao Brasil a partir de 1920 e sua trajetória cronológica até os dias atuais. “A rádio pública permite que as pessoas tenham acesso ao conhecimento e ao entretenimento”, afirmou.

Como representante do segmento cultural, o cantor e compositor, Dillo Daraujo, defendeu uma relação de retroalimentação entre os artistas e a emissora para a criação e transmissão de conteúdo. “Hoje a Rádio Cultura FM já tem programas que olham e preservam o seu passado, que estão atentos ao presente e que já olham para o futuro. O que ela precisa é ter suporte do Estado”, destacou.

A diretora da Rádio Cultura Alice Campos destacou o potencial da emissora e o empenho dos funcionários em mantê-la em funcionamento, apesar de todos os problemas estruturais existentes. Ela defendeu o diálogo com a sociedade e uma gestão participativa. Alice Campos fez um relato dos avanços e ressaltou o aumento da presença da comunidade artística na rádio. “Este é o momento em que temos que discutir o Conselho de Comunicação e pensar numa estrutura para a rádio que possa perdurar”, concluiu.

Após a explanação dos convidados, o público participou do debate encaminhando sugestões à mesa. A população pode encaminhar outras contribuições sobre a Rádio Cultura FM para o e-mail: radioculturafm.df@gmail.com.